Há cerca de 20 anos que vou com frequência a prisões e recentemente fiz-me voluntária da REKLUSA, associação que trabalha com população reclusa e sobre a qual falarei em breve. Para já deixo aqui umas linhas ilustradas pela capa de uma publicação extraordinária que me foi oferecida esta semana pelo Director Geral dos Serviços Prisionais, com quem tive uma reunião para falarmos sobre projectos da sociedade civil nas cadeias do país. Rui Sá Gomes contou-me que são cada vez mais as empresas, instituições e organizações de cidadãos que desenvolvem actividades nas prisões e ajudam os reclusos a atravessar o seu tempo de reclusão, bem como a preparar o futuro em liberdade, sempre que isso é possível. Hoje em dia cerca de 70% dos reclusos trabalham e esta circunstância faz toda a diferença na realidade prisional. Esta publicação, que tem a assinatura gráfica do Henrique Cayatte (tudo o que ele faz em matéria de publicações é muito bonito e muito bem feito), mostra como a sociedade civil está envolvida com a sociedade prisional e revela vários projectos educativos, culturais, económicos, solidários e artísticos que vão da música e festivais interprisões (alguns apoiados pela Casa da Música, no Porto, mas não só) aos ateliers de mobiliário e design, passando pela confecção de pastéis de nata (do Linhó) e pela criação de postos de trabalho e integração empresarial. Através de publicações como esta ficamos a perceber com mais nitidez os contornos de novas realidades no universo prisional. Mesmo que ainda seja uma cultura emergente e, porventura, em contra-corrente, é bom saber que os exemplos de solidariedade e oportunidades de inclusão se multiplicam.
Montra em pleno Chiado: nove chávenas arrumadas em três pilhas, com três mensagens incisivas. Mais nada. As pessoas param, olham e fotografam. Não fui excepção. Acho graça a detalhes e gosto de coisas simples. A montra é das mais nobres no Largo do Chiado e também por isso o contraste é mais interpelador.
Adoro este dolce fare niente de Setembro...
Fecho os olhos e penso nos anos que passaram a voar desde o fatídico 11 de Setembro. E penso nos que sofrem especialmente com esta data, com a memória dos acontecimentos e a perda daqueles que lhes eram mais queridos.
Temos sorte em viver num país onde os terroristas e malfeitores não fazem estragos àquela escala. Temos sorte em ter este sol e esta luz de Setembro. Vivemos num país com os seus anacronismos e as suas (nossas!) dificuldades, mas não podemos deixar de agradecer certos luxos como o clima, a paisagem e a maneira de ser de muitos portugueses. Falo da abertura de espírito, da capacidade de acolhimento e da flexibilidade com que a esmagadora maioria se adapta às circunstâncias da vida sem perder a esperança em dias melhores. Também temos coisas difíceis mas não vale a pena sublinhar as evidências já por demais sublinhadas nos telejornais de cada dia.
Obrigada pelos parabéns pelo dia de ontem. Adorei todos e cada um dos comentários!
Os late teens são assim: pede-se para fazer uma fotografia e eles não deixam. Aqui fica um auto-retrato no dia dos seus 19 anos. Podia ser pior...
"As pessoas são más", declarou Carlos Cruz esta noite em mais uma das mil e uma entrevistas (e oportunidades) que lhe têm sido oferecidas de bandeja em quase todos os meios de comunicação, desde que o Processo Casa Pia começou. Confesso que sou das que têm uma enorme dificuldade em acreditar na sua inocência, bem como na 'culpa' do colectivo de juízes que o julgaram e condenaram.
Acho que a Judite de Sousa conduziu bastante bem esta entrevista e fez as perguntas que era preciso fazer. Algumas ficaram sem resposta, mas cabe a outros analisar e voltar a julgar quem já foi julgado e condenado. Assim como tenho dificuldades em acreditar na inocência de Carlos Cruz depois da sua condenação em tribunal, também tenho dificuldades em aceitar muitos dos seus argumentos e tentativas de desviar as atenções de questões tão essenciais como a existência de abusadores e abusados.
Muitas vezes o tom de Carlos Cruz ofende ainda mais os ofendidos e, nesta lógica, incomoda-me o excessivo tempo de antena que lhe tem sido dado desde que foi condenado. Não sei se é culpado ou se está inocente e até agora não ouvi nada da sua boca que ajudasse à compreensão de todo este processo. Só o ouço repetir que é uma vítima, dizendo que está inocente e lamentando a sua sorte, sem nunca o ouvir lamentar o sofrimento das vítimas objectivamente identificadas no Processo Casa Pia. Espero sinceramente que se faça justiça. Se houver pessoas injustamente condendas, que a verdade possa vir ao de cima, mas se os condenados foram justamente julgados, então que cumpram as suas penas.
Amanhã o meu filho faz 19 anos. Nestes dias de vésperas a sua infância e as memórias dos primeiros anos de vida ficam muito mais presentes. O tempo voa.
Diogo Guerra Pinto (na foto à esquerda) e Ângela Dias inauguraram ontem uma exposição de desenhos na Galeria João Esteves de Oliveira, no Chiado, mesmo em frente ao Grémio Literário. Gosto muito dos desenhos a carvão do Diogo Guerra Pinto, mas não conhecia a obra de Ângela Dias e gostei muito do que vi.
Esta galeria tem entre outras particularidades o facto de só expor desenhos e de os distribuir por vários espaços muito criativos e 'muito à frente'.
De todos os desenhos a carvão que o Diogo Guerra Pinto expôs, gostei especialmente de um em tamanho gigante que se vê na foto de baixo. Tenho pena de não ser grande fotógrafa nem ter uma boa máquina para reproduzir de forma mais luminosa e precisa o quadro em questão. Aqui fica uma 'impressão' vaga e distante do que ele é na realidade. Foi um dos quadros que se venderam logo na inauguração. Vale a pena ir à galeria ver esta exposição.
Faltou-me falar de livros radicalmente importantes na minha formação humana, cívica e política e como não vou fazer mais uma lista incompleta, deixo aqui apenas 3 livros marcantes em matéria de política e direitos humanos:
Arquipélago de Gulag, Alexander Soljenítsin
Longo Caminho para a Liberdade, Nelson Mandela
A Audácia da Esperança, Barack Obama
Há meia dúzia de livros que leio e releio constantemente (especialmente os de poesia e os mais epopeicos) e nessa meia dúzia incluem-se as Memórias de Adriano, de Yourcenar; o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa; a Obra Poética de Sophia; Loin de Byzance, de Joseph Brodsky; Fragmentos São Sementes, de Novalis; Nabokov sempre, mais uma ou outra biografia de escritores e artistas ou pensadores que me apaixonam ou fascinam. E pronto, quanto a livros por agora é isto. Como vejo pouca televisão, acabo por ter sempre duas ou três horas de leitura por dia. Ou, melhor, por noite.
P.S.: Adorei as listas, as sugestões, as partilhas e tudo o que acrescentaram nestes dias em matéria de escritores e escritos. Muito bom, muito obrigada.
Volto ao tema dos livros por duas razões: a primeira, para agradecer o contributo dos visitantes do blog que já construíram aqui uma bela pilha de livros; a segunda porque prometi que eu própria faria uma pequena lista de alguns dos livros que marcaram a minha vida. Deixo-a aqui, com um sublinhado: não se trata de uma lista exaustiva nem intelectualmente correcta, mas apenas de uma colecção de boas memórias associadas a bons livros. Isto, ressalvando também o facto de ser a lista de que me lembro agora. Noutra altura ou com mais tempo podia lembrar-me de outros tão bons ou melhores que estes.
Começo pelo Murakami, a minha última paixão. Gosto de todos e só me falta ler uma obra deste autor. Vivo a 'poupar' os seus livros, para os fazer durar. Ou seja, só o leio quando sei que tenho umas boas horas de leitura pela frente. Não é o tipo de escrita que se possa ler a correr ou de forma muito avulsa.
Do passado mais remoto, para o presente mais actual:
. O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos
. A Trinta Diabos e a Casa da Árvore Oca, Enid Blyton
. Papillon, Henri Charrière
. O Velho e o Mar, Ernest Hemingway
. As Vinhas da Ira, John Steinbeck
. O Fio da Navalha, Somerset Maugham
. Aventuras de Arthur Gordon Pym, Edgar Alan Poe
. Contos Exemplares, Sophia de Mello Breyner (todos os seus livros de contos, poesia e prosa!)
. E Tudo o Vento Levou, Margaret Mitchell
. Contos, Anton Tchekhov
. Os Cus de Judas, Memória de Elefante, A Explicação dos Pássaros, António Lobo Antunes (e todos os seus livros de crónicas!)
. Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar (e o livro de Cartas de MY)
. O Amante, Marguerite Duras (e todos os seus livros)
. A Alma dos Ricos (trilogia), Agustina Bessa Luís
. O Quarteto de Alexandria, Lawrence Durrell
. O Dom, Vladimir Nabokov (e todos os seus livros, mais a colectânea de contos e de entrevistas que deu ao longo da vida - Opiniões Fortes)
. A Mulher Certa, Sándor Marái,
. O Profeta, Khalil Gibran
. O Principezinho, Saint-Éxupèry
. Cão Como Nós, Manuel Alegre
. Fazes-me Falta, Inês Pedrosa
. Para Sempre, Vergílio Ferreira
. A Queda Dum Anjo, Camilo Castelo Branco (e muitos dos seus incontáveis livros da sua interminável obra, pois sou uma camiliana ferrenha)
. Contos da Montanha, Miguel Torga (e partes dos seus Diários)
. Paraíso Perdido, John Milton
. Loin de Byzance, Joseph Brodsky
. Rua do Paraíso, Zilda Cardoso
. Hablando con Chillida, Martin de Ugalde
. Entrevista a António Lobo Antunes, Maria Luísa Branco
. Mala de Senhora e Outras Histórias, Clara Ferreira Alves
. Ulisses, James Joyce
. Cartas e Diário de Etty Hillesum
. Portugal e os Portugueses, D.Manuel Clemente (e outros deste autor)
. Fragmentos São Sementes, Novalis
. A Estrada Branca e a Poesia Reunida de Tolentino de Mendonça
. A Evocação de Sophia, Alberto Vaz da Silva
. Ouvir, Christian Bobin
. Aqui e Agora, Henri Nowen
. Não Há Soluções, Há Caminhos, Vasco Pinto de Magalhães
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É impossível fazer uma lista de livros da nossa vida porque cada título e cada autor que enunciamos puxa por outro e mais outro. Deixo a lista em aberto e insisto na impossibilidade de ser exaustiva. Adorava dizer mais umas dezenas e organizá-las por géneros, mas não é tarefa para mim. Sou desordenada nas leituras e leio acima de tudo pelo prazer de ler. Para além de livros, leio jornais e revistas, mais as obrigatórias séries de artigos científicos de áreas sobre as quais trabalho (Boris Cyrulnik é um dos meus autores preferidos na área comportamental, mas não é o único). Por tudo isto, dou comigo a achar que é preferível dizer dois ou três livros marcantes do que cair na tentação de fazer listas. Em todo o caso aqui ficam aqueles de que me lembro agora.
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
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. O BENTO E A CARMO HOJE EM...
. HOJE NO PORTO: SOBREVIVER...
. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...
. Alegria!