Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Rodrigo Leão nos Jerónimos

Rodrigo Leão dá um concerto amanhã nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, um espaço fabuloso para ouvir a sua música. Já comprei os bilhetes há muito tempo e não vou faltar mas não resisti a ir falar com ele antes do concerto.

 

Rodrigo recebeu-me em casa, no seu pequeno-grande estúdio com vista para o rio e a cidade. Tinha acabado de chegar com Ana Carolina, a sua mulher, e os filhos.

Sempre que pode, Rodrigo vai levá-los e buscá-los à escola. Gosta do ritual e gosta especialmente de ir e voltar com toda a família. Com a mulher e os três filhos, quero dizer.

 

Em vésperas deste e outros concertos (Barcelona no dia imediatamente a seguir aos Jerónimos), Rodrigo Leão mantém o humor e a boa disposição. Aqui fica uma pequena entrevista sem nervos e com tempo para tudo. Para falar do sentido da vida e até para atender o telemóvel...

 

 

 

P.S.: O quadro na parede é da pintora Margarida Marques, amiga do casal.

Não perguntei ao Rodrigo se era um retrato dele mas agora que olho com mais atenção parece-me que sim. Ou não?

 

publicado por Laurinda Alves às 07:00
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Memória de uma conversa demorada

Hoje, terça-feira, dia de voluntariado nos Cuidados Paliativos, adormeço com a memória de uma conversa demorada, mais alegre do que triste, que tive no hospital da Luz com um engenheiro que também é professor. Ou melhor, com um homem que verdadeiramente nasceu para ensinar.

 

De aspecto novo, este homem chegou ao hospital ontem, com muitas dores, e agora está suspenso do resultado de múltiplos exames. O tempo de espera não é fácil para ninguém e muito menos para quem está doente e precisa de saber o que se segue.

 

A conversa foi profunda e interessante. Tranquilo e disponível para falar, contou-me coisas da sua vida, da sua família e dos seus alunos. Mesmo sem o ter dito percebi que a sua vocação era ensinar. Alguns episódios passados com alunos marcaram-no profundamente e não tenho dúvidas de que ele próprio foi, e continua a ser um professor marcante.

 

Também falámos de matemática, energias, aerogeradores, ventoinhas, dínamos, alternadores e outras abstracções fascinantes para quem, como eu, não percebe patavina destas matérias. O facto de eu ser de Letras e ele ser Engenheiro Electrotécnico permitiu-nos evoluir entre ondas, marés e outros movimentos perpétuos misturados com livros, leituras, sentimentos e sentidos. 

 

Saí do quarto do hospital ao fim da tarde com a certeza de que haja o que houver este homem é forte e vai ser capaz de manter a atitude positiva. Impressionou-me tanto a sua força de caracter como a imaginação prodigiosa para conceber protótipos geradores de energia, mas acima de tudo tocou-me a maneira como fala das pessoas que lhe são queridas e das coisas da vida.

 

Percebo que nunca tenha tido problemas de disciplina dentro da sala de aula. E também percebo o ascendente que tem sobre os alunos a quem nunca teve que falar noutro tom de voz que não este de quem está tranquilo naquilo que é essencial.    

publicado por Laurinda Alves às 23:01
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O treino da Selecção Nacional

 

Apesar de a actualidade político-partidária estar muito marcada pelos resultados das recentes directas no PSD, pelas polémicas mais ou menos marginais que envolvem a participação de Manuel Alegre no 'comício das esquerdas' promovido pelo Bloco de Esquerda e, noutra latitude política, pelo facto de o CDS-PP ter apresentado hoje uma moção de censura ao governo, a notícia do dia é sem sombra de dúvida o treino da Selecção Nacional.

 

Doze mil pessoas assistiram ao treino em Neuchâtel e vibraram como se estivessem a ver um jogo decisivo. Mais: os doze mil emigrantes portugueses pagaram bilhete para ir ao estádio ver Ronaldo e os outros marcarem e defenderem golos de treino. Coisa inédita, esta de pagar bilhete para assistir a um jogo de treino...

Em todo o caso a euforia dos adeptos deu uma emoção especial ao treino de hoje e encheu os jogadores de confiança. Muito bom este entusiasmo nacional.

 

Houve quem tivesse feito uma 'directa' para ver o autocarro da Selecção chegar ao estádio e houve quem tivesse 'pegado' ao trabalho no turno da madrugada para poder 'despegar' a horas de assistir ao treino. A palavra 'despegar' foi dita com um sorriso contagiante por uma adepta muito nova mas que, pelos vistos, já trabalha e muito.

 

Ainda bem que falta pouco para começar o Euro! Eu própria já estou em countdown, a contar o tempo, e nos dias de jogo também faço tudo para 'despegar' mais cedo, a horas de ver tudo a que tenho direito. Os momentos antes, durante e depois dos jogos, quero dizer.

 

publicado por Laurinda Alves às 21:45
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Mourinho em italiano

 

Gostei de ouvir José Mourinho falar italiano na conferência de imprensa de apresentação como treinador do Inter de Milão.

Achei graça à maneira como declarou que não queria falar português nem inglês para não perturbar o seu recém-aprendido italiano.

Foi simpático para os italianos e não chegou a ser antipático para os ingleses e os portugueses. Boa!

publicado por Laurinda Alves às 20:42
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Nadia Comaneci, 32 anos depois

 

Nadia Comaneci tem hoje 46 anos (a minha idade) e continua em grande forma.

Ícone mundial da ginástica artística, esta romena conquistou a primeira nota 10 da História nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, e a seguir subiu mais nove vezes ao pódio.

 

 

Nadia vive há muitos anos nos EUA, onde tem uma mega-academia de ginástica com especialistas e ginásios onde treinam cerca de 1.200 alunos. 

 

Lembrei-me dela ontem no avião, quando voltava do Brasil, porque li na Folha de São Paulo uma reportagem especial sobre três países pobres que são líderes absolutos em três desportos olímpicos: a Roménia (ginástica, claro!), o Quénia (corrida) e Cuba (pugilismo).

 

A reportagem é impressionante porque se percebe o sobre-esforço, por vezes desumano, a que os atletas são obrigados diariamente. Mas também se percebe neste empenho uma espécie de luta pela sobrevivência e por uma vida melhor. Embora pareça um paradoxo falar de 'uma vida melhor' para atletas que treinam duramente 8h por dia, que só vêm as famílias de três em três meses e que moram em campos isolados onde treinam, comem e dormem, sem qualquer vida familiar ou contactos sociais para além dos colegas que treinam com eles ( e dos treinadores), é realmente de 'uma vida melhor' que se trata para muitos destes jovens atletas.

 

Subir ao pódio olímpico não é apenas uma compensação individual para uma fasquia demasiado alta. Também é uma afirmação colectiva e uma enorme conquista para um país inteiro. Especialmente quando se trata de países onde as medalhas olímpicas de ouro e prata valem muito mais do que a economia dos próprios países.

 

publicado por Laurinda Alves às 13:25
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
Chegada a casa

 

 

Olho para o relógio e dou-me conta de que, dada a diferença horária, esta é a hora a que chegam a casa os três filhos dos meus amigos que moram no Brasil. Mais do que serem filhos de amigos, são três miúdos que eu adoro e que agora me enchem de saudades.

 

Ontem, antes de me vir embora, filmei-os a chegar com as bicicletas e pedi-lhes para fazerem tudo como se eu não estivesse ali. Como sabiam que estavam a ser

filmados fizeram tudo igual menos... as gritarias e correrias do costume. Claro.

 

Ou seja, chegaram muito certinhos e 'postos por ordem'. Largaram as bicicletas no lugar habitual mas sentiram que estavam a ser observados e entraram em casa calados. Percebo-os. Se me estivessem a filmar a mim nas minhas rotinas do dia-a-dia também ficava 'sem jeito'. 

 

Em todo o caso, para mim, estes vinte segundos de filme servem como memória de um dos momentos altos da tarde: as corridas de bicicleta para ver quem chega primeiro a casa, as correrias até à porta e os gritos do cimo das escadas. Muito bom. Gosto da vida de família, da confusão, trapalhadas e gritos que sempre há no fim de cada dia.

 

Acima de tudo gosto muito destes três (em vésperas de serem quatro!), comovo-me e divirto-me com os detalhes de cada um. Ela porque é linda, invulgarmente profunda para a idade e tem um riso fácil (ri com tudo mas em especial com os disparates que o pai conta); o mais velho porque é todo desportista, tem uma inteligência rápida, uma capacidade de observação incrível e um sentido de humor fino; o mais novo porque é completamente estouvado mas tem a mesma inteligência fulminante dos irmãos e a gargalhada ainda mais fácil e contagiante. Em resumo: são muito queridos e também tenho saudades deles. Ponto. 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 21:54
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Saudades do Outono?

 

Agora que já aterrei deste lado do Oceano e tudo me diz que a seguir à Primavera vai finalmente chegar o Verão que tanto espero e de que tanto gosto, dou comigo a ter saudades do Outono que antecede o Inverno brasileiro.

 

Dito assim parece uma coisa meio parva? Talvez. Mas de repente estou com saudades de lá e há coisas que não se explicam. Como estas saudades instantâneas que se sentem quando ainda estamos a dar o último abraço de despedida aos amigos. 

 

Também não se explica o prazer que dá varrer as folhas secas dos plátanos com uma amiga do coração que mora longe (e embora continue elegante está à espera do quarto filho!) mas posso garantir que, para mim, é um prazer enorme aproveitar os gestos banais e os momentos cúmplices para pôr a conversa em dia.

 

 

Gravei o som das folhas a serem varridas e remexidas porque o acho bonito e inspirador.

Faz-me lembrar o poeta que me disse um dia que sempre que ouvia alguém varrer as folhas das árvores perto das suas janelas suspendia tudo o que estava a fazer só para ouvir varrer. 

Percebo-o. O poeta de que falo é José Tolentino de Mendonça.

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 16:03
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Domingo, 1 de Junho de 2008
A voz de Lenine no Brasil

Domingo de Outono. Chuva e vento. Dia de ficar em casa  ler e a ouvir música.

Ouço o brasileiro Lenine. Gosto. 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 20:45
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Unique Skye de dia

 

publicado por Laurinda Alves às 05:12
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Unique Skye de noite

 

Quem conhece São Paulo sabe como é o bar Skye, do Hotel Unique, e sabe onde foram tiradas estas fotografias. À noite tudo fica mais bonito mas tudo se torna ainda mais difícil de fotografar. Hoje adormeço com chuva mas quero acordar com a memória deste lugar.

 

 

 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 05:01
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