Sábado, 21 de Junho de 2008
As cerejas, as cores e as palavras

 

As cerejas são como as palavras? Gosto de pensar que sim.

Adoro cerejas. Quase tanto como as palavras ditas e escritas.

Nem todas. Só as melhores, as escolhidas com critério,

as que revelam as cores, os sabores e a substância da vida.

Hoje sei que há cerejas grandes no bar da praia, que maravilha! 

 

publicado por Laurinda Alves às 15:03
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Mil programas para pais e filhos

 

A ConVida e a Targeting juntaram centenas de crianças e adultos no lançamento do Guia Lisboa para Crianças, um excelente manual de instruções para programas animados destinado a pais com muita imaginação mas, também, para pais sem imaginação nenhuma.

 

A uns e outros (com e sem imaginação, sublinho) este guia oferece mil ideias, pistas e ferramentas para se divertirem em família. O Guia Lisboa para Crianças é muito criativo e incrivelmente prático e deve ser guardado na mesa de cabeceira ou num lugar muito à mão.

 

Destina-se, como disse, a todo o tipo de pais mas foi pensado para filhos só até aos 12 anos e é uma espécie de Páginas Amarelas de actividades, brincadeiras, desportos, festas, teatros, cinemas e saídas na zona de Lisboa. Muito bom. Aconselho vivamente a todas as famílias lisboetas onde haja crianças com menos de 12 anos!

 

Aqui fica a imagem do bolo desta enorme festa e ainda 10" de filme gravado no momento em que ele foi trazido para a mesa onde se cantaram os parabéns ao nascimento deste novo guia, que todos esperamos que seja o primeiro de muitos. Se possível, dedicados a todas as cidades de todo o país. Muitos parabéns à Targeting e à ConVida por mais esta iniciativa!  

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 09:00
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Ishi's Light de Anish kapoor

 

 (textos da crónica escrita para o jornal Público de hoje)

 

 

No primeiro andar da Tate Modern, em Londres, mesmo de frente para quem sobe as escadas rolantes vindas do Turbine Hall e da enorme livraria de baixo, há uma entrada para a galeria de exposições permanentes que é por onde sempre começo.
 
 
 
Há quem suba até ao 4º andar e veja a galeria de cima para baixo, por causa das exposições temporárias do último piso mas eu não consigo subir antes de parar neste patamar para começar pela peça de Anish Kapoor que está logo à entrada, do lado esquerdo.
 
Ishi’s Light é uma estrutura tipo ovo, de tamanho gigante, feita de fibra de vidro clara por fora e de laca escura por dentro, colocada ao alto no chão de madeira. Este meio-ovo, por assim dizer, está aberto e revela um interior encarnado quase preto. Um dark-red, para usar as palavras do próprio artista, que remete para uma espécie de infinito cósmico ou para qualquer coisa que nos transporta para o remoto momento da criação do universo.
 
 
Este meio-ovo aberto pousado ao alto é uma peça aparentemente simples, quase banal. Percebo que muitas pessoas passam sem se darem conta do verdadeiro sentido de Ishi’s Light nem terem passado pela experiência de entrar no ovo e perder a noção do espaço e do tempo.
 
 
Esta peça tem este plus de criar emoções e sensações físicas de vazio cósmico, de buraco negro, onde nos desencontramos completamente do corpo físico, onde a matéria deixa de ter densidade e onde perdemos as noções de altura e de profundidade. Se estivermos do lado de fora, de frente para o ovo, ele é apenas uma peça bonita e desmedida. Mas se dermos um passo em frente e entrarmos no interior escuro, todas as nossas certezas desaparecem.
 
Esticamos os braços para cima, para baixo e para os lados e não alcançamos nada. Se não tivéssemos os pés bem firmes no chão e não continuássemos a ouvir as vozes e os passos dos que andam pelo museu, teríamos a sensação de estar a flutuar no espaço. Já fiz esta experiência várias vezes e é uma sensação extraordinária.
 
Nos primeiros anos da Tate Modern havia um guarda de museu especialmente destacado para gerir a fila de pessoas que queriam experimentar o vazio negro mas agora, infelizmente, deixou de ser possível entrar na escultura. Alguma coisa aconteceu que fez com que o próprio Anish Kapoor desse ordens para vedar o acesso ao interior da sua obra. É pena mas imagino que tenha havido excessos e que a peça tenha estado à beira de quebrar ou de se degradar.
 
Na semana passada voltei à pequena sala onde está Ishi’s Light sem saber destas restrições. Éramos quatro e todos nós entrámos e permanecemos, um de cada vez, no silêncio interior do ovo a sentir tudo, fascinados com a experiência. Mas eis que um funcionário do Museu chegou e explicou que era proibido estar ali. Nós os quatro tivemos sorte mas a fila de pessoas que se juntou atrás de nós, suspensas do instante em que elas próprias pudessem entrar, foi obrigada a dispersar e impedida de entrar. É pena, insisto. E nem sequer percebo a restrição pois sempre que visitei a exposição havia o tal guarda a organizar a fila de visitantes, que era sempre uma fila muito
ordenada e pacífica.
 
 
 
Enfim o artista há-de ter as suas razões mas só aqui entre nós, se alguém for ao 1º andar da Tate Modern e o funcionário do museu estiver distraído, tente entrar na escultura (com discrição e extremo cuidado, claro!) nem que seja por breves segundos para perceber tudo o que se pode sentir dentro dela. E o Anish Kapoor que me perdoe este apelo aos fora-da-lei tão apaixonados pela sua arte como eu.
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma coluna de luz vertical
 
Ainda a propósito de Ishi’s Light, faltou-me dizer duas coisas essenciais. Uma é que a peça tem o petit nom do filho mais novo de Anish Kapoor, que se chama Ishan. A outra é que esta escultura foi feita com uma intenção muito particular e está relacionada com a obra do pintor Barnett Newman (1905-1970), um dos ícones do lendário movimento AbEx (Abstract Expressionism) que emergiu nos anos 40/50 e pôs os artistas nova iorquinos definitivamente no centro da arte mundial.
 
 
Paris deixou de ser a maior ‘fábrica’ de artes e artistas graças à influência de pintores como Jackson Pollock, Mark Rothko, Willem de Kooning, Franz Kline e Barnett Newman que não só viviam quase todos em Nova Iorque como inovaram completamente a pintura e passaram a ser considerados a nova escola, a célebre New York School.
 
 
A escala das telas aumentou desmesuradamente e os quadros deixaram de ser representações figurativas. Embora com reminiscências dos poetas e pintores surrealistas franceses dos anos 20, os novos expressionistas recriaram as cores, improvisaram mais métodos, inauguraram outros gestos e deram novos impulsos à arte contemporânea.
 
Gosto especialmente dos pintores AbEx e por isso não sou nada imparcial quando falo deles. Comovem-me. Tocam em fibras sensíveis. Sinto na imensidão dos seus quadros e das suas cores uma consciência profunda do mistério, uma emoção permanente, uma pulsão vibrante que me atrai e muitas vezes desconcerta.
 
Barnett Newman dizia que as pessoas deviam ver os seus quadros de muito perto. Como se fossem entrar na tela. “Stand close enough to immerse yourselves in my paintings!”. E explicava que queria provocar nos outros os mesmos sentimentos que ele próprio sentiu ao pintar as enormes telas. “ I hope that my painting has the impact of giving someone, as it did me, the feeling of his own totality, of his own separateness, of his own individuality”.
 
De frente para Ishi’s Light, a peça de Anish Kapoor, estão dois grandes quadros encarnados com colunas verticais roxas pintados por Barnett Newman. Há sempre riscas verticais nos seus quadros. Newman dizia que eram colunas de luz. Evocam, no seu entendimento e construção artística, uma presença sagrada minimalista que vem de um tempo muito lá atrás, descrito nos Génesis, onde as colunas de luz são sinais de divindade a incidir e a iluminar a humanidade. Gosto de pensar como ele pensou. Ou melhor, gosto de absorver a intenção com que pintou enquanto olho de frente, muito perto, estes dois quadros encarnados poderosos que me seduzem e interpelam.
 
Cinquenta anos depois de Barnett Newman, Anish Kapoor recriou esta mesma coluna de luz vertical na sua escultura. E é também isto que faltava dizer: que o interior escuro do meio-ovo cósmico é trespassado de cima abaixo por uma coluna de luz. A tentativa de recriar esta luz ao mesmo tempo real e virtual foi, afinal, aquilo que levou Kapoor a conceber Ishi’s Light.   
 
 

 

publicado por Laurinda Alves às 17:50
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Bom fim-de-semana!

 

E agora que o meu dia de trabalho já acabou mas ainda está sol e calor,

vou-me embora de fim-de-semana. Viva o Verão e a praia sem horas para fechar!

E os amigos que têm mota para me levar quando há filas na estrada a empatar...   

 

P.S.: O exame de Geografia correu bem, afinal. Boa!

 

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publicado por Laurinda Alves às 17:30
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Torço pelo exame de Geografia!

 

Nas próximas duas horas torço pela concentração e inspiração do meu filho, dos amigos e de todos os que fazem hoje o exame nacional de Geografia. Que nervos.

 

Já me tinha esquecido destas dores de barriga. Ou melhor, nunca tinha pensado que como mãe também podia sofrer tanto no dia dos exames. Ele e os amigos estão no 11º ano e este é o segundo exame nacional que fazem mas como são todos de estudar só nas vésperas, nunca se sabe...

publicado por Laurinda Alves às 14:00
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As três amigas de burka

 

 

Lembrei-me do filme Persépolis por causa de uma cena divertida e de certa forma inédita: no centro de Londres existem vários locais onde as pessoas vão de propósito só para andar de patins em linha. Um destes lugares costuma estar particularmente cheio ao fim da tarde em dias de sol.

 

Na semana passada fez sol e como os dias já são mais compridos e mais luminosos, o sítio da patinagem estava a transbordar de gente.

Adultos e crianças de todos os tamanhos e feitios, de todas as raças e credos, nacionalidades e cores, em corridas para trás e para a frente.

 

De repente entraram em cena três raparigas de patins, a patinar a toda a velocidade...vestidas de burka preta! Cobertas da cabeça aos pés, com os véus a esvoaçar.

 

E  era tal a velocidade e era tal a alegria das três amigas que a pista inteira pasmou e parou. Elas não se ralaram nem um bocadinho e continuaram em competições entre elas, umas vezes de mãos dadas, outras em pequenas acrobacias olímpicas, mas sempre muito rápidas, cúmplices e divertidas. Muito bom, este filme de fim de tarde. Ou melhor, esta fulgurante entrada em cena das três amigas de burka. 

 

Podiam muito bem ser pequenos clones da própria Marjane Satrapi, autora de Persépolis...

 

 

publicado por Laurinda Alves às 08:27
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008
Onde é que eu ia?

Por definição as derrotas derrotam-nos. A Selecção perdeu e foi pena. Mas também foi azar. Todos os que assistimos, vimos. Enfim, não vale a pena falar mais do assunto. Ponto final.

 

Back to basics e mudando de conversa: onde é que eu ia? Ah, já sei, queria dizer a todos os que vieram ao meu blog nos dois últimos dias que estou radiante com a multiplicação de visitas. Espectacular! Obrigada.

 

Também queria dizer à Concha que percebo o desabafo sobre a tristeza deste fim de dia e agradecer a tantos que me vão escrevendo diariamente que registo todos os comentários embora nunca os comente. Não é por mal, é só por falta de tempo.

 

E pronto, é isto. O dia de hoje está feito e amanhã é um novo dia! Só faltam cinco minutos e estes doem muito menos do que os últimos cinco de há bocado...

 

 

publicado por Laurinda Alves às 23:55
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A beleza importa?

 

 

Cruzei-me com a Ana Borges, da Elite Model, ontem ao fim da tarde na tenda branca montada em frente do Museu da Electricidade, onde havia uma festa de lançamento de que hei-de falar e publicar imagens durante o fim-de-semana.

 

Hoje é dia de jogo e de nervos e não apetece desperdiçar temas. O futebol ocupa a cabeça e é uma espécie de pensamento único, que consome e abstrai. Para quem torce pela Selecção, todas as horas do dia são geridas em função da hora do jogo, não há volta a dar. Há muito poucos assuntos que interessem para além do futebol. Falar sobre a beleza talvez seja uma hipótese mas, mesmo assim, não tenho nada a certeza.

 

Em todo o caso e porque a Ana Borges vive de gerir a sua própria beleza e a beleza dos outros, a conversa evoluiu naturalmente por esse caminho. Ser bonito importa e faz diferença, mas nem sempre no sentido positivo. Esta é a convicção de Ana Borges, que fala de um verso e um reverso-perverso desta medalha social que é a beleza.

 

Há estudos científicos que provam que todos somos vulneráveis à beleza e que o nosso olhar é sempre mais benevolente quando estamos perante alguém muito belo. Mesmo quando este alguém não é grande pessoa nem revela a menor nobreza de caracter, note-se. A inclinação para cometer esta injustiça vem do berço, aliás, pois estes mesmos estudos dizem que os bebés mais bonitos recebem mais mimos e atenções do que os menos bonitos. Não há direito.

 

Ana Borges garante, no entanto, que quando se trata de raparigas e rapazes ou mulheres e homens muito bonitos, as coisas nem sempre são assim tão fáceis pois são assediados de muitas maneiras e é extraordinariamente difícil lidar com a pressão social e psicológica. Em resumo, ser muito bonito pode ser sorte mas também pode ser azar. E pronto. Até acabar o jogo não escrevo nem mais uma linha.

 

P.S.: Só mais esta linha para sublinhar que os sublinhados hoje são a encarnado e verde, para dar sorte!

 

 

publicado por Laurinda Alves às 07:00
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
O silêncio em vésperas de exames

 

 

 

Em vésperas de exames nacionais os estudantes estudam mesmo, e todas as rotinas mudam. Em casa passa a haver mais silêncio e quietude. É fascinante ver como um adolescente no auge da sua adolescência de repente se torna uma pessoa silenciosa, aplicada, metódica, disciplinada e rigorosa. Incrível.

 

Até a música no Ipod muda e onde se ouviam músicas vibrantes e fortes, passa a ouvir-se piano e, de preferência, com o som muito baixo. Mais: o telemóvel deixa de tocar, coisa inédita nesta idade! Muito bom.

 

Aqui ficam 20" de filme a ilustrar aquilo que acabo de dizer. Obrigada Carolina querida por me ter deixado filmar e invadir o seu silêncio. Break a leg na próxima sexta!

publicado por Laurinda Alves às 20:47
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A alegria, a multidão e as bolas de sabão

 

 

Ainda sob efeito de uma breve mas intensa viagem a Londres, deixo aqui um pequeníssimo filme que mostra a rapariga que vende pinças de plástico para fazer bolas de sabão gigantes, nas ruas de Camden.  

 

Camden é um lugar fascinante pelo mix de culturas e pessoas que se cruzam no largo do mercado, nas lojas e ruas adjacentes. O desfile de multidões é constante e toda aquela zona é uma festa permanente. Quem conhece Camden sabe do que falo.

 

Sempre que volto a este lugar lembro-me de uma frase de Alberto Vaz da Silva, meu querido amigo, quando citou alguém importante que dizia que "cruzarmo-nos com quinhentas pessoas na rua por dia ajuda a nunca ficarmos deprimidos". Nesta lógica, é impossível ficar triste nestas ruas.

publicado por Laurinda Alves às 12:51
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