Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
As cores do Metro, um laboratório social fascinante

 

A estação de Metro do Marquês de Pombal tem as cores de um laboratório de ensaios e, na minha perspectiva, a coisa tem uma certa graça porque vejo o Metro como um imenso laboratório social. É fascinante olhar para as multidões que desfilam diariamente por aqui. Seja a hora mortas ou em horas de ponta, é impossível ficar indiferente perante os sucessivos quadros da Humanidade.

 

 

Neste momento havia poucas pessoas na plataforma mas mesmo assim posso ficar horas distraída a olhar para os tipos físicos, para as atitudes corporais, para as raças e cores, para as roupas e estilos, para os que sorriem e para os que permanecem de cara fechada, para os que lêm (e os livros que estão a ler) e para os que vão de olhos fechados ou à conversa... enfim para as pessoas que gravitam à volta e entram no meu campo de visão.

 

 

Também gosto dos detalhes dos espaços, das cores e texturas. Acho giro imaginar o trabalho dos que arquitectaram as obras e tentar adivinhar os obstáculos que foram obrigados a contornar. Escavar o subsolo para construir uma rede de comboios rápidos que circulam apinhados de gente, nesta espécie de vida subterrânea, é obra. Estamos habituados e parece fácil, mas deve ter tirado o sono a muitos.

 

 

Gosto destes momentos em que o chão treme e o Metro avança pela linha até parar. Fica tudo mais fluído e de contornos menos distintos mas faz parte. Não há despedidas nos cais do Metro mas confesso que por vezes me fica a apetecer dizer adeus a certas pessoas que viajaram ao meu lado ou partem num comboio diferente do meu.

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010
O que está Herman José a fazer no meio desta gente toda?

 

Herman José está entre a multidão de convidados que hoje participaram nas cerimónias do 14 de Julho, na embaixada de França. Também estive presente neste dia de solenidade e festa para os franceses. Houve discursos sobre a Tomada da Bastilha, a Igualdade e a Fraternidade. O embaixador francês tocou nalguns pontos sensíveis nos dias que correm. Foi uma cerimónia razoavelmente breve mas intensa.

 

 

Os encontros neste tipo de cerimónias multiplicam-se e acabamos por participar em várias conversas sobre temas muito variados, num curto espaço de tempo. Gostei particularmente de uma boa conversa com um bom amigo à sombra das buganvílias. E gostei da companhia da Joana e do Rui, os meus pares na fila da entrada para a Embaixada.

 

 

Ainda sob efeito da aprovação ontem de uma lei polémica que proibe e pune o uso de véu/burkha integral pelas mulheres muçulmanas em França, dei comigo a debater a questão nos jardins da embaixada. Não é uma questão fácil mas hoje, à luz dos discursos sobre a Igualdade e Fraternidade, é impossível não nos questionarmos sobre o valor de uma lei e uma pena que, por um lado, pretende libertar as mulheres oprimidas mas, por outro, não deixa margem de liberdade às muçulmanas emigrantes que usam burkha por opção própria. A questão é delicada e a polémica promete ser acesa e atravessada de extremismos. Dos dois lados, quero dizer.

publicado por Laurinda Alves às 16:37
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Alma: o primeiro disco do Coro Alma de Coimbra

 

Ouvi os Alma de Coimbra pela primeira vez no Teatro São Luiz, no concerto de homenagem ao Bana que eu própria apresentei há mais ou menos um mês. Impressiona ouvir um coro só de homens, com dezenas de vozes muito potentes e muito afinadas. A música dos Alma de Coimbra fica no ouvido, com todas aquelas vozes masculinas, ao mesmo tempo fortes e suaves, que marcam um ritmo único e cantam músicas deste e outros tempos. Deixo aqui os meus parabéns ao maestro Augusto Mesquita pela excelência do seu Coro e pelo primeiro CD editado, que é maravilhoso da primeira à última música, e deixo também um excerto eloquente de um texto escrito por Paulo Varela Gomes, Delegado da Fundação Oriente na Índia, depois de ter ouvido os Alma de Coimbra cantar na capela de Nossa Senhora do Monte em Velha Goa:

 

...quando os Alma de Coimbra entraram, um após outro, vindos da porta da sacristia e formaram um grupo compacto frente ao altar, a moldura de capas pretas fez descer um súbito silêncio sob a abóbada de pedra.(...) quando o coro de vozes pela primeira vez ressoou na igreja, e quando a partir de então, como que em sucessivas ondas, o canto e a música envolveram todos os espectadores numa espécie de abraço ao mesmo tempo nostálgico e alegre, experimentei olhar para trás, para as pessoas sentadas em filas apinhadas (...) e vi em todos o brilho nos olhos. Perto do final do espectáculo, quando os goeses cantaram em uníssono com o Coro, em português, houve na multidão quem estivesse a chorar, e o Coro foi aclamado durante muito, muito tempo, com um entusiasmo que, naquelas partes do mundo, costuma ser mais discreto.

publicado por Laurinda Alves às 12:50
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
Condenado a prisão perpétua sem culpa nenhuma

 

Li este livro numa tarde e confesso que fiquei abismada com a história de Nicolas Bento e a sucessão de injustiças graves que sofreu nos últimos anos. É impressionante a constatação perversa do ditado popular que diz que "um azar nunca vem só". Maria José Morgado, Procuradora-Geral Adjunta, prefaciou o livro escrito pela jornalista Patrícia Lucas e percebemos logo no prefácio a densidade, a profundidade e a complexidade das questões ligadas a uma condenação. Quando se trata de uma pena injusta, por um crime não cometido, tudo se torna ainda mais penoso. Em três anos Nicolas perdeu a namorada e quase perdeu a sua própria vida. Condenado a prisão perpétua por um crime que não cometeu, viveu dois anos e meio no inferno de uma das piores prisões inglesas, onde vivem os piores criminosos de todos. A história de Nicolas Bento (na foto em baixo, ao lado da Patrícia Lucas) merece ser lida e divulgada. Pela verdade, pela justiça, pela família de Nicolas que nunca duvidou da sua inocência e por todos os que sofrem na pele as injustiças de sistemas falíveis. Se puderem, não deixem de ler este livro. Não se trata de uma obra literária mas de um testemunho extraordinário e transformador. É um verdadeiro murro no estômago.

 

publicado por Laurinda Alves às 11:42
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
Os beijos de Casillas e as queixas de Ronaldo

 

Os beijos de Casillas à sua namorada jornalista correm mundo e o de hoje já é líder de audiências e pode ser visto no YouTube neste link: http://info.abril.com.br/noticias/internet/beijo-de-casillas-lidera-youtube-12072010-10.shl Adorei o impulso de Casillas pelo amor e pela devoção que revelou. Muito querido. Muito queridos, ele e ela, aliás. Ainda sob efeito do beijo em directo assisti (assistimos todos) ao inenarrável assédio dos paparazzi a Cristiano Ronaldo na sua casa de férias. Repugna-me esta forma de 'jornalismo' (com aspas, note-se) e estou mil por cento de acordo com o jogador quando diz que basta de notícias sobre o filho porque tudo o que ele tinha a dizer sobre o assunto, está dito. Estes paparazzi parecem moscas de pastelaria à volta da casa onde Ronaldo e a sua família tentam viver este tempo com alguma normalidade. Sou absolutamente contra a devassa da vida privada e por isso não consigo ficar indiferente a estes avanços deste tipo de 'repórteres'. Percebo o tom agastado de Ronaldo, quando diz que é impossível viver com um batalhão de fotógrafos sempre colados à porta e a espreitar entre muros.

 

 

publicado por Laurinda Alves às 21:16
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Voltei a Barcelona

 

Hoje estou em Barcelona mas não no sentido literal, apenas virtual. Voltei a esta cidade através das imagens que gravámos lá e das pessoas que entrevistei. Hoje estou a visionar e a anotar as conversas com o Frederico Amaral, actor, e com o João Miranda de Sousa, advogado, e é um prazer voltar a ouvi-los e revisitar os lugares onde filmámos. Esta praia fica mesmo ao lado do ponto onde se apanha o teleférico. Era muito cedo e ainda estava um certo frio e, por isso, imagino que as cores não tenham nada a ver com as do dia de hoje, com este calor e as temperaturas altas de um país onde hoje ninguém tem cabeça para trabalhar. Tanto quanto sei, a festa dos espanhóis esta noite foi lendária...

publicado por Laurinda Alves às 14:42
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Domingo, 11 de Julho de 2010
Vencedores e vencidos

Depois de tudo o que já se disse e ainda antes de tudo o que se vai dizer e escrever sobre este Mundial e os Campeões do Mundo, deixo aqui o meu 'filme' dos vencedores e vencidos em homenagem a uns e a outros. Estava a torcer por Espanha e fiquei radiante por terem ganho, mas também gosto muito da selecção da Holanda e custou-me ver alguns jogadores a tentar não chorar. Grande jogo e grande final.

 

 

 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 23:04
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Hoje o meu coração é espanhol

 

Mais um dia de luz, sol e calor para aproveitar até ao fim. Primeiro a praia, e depois o jogo. Apetece-me imenso ver a final deste Mundial de Futebol e embora goste tanto da equipa da Holanda como da de Espanha, hoje o meu coração é espanhol!

publicado por Laurinda Alves às 11:57
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Sábado, 10 de Julho de 2010
Os tempos em que fiz reportagens de mota para a TSF

 

Estou em fase de arrumações de fundo em casa, e aproveito as horas de maior calor lá fora para ir abrindo armários e gavetas cá dentro. Hoje dei com esta fotografia, publicada n'O Jornal em Março de 1989, altura em que eu era repórter da TSF e fazia reportagens em directo. Foram tempos fabulosos. Como já trabalhava na RTP, no Telejornal, levantava-me de madrugada para fazer os noticiários da manhã entre as 7h e as 10h. O desafio do Emídio Rangel, o homem que inaugurou a rádio em directo em Portugal (até aí os noticiários eram de hora a hora, ou em cada meia hora, e não havia notícias nos intervalos) era que eu e o José Manuel Mestre fizéssemos as reportagens de rua de mota, de forma a contornar o trânsito e a conseguir estar sempre em cima dos acontecimentos. Eu era a repórter da manhã, o José Manuel Mestre era o repórter da tarde. Deram-nos uma Moto Guzzi, um bocado pesada demais para as voltas que precisávamos de dar, e durante meses partilhámos a mesma mota. Foi a primeira vez que se fizeram reportagens de mota, uma vez que até essa altura as motas eram usadas apenas para falar do trânsito. Adorei esta experiência e como ainda há quem me fale destes tempos, hoje achei graça encontrar o recorte do jornal no arquivo de coisas antigas. Passaram 21 anos, é incrível!

publicado por Laurinda Alves às 21:21
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010
Cavaco Silva e Durão Barroso juntos no Estoril esta manhã

 

Durão Barroso e Cavaco Silva falaram esta manhã sobre as novas realidades empresariais, numa conferência internacional organizada pelo COTEC Global Business Forum 2010. Passei a manhã no Centro de Congressos do Estoril a ouvir falar sobre novas tendências, novas oportunidades e novos riscos. Gostei particularmente da abertura, realismo e optimismo com que todos enunciaram factos e circunstâncias. Durão Barroso terminou a sua intervenção com um sublinhado especial para os empreendedores e para os investigadores. Disse que precisamos de remover todos os obstáculos à livre circulação de cérebros e reforçou a ideia de que precisamos cada vez mais de um espaço único de investigação, inovação e empreendedorismo. Concordo inteiramente.

 

 

O Centro de Congressos do Estoril encheu-se de empresários, gestores e decisores políticos, mas não só. Os oradores internacionais que falaram depois de Cavaco Silva e Durão Barroso eram muito desafiadores e levaram todo o tipo de pessoas a esta conferência. Dominic Barton, líder da McKinsey, fez um discurso muito eloquente e cheio de estatísticas que ajudam a perceber para onde caminhamos: em breve haverá 5 biliões de pessoas com telemóveis e/ou possibilidade de comunicar facilmente entre si e esta realidade abre novas oportunidades. Barton falou em "novas rotas da seda" mundiais e no conceito "repricing the Planet". Foi muito, muito interessante e deixou-nos cheios de ideias para pensar.

 

 

Filipe de Botton, o anfitrião e moderador dos debates, está de parabéns pois esta edição do Forum COTEC foi um êxito sob todos os pontos de vista. Gostei particularmente de ouvir algumas ideias concretas e inovadoras sugeridas pelos oradores. Cito apenas um exemplo, para não me estender muito e também porque haveria tanto para dizer que corria o risco de não acabar. Andrew Morgan, da Diageo, falou do "Learning for Life", um mega projecto em curso a decorrer em vários países da América Latina (e não só), em que se pretendem criar novos estímulos e oportunidades de desenvolvimento. Morgan declarou, a título de exemplo, que se todos os condutores que são apanhados sem álcool no sangue fossem gratificados, muita coisa mudaria no mundo. Parece uma ideia absurda? A mim, não. Faz-me sentido e tal como Andrew Morgan, tenho a certeza de que muita coisa mudaria nas estradas portuguesas e na atitude dos condutores se esta medida fosse tomada. E agora volto à Garage e ao visionamento e edição dos programas. Bom fim de semana!

 

publicado por Laurinda Alves às 14:33
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