Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
E a substância dos meus dias em Bruxelas...

 

Os meus dias aqui dividem-se em duas metades quase rigorosamente iguais: numa metade estou a gravar e na outra a desgravar. Ou melhor, numa estou a gravar a imagem e o som das minhas conversas com o pe Alberto de Brito, e na outra estou a transcrever linha por linha, palavra por palavra tudo o que gravei. É um trabalho fabuloso que me permite ouvir e compreender em profundidade tudo o que me vai dizendo. Não trouxe tripé, para não andar a carregar muitas coisas comigo no Metro, ou pelas ruas (andamos quilómetros a pé quando viajamos por outras cidades!), e por isso improvisámos um tripé com dicionários. Funciona bem e a imagem está sempre estável. O pe Alberto só fala sobre temas interessantes e isso prende a atenção do primeiro ao último minuto das gravações. Fazemos poucas pausas porque ele atende poucas chamadas, mas hoje aproveitei um dos seus telefonemas da tarde para fotografar o meu canto no seu escritório. Eis o sofá onde me sento e a pilha de livros onde pouso a máquina fotográfica com que também filmo. Adorava falar da matéria dos livros mas o segredo é a alma do negócio, em todos os negócios. Livros e publicações incluídos... Assim sendo, aqui fica este post que espero que funcione como teaser para um livro que, se tudo correr bem, há-de estar pronto e à venda no início de 2011. Para já aquilo que posso dizer é que não posso estar mais contente nesta fase e nesta cidade.

 

publicado por Laurinda Alves às 22:30
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
A montra da esquina

 

Passo todos os dias pelo menos duas vezes por esta montra na esquina de cima da Rue de la Régence (Petit Sablon) e não resisti a fotografá-la. A loja é bonita e bem decorada, mas aquilo que vende é indefinível. Vai das borboletas azuis aos pássaros grandes e pequenos, com e sem plumas. Também tem móveis e antiguidades e não chego a perceber o ramo do negócio. Tanto pode ser decoração de interiores tout court, como pode ser uma loja elegante de animais embalsamados ou coisa parecida. Tem algum mistério e por isso lhe acho ainda mais graça. Talvez não chegue ao fim da semana sem lá entrar... As borboletas, a mim, dão-me saudades de ler Nabokov.

publicado por Laurinda Alves às 23:27
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Estou em Bruxelas por causa deste homem

 

Alberto de Brito, padre jesuíta, é um grande comunicador, um grande pensador e um grande humanista. Especialista em Relações Humanas, deu centenas e centenas de cursos ao logo da sua vida a pessoas de profissões e nacionalidades muito distintas. Vim a Bruxelas gravar uma sucessão de conversas sobre estas matérias para, depois, as publicarmos em forma de livro. Depois de terminada a minha série de programas sobre os Portugueses Sem Fronteiras (quando será que começa a ser emitida? Estou em picos para saber...), não imagino projecto mais entusiasmante do que este livro escrito a quatro mãos. Ao privilégio de poder conversar com o pe Alberto (e quem o conhece sabe do que falo) junta-se um outro privilégio que é o de ter tempo para estas e outras conversas. Muito bom. Se pensarmos que este homem percorreu mais de 50 países nos últimos 5 anos, percebemos a substância e o alcance de muitas das conversas que vamos tendo por aqui...

publicado por Laurinda Alves às 18:58
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Três à mesa. Ou melhor, quatro!

 

Ontem éramos seis à mesa e hoje fomos só três. Ou melhor, quatro, a contar com o bebé que está para nascer... Não imagino melhor lugar para acabar os dias de trabalho aqui em Bruxelas do que à mesa em casa de amigos do coração. Hoje o petit-comité deu para conversas mais intimistas e profundas. Que bem que sabe rever os amigos e poder ficar em casa deles uma semana inteira!

publicado por Laurinda Alves às 23:04
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Bruxelas mais uma vez com sol e céu de Lisboa

 

É a segunda vez seguida que me acontece passar uma semana em Bruxelas com céu azul, limpo, e 'sol de Lisboa'. Na semana em que gravámos as entrevistas para a série Portugueses Sem Fronteiras nunca choveu e agora, que voltei a esta cidade quase sempre cinzenta e com chuva, faz sol e está uma temperatura muito agradável de Outono. Fico por aqui até dia 17. Vim gravar entrevistas, mas desta vez para publicar em livro. Mal possa, conto melhor o que estou aqui a fazer. Agora tenho que ir. Deixo aqui 2 fotos de ontem, à chegada à estação central, pouco tempo depois de ter acabado a famosa maratona de Bruxelas. As pessoas na rua estavam quase todas vestidas de atletas, já com os seus 'cobertores' térmicos prateados pelos ombros, para não arrefecerem depois do esforço.

 

publicado por Laurinda Alves às 09:36
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Sábado, 9 de Outubro de 2010
Nem só de pão vive o homem

 

Maria Aparício, espanhola, enfermeira especializada em Cuidados Paliativos, em fase de doutoramento nesta matéria, é uma das pessoas mais alegres e contagiantes que conheci na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, no meu tempo de voluntariado de cabeceira. Aprendi muito com toda a equipa liderada por Isabel Galriça Neto, e esta sexta-feira tive o imenso prazer de rever grande parte desta sua/minha equipa no lançamento de um novo livro sobre Cuidados Paliativos.

 

 

Zita Seabra (Aletheia) editou o livro e Ricardo Costa (SIC/Expresso) apresentou a obra perante uma plateia a transbordar de profissionais de saúde, especialistas em Cuidados Paliativos, políticos e famílias de doentes acompanhados em unidades de CP. Bagão Félix, Paulo Portas e Assunção Cristas, do CDS/PP, têm defendido esta causa na Assembleia da República e não podiam deixar de estar presentes, claro. Acho bem que se atravessem pelos Cuidados Paliativos e só descansem quando eles forem gratuitos e estiverem disponíveis para todos os portugueses.

 

 

Graças à força inquebrantável de Isabel Garlriça Neto e de todos os profissionais especializados em CP, os Cuidados Paliativos começam a ser uma realidade expressiva em Portugal. Mas ainda há muito, muito por fazer e, por isso, todos não seremos demais para reivindicar mais e melhores unidades de Cuidados Paliativos. O livro é uma colecção impressionante de testemunhos de profissionais, doentes e suas famílias. Embora eu não seja nada imparcial nesta matéria e também tenha um texto meu neste livro, aconselho-o vivamente, pois é uma obra transformadora.

 

P.S.: A primeira foto, onde a Maria aponta para a inscrição grafittada, foi tirada numa das paredes da livraria Aletheia. Aproveitei a metáfora para reforçar a ideia de que os Cuidados Paliativos são uma necessidade básica.

publicado por Laurinda Alves às 23:39
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Muitos políticos suecos passam a sua roupa a ferro

 

Vale a pena ver as duas reportagens de vídeo cujo link a Raquel Martins acaba de deixar num comentário aqui no blog. Trata-se de um trabalho feito por repórteres brasileiros na Suécia, que mostram o nível de transparência do Parlamento sueco (qualquer cidadão tem acesso ao extracto bancário dos políticos que elegeram e os representam, por exemplo) e revelam como vivem os deputados e até o Primeiro-Ministro sueco. Sem mordomias, em pequenos apartamentos funcionais onde alguns nem sequer têm cozinhas individuais. O sistema sueco dá que pensar, especialmente nos dias que correm e perante as nebulosas que existem em volta dos rendimentos de certos políticos...

Aqui fica o link: http://www.sabado.pt/Multimedia/Videos/Mundo/Suecia--Deputados-vivem-em-T0-e-nao-tem-empreg-(1).aspx

publicado por Laurinda Alves às 16:20
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A vibração dos artistas de rua

 

Há muito tempo que não publicava nenhum vídeo feito por mim neste blog e hoje tentei fazer o upload de uma pequena gravação que fiz em NY, numa esquina da 7ª Avenida, onde este homem toca bateria usando apenas baldes vazios, latas e panelas. A sua música ouve-se em vários quarteirões e confesso que sempre que ouvia tocar parava para ver. Gostei da sua energia, da sua vibração e da sua capacidade de fazer música a partir de baldes de lixo, panelas e tampas. Percebi que ele tem um site e já vi outros vídeos dele. Aqui fica o link: http://tonypotsandpans.com/default.aspx
P.S.: Não sei o que aconteceu, mas o vídeo ficou de cabeça para o lado. Vou pedir ajuda à Jonas do Sapo!
publicado por Laurinda Alves às 13:02
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
O Outono do nosso (des)contentamento

 

Bonito mas difícil, este Outono... Só ouvimos más notícias sobre a necessidade de medidas duras, o aumento do desemprego e o espectro de uma recessão em 2011. Nada fácil, mesmo. Todos sentimos na pele os efeitos da crise mundial e dos desperdícios decorrentes da má gestão de alguns políticos e governos. Falo por mim, que não sou excepção e tal como a esmagadora maioria das pessoas, também trabalho o triplo para ganhar metade. Não me queixo, apenas enuncio factos com a consciência de que apesar de tudo posso trabalhar. Mas já estive desempregada longos meses e sei como essa realidade pode ser dolorosa. Os tempos que correm são adversos e é nestas alturas que olho à minha volta e tento focar naquilo que é positivo, na beleza das pessoas, das coisas e dos lugares.

 

 

Podemos olhar de muitas maneiras para as mesmas coisas. Para uns o Outono e as folhas caídas são realidades tristes ou demasiado nostálgicas; para outros representam um tempo de recolhimento e introspecção, mas para outros é a altura dos grandes recomeços. Aprendo a recomeçar todos os dias com amigos como o Salvador e o Bento, que me ensinam a dar valor ao que temos e a não pensar demais naquilo que não podemos ter. Ou que deixámos de ter. Ambos sofreram acidentes graves que os deixaram em cadeiras de rodas, dependentes de quase todos para quase tudo, mas nem um nem outro (nem uma imensa legião de pessoas como eles!) desistiram de acreditar em si mesmos de de fazer o bem. Um e outro transformam o olhar de quem os conhece e acompanha, e agora que o novo livro do Salvador Mendes de Almeida está quase pronto e conta a história das 12 pessoas que entrevistou ao longo dos seus programas, dou-me conta do tempo e da energia que tantas vezes desperdiçamos a pensar em questões menores e em dramas que afinal são relativos...

publicado por Laurinda Alves às 08:15
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
O bosque das esculturas de Eduardo Chillida

 

Voltei à Fundação Chillida-Leku, um dos museus mais bonitos que conheço. Chillida, o escultor basco que morreu há poucos anos, recuperou uma casa provençal no meio de um bosque perto de San Sebastian (a casa vê-se ao fundo nesta primeira fotografia) e criou ali a sua própria Fundação. Em volta da casa, nos extensos relvados e no meio das árvores, há dezenas de esculturas de ferro e de pedra de Chilllida. Sou fã da sua arte (das esculturas e desenhos, mas também dos seus escritos e todo o seu legado filosófico) e não me canso de admirar as suas obras. Deixo aqui uma sucessão de imagens mais ou menos avulsas para apreciarem o bosque e as esculturas de Chillida. Este fim-de-semana foi, para mim, um luxo artístico-intelectual. E não só.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 23:37
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