Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Nenhum coração é tão inteiro...

Publiquei o testemunho da mãe do Alexandre sem comentários por não ser possível acrescentar uma única linha às suas palavras. Estou desde ontem sem saber o que dizer nem como revelar a minha profunda gratidão pela confiança que uma mulher tão inteira e tão verdadeira depositou em mim e neste imenso grupo que diariamente passa aqui pelo blog. Sónia atravessa o maior sofrimento de todos e, mesmo assim, encontra forças para partilhar sentimentos, dúvidas, perplexidades e mágoas com pessoas que não conhece mas sabe, porque sente, que a acompanham e a deixam menos sozinha com as suas dores. Quem perdeu um filho diz que é uma dor que o tempo não cura nem apaga e não custa acreditar que assim seja. Por outro lado também não custa acreditar que a memória da vida desse filho seja a luz que ilumina as sombras e faz acreditar que é possível continuar a viver, um dia após o outro. Santo Agostinho tinha uma interrogação que mais me parece uma oração e hoje deixo aqui à mãe do Alexandre por achar que faz sentido depois de ler o que corajosamente escreveu: "como podem dizer que morreu, quem permanece tão vivo no meu coração?"

Tolentino de Mendonça, padre e poeta, também tem uma breve oração que me ajuda nas fases de coração ferido: "nenhum coração é tão inteiro como um coração partido".

Sei que nem todos somos pessoas de fé mas também sei que estes dois pensamentos assentam a crentes e descrentes e por isso os deixo aqui, com um abraço terno e eterno para a Sónia. Um abraço daqueles que nunca se desfazem.     

 

publicado por Laurinda Alves às 12:56
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10 comentários:
De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Fevereiro de 2009 às 13:13
Não sendo de fé, acho que a Laurinda escolheu dois excelentes pensamentos, para este momento tão dificil! E temos que desejar muita força, a esta MÃE!
De solnocoracao a 25 de Fevereiro de 2009 às 13:31
Queridas Sónia e Laurinda,

queria deixar também um abraço eterno. Dizer à Sónia que rezo por ela, estou com ela. Não posso fazer o caminho por ela mas acompanho a sua dor.
Graças a Deus não sei o que é perder um filho, mas sei o que é a perda. Talvez que exclui aprenda nesta situações.
Abraço eterno às duas e um infinito obrigada pela partilha.
Bj
Teresinha
De Reflexos a 25 de Fevereiro de 2009 às 13:49
Coisas há que não me sinto com direito a comentá-las. Esta é uma delas. A Mãe do Alexandre está a reagir de uma forma que provavelmente nem ela imaginou que um dia reagiria... e isso acontece com todos nós!
É uma Senhora muito corajosa, sim senhora...
E os amigos só tem de estar doisponíveis e à espera dos sinais dela de pedido de apoio e isso a Laurinda está a fazer muito bem...

Beijinhos
De Marcolino a 25 de Fevereiro de 2009 às 18:20
Olá, Laurinda!

Em 1755, o célebre terramoto que arrazou Lisboa, fez aparecer uma inteligente frase, dita por um dos maiores estadistas de Portugal: "Enterrem-se os Mortos e tratem-se dos Vivos!" Só Deus e os vivos, daquela época, é que sabem porque razões ele disse tal coisa.

Em todas as circunstâncias da minha vida passada, presente quiçá futura, mais propicias a armazenar memórias de má memória, recorro a esta inteligentissima formula de me livrar, para meu bem pessoal, e da minha sanidade mental, das coisas que não quero, nem lhes permito, que se assenhoreiem de mim.

Como assim?

Já perdi muitos bens materiais de grande valor patrimonial. Já perdi meus pais. Já perdi meu irmão mais velho, Já perdi dois filhos. Já perdi amigos de berço. Já estive prestes a cegar por completo. Fez, este mês de Fevereiro, 1 ano em que saí da sala de operações sem sabermos, eu e os médicos, se voltava a ver, pelo menos o necessário para continuar a ser autónomo. Rápidamente me refiz porque não existe nada, mas mesmo nada, neste mundo, que me faça perder a pujança espiritual para continuar a viver pleno daquela Alegria que Deus me deu ao nascer.

Por isso continuo a insistir que o dramatismo, o negativismo e o derrotismo, não têm altar dentro do meu ser nem, alguma vez deveria tê-lo em qualquer Ser Humano.

Um abraço para si!
De RA a 25 de Fevereiro de 2009 às 18:40
Haverá mais uma palavra a dizer? Não creio. Impressiono-me muito quando vejo alguém que terá todos os fundamentos para se revoltar e, no entanto, tem a imensa sabedoria de lidar com a dor com serenidade, de aproveitar para o presente o que ficou de um passado feliz. Também sou dos que acreditam que a imortalidade é o que fica dos que partem no coração dos que ficam, e é no nosso coração que devemos sempre procurar O mais importante...
De maria a 25 de Fevereiro de 2009 às 21:47
Nunca nos separamos de quem trazemos no coração, tão vivo que nunca poderia ter morrido. Assim será o Alexandre para a sua mãe, sempre. Não tenho dúvida nenhuma. Posso apenas enviar à Sónia um abraço de mãe para mãe, grande e sincero, amigo, forte. Querida Sónia.
De Nicolau a 25 de Fevereiro de 2009 às 22:54
Gosto muito de si, Laurinda.
Pela primeira vez vou votar nas europeias.
De frioleiras a 26 de Fevereiro de 2009 às 00:08
morrer é só não ser visto... como dizia F Pessoa...

Sou crente e acho que os pensamentos que cita e todo o seu "post" são tão sensíveis ... como se a Laurinda tivesse a alma encharcada como a tem a mãe do Alexandre...........

grata pelo que vou aprendendo por aqui........
De Su a 26 de Fevereiro de 2009 às 22:20
Como já foi dito, não há comentários possíveis para as palavras desta MÃE. A si e a ela um abraço do tamanho do mundo cheio de força e coragem e banhado por um sorriso...

P.S. Laurinda, tomei a liberdade de retirar a frase de Tolentino de Mendonça e publicar no meu blog: http://susana-omeuolhar.blogspot.com
De bloguisticamente a 26 de Fevereiro de 2009 às 23:23
Depois de ler várias vezes o testemunho da mãe do Alexandre, com um imenso aperto no coração, pensei no que será possível escrever num momento de tão grande sofrimento.
Lembrei-me de uma frase de um pai que perdeu um filho: " Porque não há-de querer Deus as flores mais bonitas para o seu jardim."
Um abraço eterno a esta Mãe.
Um abraço para si também Laurinda .
Anabela

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