Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
Testemunho de uma mãe-coragem que não tenho palavras para agradecer

Eu sou a mãe do Alexandre, quero agradecer a possibilidade que deram de dar conhecimento de tal situação e particularmente a compreensão do "pai" que escreveu sobre a crueldade que é exercida entre as crianças dos chamados colégio de elite.
O Alexandre era o filho perfeito e o meu maior amigo, pensar nele, é pensar em vida, energia, alegria, inteligência, amizade, companheirismo. Há inúmeros factores que podem tê-lo levado a tal acto, a vida passa depressa demais como ele me disse tantas vezes, passamos o dia no trabalho, na escola e apenas temos tempo para quem mais amamos quando já estamos cansados e esgotados. Vivia sozinha com ele e desde sempre dediquei-me por inteiro à sua educação, à passagem de valores e princípios que cada vez são mais raros e pelos quais eu sempre me pautei e lutei, por isso ele era um ser justo, amigo do seu amigo, lutador dos direitos alheios, um líder por natureza. Aluno de quadro de honra, excelente ginasta, bonito e sedutor pela sua maneira sensível de ser. A Comunidade Salesiana preocupou-se e acompanhou um pouco a sua tristeza, mas jamais foi um rapaz que desses sinais de desespero e de desistência da vida, ele tinha projectos, muitos, a cada dia que passava, imaginava um novo futuro, novas acções, era um ser muito interessante e criativo. Começaram a haver algumas preocupações e frustrações e através de cada sinal de incompreensão e exclusão por parte de alguns colegas dele (4 particularmente), que ele me vinha falando eu preocupava-me em conjunto com a directora de turma, que estabeleceu uma relação de amizade com o Alexandre pela forma tão sincera, frontal e madura com que ele enfrentava as situações, esteve em companhia com um psicólogo do próprio colégio, que notou no Alexandre grande maturidade, sensibilidade e muita preocupação com quem amava. O Alexandre queria a atenção de todos e queria dar-se bem com todos, apesar de sabermos que não poderemos gostar sempre de todos, nem sermos amados por todos.
No entanto, a crueldade de alguns colegas, que como criança que era me dizia…
-“Eles já não querem “brincar” comigo, nos recreios, nos jogos de futebol…
- Afastam-me também outros amigos que, não querendo também eles sentir a exclusão, acabam por afastar-se…
Só posso encontrar em tais actos, vestígios de inveja, insensibilidade e má formação.
Estas crianças e algumas de suas mães estiveram presentes na vida do Alexandre outrora e recebi-os com carinho em minha casa algumas vezes. Também compareceram, perturbadoramente, pelo menos para mim, na Missa do 7ºdia.
Dizem estar arrependidos, mas o tempo tudo faz esquecer e o meu Alexandre, esse, encerrou o seu projecto de vida naquele momento.
Nada nem ninguém o faria prever, sofro o vazio de viver sem sentido e coração, deixou-nos como herança a difícil tarefa de reaprender a viver e de nunca esquecermos que devemos sempre dizer que gostamos a quem merece, sorrir para quem precisa e abraçar o nosso próximo a cada despedida como se fosse a última.
Á Homilia foi muito bonita e feita com grande sensibilidade, penso que através da fé e com a ajuda que me tem sido dada pela família, amigos e pela comunidade Salesiana, consiga sentir-me um dia completa e serena e sempre acompanhada pelo Meu Tesouro, o meu Filho que decidiu iniciar uma nova viagem, uma nova aprendizagem.
É assim que tenho que pensar e avançar um dia de cada vez.

publicado por Laurinda Alves às 21:44
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De isabel queiroz melo a 24 de Fevereiro de 2009 às 23:13
Confesso que me impressionou muitissimo o texto da mãe do Alexandre, não é dificl imaginar o seu sofrimento ... ou nem dá para imaginar !
Corroboro o que foi dito àcerca da crueldade entre jovens e acrescentarei que o mesmo se passa entre adultos, embora assumindo formas mais subtis !
Ouvi já (enquanto psicologa), demasiadas vezes. o sofrimento de quem é "perseguido" de mutiplas formas, sendo transformado em bombo da festa, motivo da conversa, bode expiatorio, etc ... Muitas vezes apenas ouvimos, e rimos ou sorrimos ... inconscientes das brechas irreparaveis que se vão formando, irreversivelmente, em alguém que não se pode defender.
Que todos os que por aqui passam olhem com um novo olhar o seu dia a dia e descubram se não há alguém a quem possam ajudar a libertar-se.
Ainda que quem o faz não se importasse de ouvir aquelas bocas, o que interessa de facto é o que o outro sente ( e tantas vezes, indefeso, tenta disfarçar).
Mãe do Alexandre obrigado pela sua coragem. Também eu não tenho palavras. Que essa dôr, sem lenitivo, não seja a ultima palavra ...
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