Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
Hablando con Eduardo Chillida

 

(Crónica escrita para o Público de hoje)
 
Há livros aos quais volto uma e outra vez. Sou daquelas que sublinha, escreve nas margens e vai deixando livros espalhados por todo o lado com lápis dentro. Há quem ache uma afronta riscar um livro e quem julgue uma heresia juntar palavras nossas às palavras dos escritores. Não se trata de falta de respeito e, muito menos, de acrescentar substância aos livros mas justamente de me guiar por segundas e terceiras leituras em dias ou momentos avulsos em que preciso de reler esta frase ou voltar àquele pensamento.
 
Um dos livros que tenho à cabeceira, por assim dizer, é o de entrevistas a Chillida, escultor basco por quem tenho verdadeira devoção. Chillida, Kapoor, Proença, Chafes e mais um conjunto razoavelmente eclético de artistas plásticos, cuja estética admiro, inspiram verdadeiramente os meus dias e enchem a minha vida de sentido. Gosto da obra e gosto da atitude mas também me fascina a sua elaboração existencial e as divagações que fazem sobre a sua criação. E por isso gosto tanto de livros de entrevistas, em especial com escritores ou artistas.
 
"Trabajo en función del conocimiento, quando me preguntan porque soy escultor yo digo que trabajo para conocer. Quando yo estoy trabajando siempre estoy tratando de buscar luz y conocimiento a través de esse lenguaje que es mi obra, una obra que es como una pregunta.” Gosto da ideia de uma imensa obra ser, afinal, uma intensa pergunta.
 
publicado por Laurinda Alves às 21:00
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Startracking, a revelação dos talentos

 

 
(Crónica que escrevi para o Público de hoje)
 
Na próxima quinta-feira, dia 31, Lisboa vai ser palco de um encontro inédito: centenas de talentos portugueses de todas as gerações e áreas vão juntar-se no Campo Pequeno entre as seis da tarde e as nove da noite.
 
O conceito Startracking, criado em Setembro passado pela equipa da Jason Associates, já tem mais de 15 mil portugueses em rede e é um fenómeno sociológico que obriga a repensar questões como a diáspora e a noção de talentos (até por comparação ou eventual oposição à noção de competências, pois nem sempre a nossas competências revelam os nossos verdadeiros talentos).
 
Habituámo-nos a achar que os emigrantes portugueses eram uma casta aparte, e nem sempre das melhores castas. Falar dos tiques de linguagem dos que viveram fora e das casas construídas pelos emigrantes foi durante décadas uma atitude desvalorizante e muitas vezes motivo de troça ou anedota.
 
Todos sabemos que no passado houve histórias de grande sucesso empresarial e outras (em linhas académicas, culturais e científicas mais sofisticadas e mais ‘estilo António Damásio’) mas também todos temos consciência de que a maioria dos emigrantes foi obrigada a sobreviver em condições muito duras e adversas.
 
À excepção dos que já eram e voltaram a ser ricos, dos 'meninos de família' que foram estudar para as melhores universidades do mundo e dos casos de sucesso daqueles que, com ou sem apoio de retaguarda, venceram na vida, os emigrantes portugueses eram vistos como uma imensa legião de desenraizados, sobreviventes e ‘filhos de porteira’.
 
Os tempos mudaram e os emigrantes também. Onde há uma geração atrás ainda se lia ‘competência e sobrevivência’, agora lê-se ‘talento e conquista’. É extraordinária a mudança e é extraordinário como apesar de tudo continuamos a falar quase sempre dos 10 milhões de portugueses que vivem no país, quando ao todo somos quase 15 milhões.Há cinco milhões a viver fora, a estudar, a trabalhar e a dar o seu contributo e, no entanto, raramente falamos de nós como sendo um todo. E os mesmos.
 
O conceito Startracking e a imensa rede de Startrackers que aumenta de mês para mês, veio confirmar aquilo que muitos já sabemos há muito tempo: primeiro os portugueses que vivem fora são tão portugueses como os que vivem dentro; segundo os emigrantes já não são o que eram e a nossa diáspora mudou radicalmente.
 
Hoje em dia há milhares de portugueses a estudar e a trabalhar em sítios-chave, a serem agentes de mudança e transformação do mundo. E é porque toda esta realidade mudou que merece ser revelada, reconhecida e estimulada.
 
Depois de uma sucessão de encontros Startracking em Nova Iorque, São Paulo, Paris, Londres e Madrid, é a vez de juntar os talentos portugueses em Portugal. A data foi criteriosamente escolhida para que muitos dos que vivem fora pudessem estar em Lisboa, aproveitando a sua vinda de férias.
 
Há um programa para este encontro de dia 31 que ainda não pode ser divulgado porque contém surpresas e requer alguma contenção (o mistério sempre foi muito tentador) mas tenho estado muito próxima da organização e posso garantir que o suspense que agora envolve o encontro do Campo Pequeno faz sentido e vai potenciar ainda mais a vibração do momento. Vale a pena ficarmos atentos ao dia 31, portanto.
publicado por Laurinda Alves às 17:00
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Não resisto a não comentar...

Vim ao blog através do computador do Salvador Mendes de Almeida, meu grande amigo (que já entrevistei neste blog a propósito da sua Associação e da inclusão de deficientes) , com quem estou a passar estes dois dias de férias no Algarve e não resisti a ver os comentários aos posts anteriores.

 

Que gira a maneira como os amigos virtuais se fazem presentes neste espaço e que gira esta proximidade diária. Sei que a blogosfera é uma imensa maioria silenciosa e, daí também, esta alegria com que abro o computador à pressa e vejo dez comentários para aprovar. Gostei. E acho graça às expressões mais 'de casa' como as que o Fernando Alves usa sempre. Obrigada pelo plus de ternura.

 

Mais? Queria dizer que o concerto dos Kings ontem foi um espectáculo! Adoro estes dois noruegueses que são uma versão revisitada e divertida da dupla Simon & Garfunkel. Um deles é cómico e performativo e faz a festa sozinho. A guitarra pifou a meio do concerto mas ele passou para o piano. E além do piano improvisado no momento também tocou trombone com a boca mas...sem trombone. Muito bom.

 

Já agora e porque tudo num blog é muito efémero, aproveito a inspiração do Salvador e volto a publicar a entrevista que lhe fiz na rua, em pleno Chiado, há uns meses. Aqui fica o remake de um tema que nunca perde a actualidade. O Salvador está de camisola no vídeo mas agora está aqui de t-shirt e calções, a caminho da praia...

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 15:16
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As cores e as pedras destas praias

 

Hoje e amanhã estou mais ou menos por aqui, numa praia

muito próxima desta, com pedras parecidas, as mesmas

cores e o mesmo cheiro a algas. Sabe bem uma pausa de

dois dias sem coisas para fazer nem urgências incontornáveis

para além de chegar à praia, estender a toalha e ficar a jiboiar.
 

publicado por Laurinda Alves às 08:00
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
O concerto dos Kings hoje, as micro-férias amanhã

Deixo aqui os Kings of Convenience a tocar para os que gostarem e não puderem  ir ao concerto daqui a pouco. Há músicas mais giras que estas mas não as encontrei no Youtube. 

 

 

Depois do concerto vou para o Algarve, para umas micro-férias. Não sei se levo o computador. Se não levar, volto ao blog no domingo. Se levar, estou por aqui amanhã e depois mas com mais pausas... 

 

 

 

Amanhã é o meu dia de crónica no jornal Público e, por isso, as minhas páginas das sextas são mais reais e menos virtuais. Ou seja, as sextas são o meu dia de publicar mais em papel do que online. Mesmo que fique ausente do blog, não estou longe.

 

publicado por Laurinda Alves às 20:13
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Maneiras criativas de celebrar o amor

 

 

Adoro viver com esta certeza da surpresa dos dias, de acordar de manhã sem saber ao certo o que vou descobrir à tarde, quem vou conhecer ou encontrar ao longo do dia. As rotinas enchem-me de nervos e frustrações. Não gosto nada de obrigações mas como é óbvio não lhes posso escapar e tenho que as cumprir. E cumpro, com mais ou menos esforço, mais ou menos tédio.

 

Hoje descobri mais um site emocionante e uma ideia contagiante. Três amigas juntaram-se e criaram uma empresa com um conceito muito original e criativo: celebrar emoções, festejar datas especiais, reforçar laços de amor e união. O site chama-se Festejar emoções e oferece a possibilidade de organizar segundos e terceiros casamentos mas também de improvisar formas únicas de comemorar momentos únicos.

 

As famílias já não são o que eram e as festas de casamento também não. Ainda bem que alguém se lembrou de criar um novo conceito de organização de festas para tornar as celebrações que por alguma razão não são convencionais, em comemorações mais felizes. Não há nada pior do que um casamento 'notarial' ou a celebração funcional e burocrática do amor.

 

Boa ideia esta de festejar emoções. Muitos parabéns às três amigas que por acaso (ou não!) já passaram por separações e divórcios e sabem dar valor à renovação de laços e compromissos. 

 

publicado por Laurinda Alves às 15:59
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Jornalismo por um mundo melhor

 

Ana Teresa Silva, jornalista, criou uma revista única no mundo: a IM Magazine. Uma revista online bilingue, escrita em português e inglês, cujo conceito é divulgar o melhor que se faz no mundo, por um mundo melhor.

 

A IM Magazine existe desde Maio e contraria a lógica jornalística em vigor que dita (de forma quase ditatorial, note-se) que good news are no news. Os media estão permanentemente a debitar informação sobre catástrofes, guerras, desastres, ataques terroristas, doenças, taras, vícios e confrontos mais ou menos violentos e esquecem-se muitas vezes de divulgar também as boas notícias.

 

Percebo a Ana Teresa Silva porque eu própria criei a XIS, que durante quase dez anos foi uma revista igualmente apostada em dar informação positiva no sentido de contribuir para calibrar a realidade. A aposta da XIS ontem e da IM Magazine hoje é divulgar boas práticas e boas notícias, numa lógica de quem acredita que vivemos uma época de grandes crises mas também de grandes oportunidades.

 

    

publicado por Laurinda Alves às 10:19
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Espero que a Zilda Cardoso não me leve a mal insistir na beleza das rugas, vincos e traços que foram ficando desenhados na cara de Marguerite Duras mas eu gosto mesmo dos vestígios do tempo e das marcas da vida na cara das pessoas.

Não sei se é por eu estar claramente na segunda metade da minha vida ou se é por ser filha de uma mãe que aceita a passagem dos anos com a naturalidade e a alegria de quem aprecia muito cada dia, sabendo que a idade é e será sempre um estado de espírito.

 

Talvez este gosto pelo envelecimento seja uma herança genética, não sei. Na minha família as pessoas envelhecem bem e sentem-se confortáveis na sua pele, mesmo quando ela começa a ficar menos lisa. Os meus avós eram lindos e não sei se fui eu que romantizei a sua figura ou se eles eram mesmo tão bonitos como eu sempre os achei, mas na minha memória os cabelos brancos, as rugas de expressão e o seu ar velhinho eram a imagem da bondade e da serenidade.

 

Acho graça à Zilda quando diz que se recusa a dizer a sua idade. Escritora como Marguerite Duras, Zilda cria e recria as suas personagens usando o tempo a favor e a desfavor. Nunca soube exactamente a idade de Ana Augusta ou dos dois irmãos de Cerejas de Celulóide nem isso foi importante para mim porque, insisto, a idade é um estado de espírito. Mas percebo que socialmente a idade biológica possa criar embaraços. Percebo mas tenho pena, note. 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 02:05
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
Frases avulsas de Marguerite Duras

 

Marguerite Duras é uma fonte de inspiração e uma mulher

que admiro muito, por muitas razões. Gosto da sua escrita,

fascina-me o seu mundo interior e a sua vida vivida, leio em

cada um dos seus livros (e li todos) uma arquitectura única,

um feitio e um tamanho desmedidos, uma profundidade que

me leva muito fundo. Olho para as rugas de expressão desta

mulher, para cada vinco que foi ficando desenhado na sua cara

e admiro-a ainda mais. Nunca teve a tentação de esticar a pele,

de apagar os vestígios do tempo, de fingir que não tinha a idade

que tinha. As primeiras linhas de O Amante definem muito bem

esta sua atitude. Há mulheres e homens que se tornam mais

belos com os anos. Marguerite Duras foi uma destas mulheres.

 

Ne pleurer jamais c'est ne pas vivre.  

 

Je n'ai jamais menti dans un livre. Ni même dans ma vie.

Sauf aux hommes.

 

C'est dans une maison qu'on est seul.

 

Les grandes lectures de ma vie, celles de moi seule, c'est celles

écrites par des hommes. Le Texte des textes, c'est l'Ancien Testament.

 

L'écriture c'est l'inconnu. Avant d'écrire on ne sait rien de ce qu'on va écrire.

 

Si on savait quelque chose de ce qu'on va écrire, avant de le faire, avant d'écrire, on n'écrirait jamais.

 

publicado por Laurinda Alves às 16:19
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Alimentar os amigos é muito bom

 

Terça-feira, segundo dia de uma semana banal. Ou talvez não.

Alguém se lembra de improvisar um jantar em casa sem outras

razões para além de juntar os amigos e ficar à mesa a conversar.

E porque um ofereceu a casa, outro ofereceu-se para cozinhar.

 

 

Uma massa simples, com ingredientes e temperos sem

complicações e eis que o jantar fica pronto, al dente em

menos de meia-hora. O tempo suficiente para chegarem

todos, para se abrir o vinho e começar a pôr a escrita em dia.

 

 

Gosto de jantares improvisados, gosto muito de estar

à mesa com amigos e gosto ainda mais desta ideia

de nos alimentarmos uns aos outros. Muito bom.

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 01:40
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