Tive a sorte de poder ver alguns dos melhores quadros do fotorealista Richard Estes no mesmo Museu Thyssen. Gosto particularmente da ilusão de fotografia que existe na sua pintura. Diverte-me e comove-me a técnica deste artista e lembra-me a de outros de quem também gosto muito. Falo de Jorge Colombo, por exemplo, que é de uma geração mais nova e menos alinhada, mas também vive em Nova Iorque e retrata pessoas, gestos, ruas, cantos e pontes fazendo desenhos com tanta luz e detalhes que parecem fotografias.
Nedick’s, 1970 é um dos quadros de Richard Estes de que mais gosto e está exposto em Madrid. É fascinante ver como o mundo se desdobra nos reflexos espelhados, se amplia através dos vidros e se descobre na profundidade metálica de letreiros aparentemente banais. Há mais paisagem e horizonte inscritos no esmalte encarnado do anúncio da Coca Cola, onde se vêm dois arranha-céus distorcidos pelo redondo sem arestas do letreiro, do que em muitos quadros grandes com horizontes amplos. Gosto desta forma de recriar a realidade e gosto da maneira como Estes indica as horas da manhã ou da tarde através dos raios de luz que pinta nos seus quadros.