Ricardo Pereira, actor, numa entrevista acima de tudo sincera. Ricardo acabou de fazer de namorado-apaixonado de uma rapariga muito gorda, que é rejeitado socialmente pelos pares e amigos por isso mesmo: por se ter apaixonado pela Gorda.
A peça esteve em cena no teatro Villaret e foi um sucesso de bilheteira. Mais do que ter esgotado quase todas as noites, deixou as sucessivas plateias a pensar nos estigmas, nos preconceitos, naqueles que são socialmente excluídos por serem de alguma forma diferentes.
A Gorda obrigou o próprio Ricardo a confrontar-se com os seus próprios preconceitos e é com sinceridade que o actor assume os seus limites.
Ricardo Pereira está de partida para o Brasil onde vai morar e trabalhar no próximo ano. Aos 28 anos tem uma carreira notável e uma projecção admirável num país onde há milhares de bons actores. Vai-lhe fazer bem voltar ao Brasil, onde já fez cinema e agora vai gravar a sua quarta novela, mas também vai fazer falta ao público português.
A minha mãe tem frases que me ajudam incrivelmente a viver. Uma delas é sobre dar tempo ao tempo e aplico-a muitas vezes, até porque a espera a mim deixa-me muitas vezes impaciente. Lembro-me de um verão termos atravessado de carro a serra algarvia com a minha mãe no banco de trás, com uma perna e um braço engessados, num desconforto total.
Ao fim de longas horas de viagem e de sucessivos enganos numa estrada mal sinalizada (como são quase todas as estradas portuguesas) e muito enjoada pelo facto de ir atrás numa posição impossível pela assimetria dos gessos (partiu o braço esquerdo e a perna direita) a minha mãe declarou com aquele sorriso desarmante, que nunca se desfaz, que não fazia mal estarmos a demorar tanto porque era 'Deus e a vida a darem tempo para que as coisas certas acontecessem, na hora certa'. A frase ficou a fazer eco até hoje.
Outra frase que me acompanha tem a ver com as boas e as más acções. A minha mãe diz sempre: as 'más acções ficam com quem as pratica e as boas também!'.
Lembrei-me desta frase hoje por ter dado boleia a duas senhoras perdidas a caminho da RTP, onde eu própria estou agora porque vim participar no debate sobre crianças e jovens em risco no programa Sociedade Civil, e uma delas ter contado (também a rir) que acabara de dar uma gorgeta ao taxista de 5 euros porque se enganou na nota.
O taxista recebeu a nota de dez para pagar 4.90 e como a senhora disse para ficar com o troco, julgando que lhe estava a dar uma nota de cinco, ele fez de conta que não percebeu e guardou uma gorgeta maior do que a corrida. A senhora distraída e bem disposta, apesar de ter acabado de ficar defraudada por um taxista que a deixou na rua errada e lhe levou cinco euros indevidos, apenas comentou: 'já lhe paguei o almoço, espero que tire bom proveito!'
Como diz a minha mãe, as más acções ficam com quem as pratica. As boas também.

À luz do dia mas ainda sobre os cantoneiros que limpam as ruas da cidade
durante a noite, queria acrescentar só mais uma coisa ao meu imenso e
sincero obrigado e esta legião de homens que limpam o que todos sujamos.
Muitas vezes acontece-me chegar a repartições públicas, a guichets onde trabalham
funcionários cujas funções são justamente atender o público, e encontrar pessoas
antipáticas e pouco disponíveis para o serviço para o qual são pagas.
Sublinho este facto para que outro fique ainda mais sublinhado: falo da simpatia
e da cordialidade que estes homens revelam, mesmo trabalhando em horas que
não apetece, com lixos e cheiros nauseabundos que se colam à pele.
Ou seja se há alguém que podia andar mal-disposto com os outros eram estes
funcionários e não os tais a quem nunca ninguém fez mal, nem sujou nada que
eles tivessem que ir a seguir limpar.
Cheguei a casa tarde, noite cerrada, à hora a que os homens das limpezas recolhem o lixo e lavam as ruas da cidade. Cruzo-me com eles muitas vezes, nunca são os mesmos e são todos simpáticos.
Muito educados, gentis e tolerantes, surpreendem-me sempre. Muitas vezes sou obrigada a avançar lentamente atrás deles pela rua acima e tenho tempo para observar as suas rotinas. Detenho-me nos seus gestos e na maneira como lidam com as pessoas que vêm da noite ou passam distraídas nas ruas, sem reparar que eles fazem o trabalho que ninguém quer fazer.
Enquanto vou no conforto do meu carro, a ouvir a minha música ou a falar com quem quero e gosto, eles viajam pendurados em camiões com cheiros nauseabundos e passam horas a fio a mexer no lixo e a recolher coisas inenarráveis deixadas pelas pessoas nos passeios e nos caixotes.
Dia vivido a mil, sem parar, com tudo milimetricamente gerido e as coisas literalmente 'cosidas' umas nas outras. Sem respirar, quase.
Voltei agora mas vou já sair outra vez. É segunda-feira, estou cansada e a precisar de férias mas o meu dia ainda só vai a meio. Ainda falta a outra metade! As reuniões do fim da tarde vão entrar pela noite dentro e, como eu, há milhares nesta cidade. E no país e no mundo!
Não me queixo. Apenas enuncio factos que são comuns a todos nós, os que atravessamos a vida na vertigem diária que se resume em 3 palavras: casa-trabalho-casa.
A boa notícia do dia? Chegar ao blog, constatar que alguém, por alguma razão, decidiu pô-lo hoje em destaque no Sapo e, por isso, ter a feliz surpresa de ter tido até agora quase duas mil visitas. Espectacular! Adoro estes picos de visitas e fico entre o radiante e o nervosa porque olho para o blog e apetece-me logo pôr nas páginas de entrada o que acho melhor.
É como quando recebemos alguém em casa pela primeira vez: queremos que esteja tudo em ordem e o mais bonito possível. Flores frescas nas jarras, a luz certa, a música ideal, etc, etc.
Como estou a mil e hoje nem sequer escrevi nada de especial para o blog, vou fazer o que se faz em casa quando recebemos visitas especiais: vou pôr à vista o que gosto mais do que aqui tenho. Vou re-publicar três entrevistas recentes que adorei fazer a três pessoas que adorei conhecer. Boa?! Obrigada pela visita e voltem sempre!

É bom adormecer e acordar, um dia atrás do outro, com a certeza de que este pesadelo acabou e o sonho de tantos, há tantos anos, se tornou realidade.
Falta libertar os outros 700 reféns!
Isto era um antigo posto de electricidade numa quinta a sul
de Lisboa. Era muito mais do que uma caixa metálica sem
graça, era um verdadeiro obstáculo na paisagem porque
além de estar desactivado e ser feio, ocupava espaço visual.
Nesta quinta, perto de Palmela, fazem-se retiros de silêncio
e existem capelas grandes e pequenas mas não havia uma
ermida. Até ao dia em que as Irmãs Escravas, que lá moram,
decidiram pedir a um arquitecto que transformasse o posto
eléctrico num espaço de oração e silêncio.
O arquitecto pintou a estrutura metálica de cinzento, limpou o
terreno em volta, delimitou um patamar de entrada que cobriu
de pedrinhas brancas e reconstruiu o interior do antigo posto.
Manteve todas as árvores que já havia e o reflexo das mais
próximas vê-se agora no vidro da porta de entrada.
Esta porta tem um som e um ritmo próprios quando se abre
e fecha. Faz uma espécie de vento surdo que não chega a
perturbar quem está lá dentro a rezar.
Um som e um movimento lento que não resisto a mostrar.
Sou 'impressionista', gosto de fragmentos, olhares, gestos
e coisas avulsas que me tocam e é por isso que passo
a vida a gravar 'impressões'. Estive em Palmela com amigos
este fim-de-semana. O silêncio foi demorado e rezado, claro.
Nesta ermida a luz vem de cima e ilumina um espaço branco,
de ângulos rectos e gosto depurado.
A estética também importa quando se trata de fazer silêncio.
Para além do vidro da porta de entrada e da clarabóia no
tecto existe uma pequena janela quadrada, rente ao chão,
por onde se vê como cresceram as guias de vinha virgem
que o arquitecto se lembrou de mandar plantar há um par
de anos, para cobrir o posto eléctrico e transformar um sítio
banal espaço muito especial. Um verdadeiro lugar sagrado.
O nome do arquitecto inspirado? Bernardo Pizarro Miranda.

fotografia de João Francisco Moura, in Flickr
Gosto de chá mesmo nos dias de calor. Lembro-me do chá de menta
do deserto, que tomei nas sombras ardentes dos muros decadentes.
Gosto de chá sempre e também gosto do sabor da água quente.
Mesmo quando não ferveu com ervas perfumadas e sabiamente cortadas.
Gosto do chá fresco dos domingos, tomado na varanda com os amigos.
E gosto de acordar de manhã com a certeza deste chá do fim da tarde...

fotografia de João Francisco Moura in Flickr
Mais um fim-de-semana de sol e tempo para estar com tempo.
Vou-me apagar durante o dia todo e volto amanhã.
Deixo aqui umas frases escritas por Rui Chafes
no seu livro O Silêncio De...
Não te esqueças do que ias dizer-me...
Todos somos exemplos uns para os outros,
não é verdade? Dessa forma construímos o
nosso caminho.
Na noite passada tentei encontrar-te nos
meus sonhos, mas não estavas lá.

. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
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. Alegria!