
Sempre que preciso de descomprimir abstraio e pouso o olhar
em coisas, lugares, imagens que me inspiram e me ajudam a
parar. Vou com alguma frequência a sites e blogues onde sei
que há imagens que me descansam, que me surpreendem ou
comovem. Passo a vida a espreitar (contemplar seria a palavra
certa) a galeria onde estão esta e outras imagens de que gosto
particularmente. O título original é sugestivo. Importei-o com a
fotografia. Para mim esta escada é um imenso violoncelo posto
ao alto de uma parede de encontro ao céu. Pode ser? Obrigada.

Ao adormecer e ao acordar, esteja onde estiver, sejam as horas que forem, aconteça o que acontecer, eu hoje estou assim. A mesma gratidão, a mesma paz, a mesma consciência do mistério e, por isso, a mesma entrega com uma alegria interior que ontem e hoje, aqui e agora, encontram um eco especial na poesia de Sophia.
O sabor do sol e da resina
E uma consciência múltipla e divina
Na próxima semana há novos bloguers neste blog.
Estes são apenas alguns deles, mas há mais. Passamos
férias juntos, gosto deles como se fossem meus filhos e
conheço-os muito bem, há muito tempo. Alguns deles são
'da casa' desde os dois anos e, daí também, esta amizade
tão familiar. E é porque adoro a sua imaginação e talentos
que me lembrei de os desafiar a escrever, a fotografar
ou filmar para o blog na semana que passamos juntos na
casa da Falésia. A ideia de ter aqui o seu olhar criativo, as
suas histórias mais ou menos delirantes e os improvisos
de cada dia é muito animadora para mim. Tenho a certeza
que este blog prá semana vai estar muito mais divertido!
Ainda a propósito de blogs e de seniores, não posso deixar de partilhar aqui um gesto que me comoveu e me divertiu ao mesmo tempo, por vir de quem veio. Os meus pais sempre disseram que jamais perderiam tempo a fazer um curso de informática ou navegação na net. Achavam que o uso que faziam do computador não justificava e que o acesso à internet seria sempre pontual e, por isso, não lhes fazia sentido fazer este update para o mundo digital.
Há quatro meses, quando inaugurei este blog, a coisa mudou de figura e de um dia para o outro dei com eles inscritos num workshop de net, blogs e afins. Fizeram esta aprendizagem de forma tão natural e tão rápida que hoje se tenho dúvidas posso perguntar a um ou a outro algumas coisas e, por vezes, até acontece ser o meu pai a actualizar esta ou aquela informação mais particular. Acho graça ao despacho informático dos meus pais e acho inteligente esta atitude de abertura a uma realidade que culturalmente não era a deles. Não era mas passou a ser.

Já adicionei o novo blog de Zilda Cardoso aos meus favoritos. Gostei do estilo mas gosto acima de tudo da escrita, do olhar atento, da figura elegante e da maneira como Zilda atravessa a vida. E as dificuldades. Não resisto a deixar aqui uns parágrafos escritos certamente nas vésperas da inauguração do seu novo blog. Muito bom. Gosto da ideia de ter uma música de fundo (escrevo agora com Rachmaninoff em fundo, Op.64, nº1) e acho graça ao facto de ter o seu estado de alma sempre presente. Bloguer ou não, uma escritora é sempre uma escritora!
Sinto-me verdadeiramente aprendiz de feiticeiro com pouco sucesso.
Em cada dez tentativas para entrar e mexer neste novo blog, há uma que resulta, e eu fico exultante. Mas os meus passos, que me parecem sempre os mesmos, com rigor, não resultam de todas as vezes da mesma maneira. Ou antes raramente resultam e, por isso, eu não penetro no mistério. Que é opaco e tem dado cabo das minhas boas intenções de me tornar bloguista compenetrada. E juro que estou interessada.
Porém, deste modo, nunca mais lá chego.
Há pessoas que não têm idade. Homens e mulheres que atravessam a vida com uma alegria e uma leveza que impressionam. Que nos marcam porque transformam o mundo à sua volta.
Zilda Cardoso, escritora, é uma destas pessoas luminosas que contagiam e, por definição, iluminam. Autora de vários romances, amiga de Agustina Bessa-Luís a quem dedicou um dos seus livros (a própria Agustina apresentou publicamente uma das obras de Zilda) e de uma geração que claramente não nasceu com a internet, Zilda Cardoso é uma mulher que está inteira neste tempo.
Avança sem medos e aventura-se por caminhos que outros temem ou se recusam a conhecer. Há muitos anos que só escreve no computador mas essa é uma atitude banal nos escritores contemporâneos, tenham eles a idade que tiverem. O que faz a diferença na atitude de Zilda é a abertura à realidade tal como ela é, ao mundo moderno, ao universo digital que ainda assusta as gerações mais velhas.
Zilda Cardoso já tinha um blog onde escrevia regularmente mas hoje inaugurou uma versão melhorada. Vale a pena ficar atento à escrita diária desta escritora que nunca deixa de nos surpreender. http://zildacardoso.blogs.sapo.pt/
P.S.: A Zilda Cardoso manteve recentemente um diálogo no meu blog com outros leitores que discutiram as marcas do tempo, as rugas e os vincos da idade.
Terça, dia 29 de Julho. Há meses que esta data está assinalada
com dois círculos na minha agenda. É o dia da audição de piano
do meu filho e, por isso, é um dia importante para a família. Que
bom ser finalmente dia 29 de Julho! Quando o dia acabar, acaba
também o piano em casa de manhã à noite, os livros de música
espalhados pelo chão e as idas à Byblos, à secção de partituras.
Que pena.
Os livros voltam a ficar arrumados mas é só por duas semanas.
Depois das férias as rotinas voltam a ser o que eram. Que bom.
Eu era absolutamente incapaz de trabalhar todos os dias
suspensa por cordas, no alto dos prédios mais altos.
Tenho vertigens e o meu maior pesadelo seria atravessar
uma ponte suspensa por cordas entre o abismo, como as
pontes dos filmes do Indiana Jones e assim. Só de pensar
nisso fico apavorada. Não nasci para esse tipo de aventuras
e por isso olho para estes homens dos Nós e Cordas cheia
de admiração e respeito. É preciso mesmo muita coragem!

O Dom, de Vladimir Nabokov, é um dos seus melhores
livros. Para mim, pelo menos. Gosto do estilo irónico do
escritor, da densidade da sua escrita, dos adjectivos que
usa, da maneira como olha para o mundo e para os que
o habitam. É este olhar meio displicente, meio arrogante
mas sempre atento ao detalhe do detalhe, que me atrai.
Não julgo os outros como ele os julga, nem partilho todas
as suas opiniões fortes e tantas vezes cáusticas, mas
divirto-me com a sua observação da realidade.
Fascina-me a sua predilecção por borboletas e seduzem-
-me os seus tiques de aristocrata das letras. E não só.
O seu monólogo interior também me prende e me ocupa
longas horas na decifração da espécie de puzzle que somos
obrigados a construir enquanto lemos o que ele escreveu.
Gosto muito das suas metáforas, mesmo as mais absurdas.
Deixo-o aqui, com algumas frases avulsas neste início de
semana já em countdown para as férias com tempo para ler.

Tchernychevskii chorava de boa vontade e com frequência.
"Três lágrimas desceram", regista com característica precisão
no seu diário, e o leitor fica momentaneamente atormentado
com o pensamento involuntário - pode ter-se um número ímpar
de lágrimas, ou é apenas a natureza dupla da fonte que nos faz
exigir um número par?
Só há duas espécies de livros: os de cabeceira e os do cesto dos
papéis. Ou gosto fervorosamente de um escritor, ou deito-o fora.
No fundo nada se passara de importante: a decepção de hoje não
excluía uma recompensa amanhã ou depois de amanhã.
Nenhum destes breves parágrafos é verdadeiramente eloquente do
estilo Nabokov, que tem uma riqueza impossível de sintetizar e uma
complexidade que não se pode simplificar. Gosto da maneira como
ele classifica os personagens e como lhes veste um "sobretudinho
feito em casa" ou um fato "estilo coveiro alemão" ou, ainda, como
resume um ser abominável ao seu "ressonar de cretino patriarcal".
Bar de praia no Algarve. Entre os dois carros brancos existe
um sinal que diz "estacionamento proibido excepto cargas e
descargas" mas é como se o sinal não estivesse lá. Há carros
estacionados durante o dia inteiro, coisa que torna o acesso ao
bar mais difícil, em especial para quem tem handicaps físicos.
Dois comentários: primeiro sublinhar as palavras do Salvador,
que vive todos os dias esta realidade e sofre na pele a falta de
civismo. Depois sublinhar a atitude e a delicadeza que usa para
classificar os que não cumprem as regras. Salvador diz que é
preocupante, repararam? Qualquer um de nós diria que é um
abuso revoltante. É incrível a maneira como ele e tantos como
ele se transcendem todos os dias sem revolta, sem rancor nem
ressentimentos. Salvador demorou uma 'eternidade' a chegar ao
bar da praia, coisa que nós fazemos sem pensar em 3 passos...
É por estas e por outras que o Salvador criou uma Associação!
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