A cadeira onde estou sentada era a cadeira da mãe do arquitecto Siza Vieira e foi herdada pelo Camilo Rebelo, também arquitecto, muito amigo de Siza e meu grande amigo. Foi ele que me tirou a minha última fotografia dos meus 48 anos, esta manhã ao acordar, e antes de voltar do Porto. Amanhã faço anos e por isso vou ficar mais ausente. Por boas razões, claro :)
Para mim, esta semana começa em Esposende e no Porto, mas volto a Lisboa amanhã. Em Esposende vou participar num debate sobre Pena de Morte e Direitos Humanos. Depois dou notícias.
Pó e Leite Azedo, eis o título de um livro de poemas que a Chiado Editora acaba de publicar. Matilde Velho Cabral, a autora, tem 17 anos e é filha de uma das minhas primas direitas. Fui ao lançamento do livro, que me comove de uma forma particular por ser de alguém muito próximo e familiar. Mais uma vez não tenho distância crítica para falar de um livro que não me surpreende nada, pois a Matilde é uma leitora compulsiva desde a infância e lembro-me de lhe ralharam às horas das refeições e a obrigarem a deixar os livros para ir para a a mesa. Por ela, esquecia-se de comer.
A Chiado Editora aposta em autores portugueses e nos 'novos, novos' e acho admirável que o faça, já que todos os grandes escritores precisaram de alguém que acreditasse neles quando ainda não eram conhecidos nem eles próprios estavam assim tão seguros dos seus talentos.
A sala da Biblioteca Municipal de Cascais encheu-se de amigos e familiares da Matilde, que deu dezenas de autógrafos estreando-se nesta 'arte' da proximidade entre quem escreve e quem lê. Gostei muito de a ouvir falar sobre a sua escrita, sobre a sua demanda interior para escrever poesia e sobre a importância que tem para ela esta forma de expressão. Falou pouco mas disse tudo. Nunca perdeu o sorriso que, nela é marcante e contagiante. E muito bonito. Já li todos os poemas, claro, mas agora é o tempo em que os vou lendo e relendo demoradamente.
"Tudo passa, tudo muda
É riso é alegria,
Pranto e tristeza,
De que vivo eu,
Senão da melancólica incerteza."
Gostei muito de ver algumas peças de algumas galerias na Feira de Arte de Lisboa. Em cima, uma escultura em escala humana de João Castro Silva, pousada em frente de um quadro/desenho de João Vaz de Carvalho.
Sou bastante parcial no que toca à pintura e desenhos do Pedro Proença (pormenor de um quadro, em cima) e do Pedro Calapez (foto de baixo), pois são dois dos meus artistas preferidos há anos sem fim. Desde que começaram a pintar, mesmo.
Este quadro invulgar do Diogo Guerra Pinto, representando uma muleta, foi logo vendido. De facto é forte e fica-se preso a ele. Não sei se pelo insólito da figuração, se pela maneira como ele usou o preto-branco-e-cinzento nesta tela. também não sou imparcial, porque gosto muito da sua pintura e dos seus carvões.
Sou fã das fotografias e obra de Helena Almeida e se pudesse ter feito uma extravagância nesta edição da Feira de Arte de Lisboa, teria comprado esta fotografa enorme, muito bela e muito profunda. Um abraço de um homem, que também se deixa abraçar. Muito forte e de uma depuração gráfica maravilhosa que a escala gigante amplia. Adorei.
Noutra linha, noutra escala e com outro detalhe, este e outros insectos também me fascinaram.
Há duas semanas que eu e um núcleo duro (mas alargado) de amigos acompanhamos diariamente os pais e a família de um bebé muito querido e muito especial, que continua internado a evoluir lentamente de uma operação extraordinariamente delicada. Voltei agora de um serão no hospital e deixo aqui a imagem da cama que o Vasquinho tem em casa dos pais, onde todos esperamos vê-lo em breve. Quem é de rezar, reze uma Avé-Maria por estes e outros pais com filhos que atravessam sofrimentos parecidos. Quem não é de rezar não se preocupe nada com este meu pedido e acredite que só o facto de sentir que posso partilhar aqui estes sentimentos é uma grande ajuda numa altura como esta. Obrigada.
P.S.: (escrito já esta manhã) Esta noite era fundamental para a evolução do Vasquinho e ele atravessou-a e conseguiu vencê-la. Que maravilha! Mais uma etapa cumprida...
Emprestaram-me este livro e quero ver se tenho um bocado de tempo para o ler, mas tenho tanta coisa urgente para ler e fazer primeiro, que vou deixá-lo pousado na bancada da cozinha, ao lado do frasco de sementes tostadas (um vício meu), para me deixar tentar mais depressa. O prefácio é lindo e foi escrito pelo Dalai Lama.
P.S.: Deixo aqui o link de um vídeo eloquente do poder da bondade, da dedicação, do amor de uma avó para com o seu neto que é paralítico cerebral. Muito obrigada PAS! http://www.youtube.com/watch?v=aywHk73mZOo
Espanto. Surpresa agradável. Emoção pura.
Desconfiança. Aborrecimento. Uma certa zanga. Emoção mista.
Medo. Emoção pura.
Desdém. Condescendência. Afectação. Distância. Emoção mista.
Maldade. Perversidade. Emoção pura.
Ternura. Emoção pura.
Lamento. Amargura. Vitimização. Auto-comiseração. Emoção mista.
Hipocrisia. Emoção pura.
Autoritário. Moralista. Mandão. Julgador. Castigador. Emoção mista.
Contentamento. Emoção pura.
Eis aqui a expressão de algumas das nossas emoções. João Teixeira da Motta aprendeu a arte BUTOH no Japão e em Berlim com Kazuo Ohno, mestre nesta arte de vanguarda que combina o teatro com a dança e a performance. Reencontrei o João depois de anos a fio sem nos vermos. Diplomata de carreira durante 17 anos, trabalhou nas Nações Unidas, foi Cônsul Geral na Holanda e viveu em Paris, onde representou Portugal junto da UNESCO. Em 89 desistiu da carreira e apostou noutros talentos: escreveu um livro, tornou-se artista plástico e performativo. Continuou a viajar e vive há anos na Florida, EUA. A BUTOH é uma arte ainda desconhecida no Ocidente, meio esquisita, que não é dança nem teatro, e nasceu no Japão no pós-guerra, quando muitas pessoas sofriam na pele os efeitos da explosão da bomba atómica. Expressar as emoções ajuda a lidar com elas. Se tivessemos espelhos sempre que nos zangamos, muita coisa mudaria em nós. Se nos pudéssemos observar em real time perceberíamos como a nossa expressão muda radicalmente, e ficaríamos a saber como nos podemos tornar velhos, desagradáveis e feios com as emoções negativas. Se tivéssemos sempre connosco esse espelho das emoções, passaríamos a sorrir mais, a ser mais ternos, menos moralistas, menos autoritários e a andar mais satisfeitos. Ou não?
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
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. Alegria!