A Terezinha e a Luizinha, minhas sobrinhas, vieram fazer uma última visita a esta casa. Chegaram vestidas de Inverno e cheias de livros e coisas para ler. A Teresa é uma leitora compulsiva e nada a distrai; a Luísa está a aprender a ler, mas ainda faz algum esforço para juntar certas letras e formar certas palavras. É o máximo assistir à sua evolução e ouvi-la ler frases avulsas. Está na fase de ler as marcas dos pacotes de leite e todos os letreiros que encontra.
A Teresa aproveitou quase todo o tempo para ler enquanto a Luísa brincou às mudanças, a empacotar e desempacotar. É giro o mundo interior de cada uma e aquilo que prende a atenção de uma e outra. Também fizemos fotografias juntas, e como elas as duas andaram pela casa a recordar onde estava isto e aquilo, fiz uma fotografia no lugar onde estava o piano e onde elas tocavam a 4 e a 6 mãos com o Martim.
A Luísa adora tirar fotografias e fez uma reportagem muito cómica que hei-de publicar quando tiver mais tempo. O olhar dela é muito divertido. Para já ficam as fotografias que me fizeram e que conseguimos tirar a nós as 3 (mais ou menos tremidas). Bom fim de semana! A partir de amanhã moro noutra casa, noutra rua, e estou radiante com a mudança, sobretudo porque a tremenda carga de trabalhos que todas as mudanças envolvem está mesmo a acabar. Gosto de mudar e de recomeçar!
Aqui fica uma pequena colecção de imagens feitas pela minha sobrinha Luísa. Arte de vanguarda, portanto.
Adoro observar as mãos e os gestos dos outros, e fascinam-me particularmente as mãos dos artistas e escritores. Ontem encontrei por acaso o arquitecto Eduardo Souto Moura perto de minha casa. Estava sentado a fumar o seu cigarro de fim de tarde, antes de ir para a cerimónia de homenagem que um grupo alargado de arquitectos e personalidades mais ou menos públicas decidiu prestar a Nuno Teotónio Pereira. Sentei-me com ele à conversa um quarto de hora, tempo mais que suficiente para o ouvir dar as suas gargalhadas e contar algumas pequenas histórias.
Perguntei-lhe se podia fotografar as suas mãos e ele disse que sim, sem nenhuma hesitação e confessou-me que também tem fascínio pelas mãos dos outros. Achei graça ao facto de ele desenhar a sua própria agenda mensal num caderninho preto igual aos que Le Corbusier usava no bolso do casaco. Souto Moura usa-o no bolso de trás das calças, coisa que lha dá um ar boyish.
Contou-me coisas sobre a sua mãe, que tem noventa anos, e a avaliar pelas histórias do filho conserva uma lucidez e um sentido de humor invulgares. Despedi-me e desci para o Chiado a correr porque eu própria tinha onde estar às 7h da tarde. Mais à frente encontrei grande parte da minha antiga família, todas as cunhadas e cunhado (estes são os laços que nunca se desfazem), com a surpresa feliz de terem acabado de receber o primeiro exemplar do maravilhoso volume da Obra Poética de Sophia que está prestes a ser lançado. Uma beleza! Adoro estes encontros felizes e estas surpresas inesperadas e comoventes.
O Outono em todo o seu esplendor nos jardins da Gulbenkian, onde tive uma reunião muito estimulante, e a luz e o silêncio de uma casa onde já só existem as paredes, o chão e pouco mais.
Esta noite adormeço contente por ser a véspera do lançamento do FUNDO BEM COMUM, um fundo a ser gerido por uma sociedade de capital de risco e que visa promover e apoiar projectos empresariais de desempregados ou pré reformados com mais de 40 anos. "Trata-se de um projecto promovido pela ACEGE, estruturado pela Mckinsey e que se tornou possível graças ao apoio do Banco Espirito Santo, do Grupo José de Mello, da Caixa Geral de Depósitos, do Grupo Santander e do Montepio Geral".
António Pinto Leite, da ACEGE, (d)escreve melhor que eu o espírito deste FUNDO BEM COMUM, que acho uma iniciativa notável e vai permitir a muitas pessoas começar a ver luz ao fundo deste túnel longo e sombrio da crise financeira nacional e mundial.
"Não aceitamos que o desencanto e a solidão se apoderem de quantos estão a ser atingidos pela crise. Recusamos que tanta gente com tanto para dar ao nosso país seja desaproveitada e esquecida. Desafiamos quantos caíram no desemprego a reagir. Pretendemos que, com o nosso apoio, recusem pôr um ponto final na sua vida profissional e empresarial.
O sucesso deste projecto passa pelo amor ao próximo que o inspira, pela solidariedade empresarial que o torna possível, pelo profissionalismo da equipa que o vai gerir e pelo envolvimento de cada um de nós, motivando a adesão daqueles que estão em maiores dificuldades e disponibilizando-se para colaborar no acompanhamento dos novos projectos de investimento."
Vou passar a manhã na sede da CGD a ouvir o painel de oradores que se junta para lançar e divulgar este FUNDO BEM COMUM. Filipe Santos, que foi meu professor em Fontainebleau é o coordenador do departamento de Empreendedorismo Social do INSEAD que é, como se sabe, uma school business e uma das melhores universidades do mundo. Vai ser uma manhã em cheio e sabe-me bem fazer uma pausa nesta saga das mudanças.
Gostei de ver Cavaco Silva assumir a sua (re)candidatura, de saber que a campanha vai custar metade do que está previsto na lei, e que não vai usar outdoors. Parece-me uma boa estratégia. Também gostei dos mandatários e do que eles representam.
Leio um poema de Domingos Galamba de que gosto muito e hoje faz um eco particular:
Passa Setembro
com os seus dias,
passa a voz
e o silêncio,
passam as coisas por acontecer
...
in Terna Ausência, Ed. Porta do Cavalo
Dia de nuvens claras e escuras, de notícias duras e difíceis, mas também de alguma descompressão relativa à operação do filho pequeno dos meus grandes amigos. Aos que acompanharam e rezaram por esta intervenção, quero agradecer e dizer que embora a situação permaneça muito delicada nas próximas 48h, para já correu tudo o melhor possível. Obrigada pelo apoio e comunhão num dia em que metade dos telefonemas que recebi foram com notícias mesmo, mesmo difíceis de encaixar. Há dias assim e há tempos muito adversos. Nestes dias em que temos mais consciência do imenso sofrimento que atravessam tantos à nossa volta, ficamos fatalmente mais tristes mas também mais conscientes de que temos muito, muito a agradecer e muito, muito que relativizar. Não posso nem quero devassar nenhuma das 4 famílias que hoje atravessam a perda do pai, a doença terminal da mãe, a eminência de outra operação delicada a um bebé e esta operação desta criança hoje, mas acreditem que este dia parece que nunca mais acaba. Felizmente vamos estar todos juntos à noite numa celebração por estas e outras vidas.
Tirei esta fotografia em Bruxelas, no escritório do pe Alberto de Brito. Deixo-a aqui porque no meu círculo íntimo (mas alargado) de amigos hoje todos rezamos para que uma operação extraordinariamente delicada corra bem e sem sequelas. Quem for de rezar, reze por esta nossa intenção. Obrigada de todo o coração!
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
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. Alegria!