Vim ao blog através do computador do Salvador Mendes de Almeida, meu grande amigo (que já entrevistei neste blog a propósito da sua Associação e da inclusão de deficientes) , com quem estou a passar estes dois dias de férias no Algarve e não resisti a ver os comentários aos posts anteriores.
Que gira a maneira como os amigos virtuais se fazem presentes neste espaço e que gira esta proximidade diária. Sei que a blogosfera é uma imensa maioria silenciosa e, daí também, esta alegria com que abro o computador à pressa e vejo dez comentários para aprovar. Gostei. E acho graça às expressões mais 'de casa' como as que o Fernando Alves usa sempre. Obrigada pelo plus de ternura.
Mais? Queria dizer que o concerto dos Kings ontem foi um espectáculo! Adoro estes dois noruegueses que são uma versão revisitada e divertida da dupla Simon & Garfunkel. Um deles é cómico e performativo e faz a festa sozinho. A guitarra pifou a meio do concerto mas ele passou para o piano. E além do piano improvisado no momento também tocou trombone com a boca mas...sem trombone. Muito bom.
Já agora e porque tudo num blog é muito efémero, aproveito a inspiração do Salvador e volto a publicar a entrevista que lhe fiz na rua, em pleno Chiado, há uns meses. Aqui fica o remake de um tema que nunca perde a actualidade. O Salvador está de camisola no vídeo mas agora está aqui de t-shirt e calções, a caminho da praia...

Hoje e amanhã estou mais ou menos por aqui, numa praia
muito próxima desta, com pedras parecidas, as mesmas
cores e o mesmo cheiro a algas. Sabe bem uma pausa de
dois dias sem coisas para fazer nem urgências incontornáveis
para além de chegar à praia, estender a toalha e ficar a jiboiar.
Deixo aqui os Kings of Convenience a tocar para os que gostarem e não puderem ir ao concerto daqui a pouco. Há músicas mais giras que estas mas não as encontrei no Youtube.
Depois do concerto vou para o Algarve, para umas micro-férias. Não sei se levo o computador. Se não levar, volto ao blog no domingo. Se levar, estou por aqui amanhã e depois mas com mais pausas...
Amanhã é o meu dia de crónica no jornal Público e, por isso, as minhas páginas das sextas são mais reais e menos virtuais. Ou seja, as sextas são o meu dia de publicar mais em papel do que online. Mesmo que fique ausente do blog, não estou longe.
Adoro viver com esta certeza da surpresa dos dias, de acordar de manhã sem saber ao certo o que vou descobrir à tarde, quem vou conhecer ou encontrar ao longo do dia. As rotinas enchem-me de nervos e frustrações. Não gosto nada de obrigações mas como é óbvio não lhes posso escapar e tenho que as cumprir. E cumpro, com mais ou menos esforço, mais ou menos tédio.
Hoje descobri mais um site emocionante e uma ideia contagiante. Três amigas juntaram-se e criaram uma empresa com um conceito muito original e criativo: celebrar emoções, festejar datas especiais, reforçar laços de amor e união. O site chama-se Festejar emoções e oferece a possibilidade de organizar segundos e terceiros casamentos mas também de improvisar formas únicas de comemorar momentos únicos.
As famílias já não são o que eram e as festas de casamento também não. Ainda bem que alguém se lembrou de criar um novo conceito de organização de festas para tornar as celebrações que por alguma razão não são convencionais, em comemorações mais felizes. Não há nada pior do que um casamento 'notarial' ou a celebração funcional e burocrática do amor.
Boa ideia esta de festejar emoções. Muitos parabéns às três amigas que por acaso (ou não!) já passaram por separações e divórcios e sabem dar valor à renovação de laços e compromissos.
Ana Teresa Silva, jornalista, criou uma revista única no mundo: a IM Magazine. Uma revista online bilingue, escrita em português e inglês, cujo conceito é divulgar o melhor que se faz no mundo, por um mundo melhor.
A IM Magazine existe desde Maio e contraria a lógica jornalística em vigor que dita (de forma quase ditatorial, note-se) que good news are no news. Os media estão permanentemente a debitar informação sobre catástrofes, guerras, desastres, ataques terroristas, doenças, taras, vícios e confrontos mais ou menos violentos e esquecem-se muitas vezes de divulgar também as boas notícias.
Percebo a Ana Teresa Silva porque eu própria criei a XIS, que durante quase dez anos foi uma revista igualmente apostada em dar informação positiva no sentido de contribuir para calibrar a realidade. A aposta da XIS ontem e da IM Magazine hoje é divulgar boas práticas e boas notícias, numa lógica de quem acredita que vivemos uma época de grandes crises mas também de grandes oportunidades.
Espero que a Zilda Cardoso não me leve a mal insistir na beleza das rugas, vincos e traços que foram ficando desenhados na cara de Marguerite Duras mas eu gosto mesmo dos vestígios do tempo e das marcas da vida na cara das pessoas.
Não sei se é por eu estar claramente na segunda metade da minha vida ou se é por ser filha de uma mãe que aceita a passagem dos anos com a naturalidade e a alegria de quem aprecia muito cada dia, sabendo que a idade é e será sempre um estado de espírito.
Talvez este gosto pelo envelecimento seja uma herança genética, não sei. Na minha família as pessoas envelhecem bem e sentem-se confortáveis na sua pele, mesmo quando ela começa a ficar menos lisa. Os meus avós eram lindos e não sei se fui eu que romantizei a sua figura ou se eles eram mesmo tão bonitos como eu sempre os achei, mas na minha memória os cabelos brancos, as rugas de expressão e o seu ar velhinho eram a imagem da bondade e da serenidade.
Acho graça à Zilda quando diz que se recusa a dizer a sua idade. Escritora como Marguerite Duras, Zilda cria e recria as suas personagens usando o tempo a favor e a desfavor. Nunca soube exactamente a idade de Ana Augusta ou dos dois irmãos de Cerejas de Celulóide nem isso foi importante para mim porque, insisto, a idade é um estado de espírito. Mas percebo que socialmente a idade biológica possa criar embaraços. Percebo mas tenho pena, note.

Marguerite Duras é uma fonte de inspiração e uma mulher
que admiro muito, por muitas razões. Gosto da sua escrita,
fascina-me o seu mundo interior e a sua vida vivida, leio em
cada um dos seus livros (e li todos) uma arquitectura única,
um feitio e um tamanho desmedidos, uma profundidade que
me leva muito fundo. Olho para as rugas de expressão desta
mulher, para cada vinco que foi ficando desenhado na sua cara
e admiro-a ainda mais. Nunca teve a tentação de esticar a pele,
de apagar os vestígios do tempo, de fingir que não tinha a idade
que tinha. As primeiras linhas de O Amante definem muito bem
esta sua atitude. Há mulheres e homens que se tornam mais
belos com os anos. Marguerite Duras foi uma destas mulheres.
Ne pleurer jamais c'est ne pas vivre.
Je n'ai jamais menti dans un livre. Ni même dans ma vie.
Sauf aux hommes.
C'est dans une maison qu'on est seul.
Les grandes lectures de ma vie, celles de moi seule, c'est celles
écrites par des hommes. Le Texte des textes, c'est l'Ancien Testament.
L'écriture c'est l'inconnu. Avant d'écrire on ne sait rien de ce qu'on va écrire.
Si on savait quelque chose de ce qu'on va écrire, avant de le faire, avant d'écrire, on n'écrirait jamais.
Terça-feira, segundo dia de uma semana banal. Ou talvez não.
Alguém se lembra de improvisar um jantar em casa sem outras
razões para além de juntar os amigos e ficar à mesa a conversar.
E porque um ofereceu a casa, outro ofereceu-se para cozinhar.
Uma massa simples, com ingredientes e temperos sem
complicações e eis que o jantar fica pronto, al dente em
menos de meia-hora. O tempo suficiente para chegarem
todos, para se abrir o vinho e começar a pôr a escrita em dia.
Gosto de jantares improvisados, gosto muito de estar
à mesa com amigos e gosto ainda mais desta ideia
de nos alimentarmos uns aos outros. Muito bom.
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
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