Mia Couto está em Portugal e, para mim que adoro a sua escrita (amo é a palavra mais certa) e adoro a sua maneira de ser (amar também se aplica pois trata-se do amor dos amigos) dizia eu que para mim é uma festa reencontrar o Mia na minha cidade, no nosso país.
Hoje, ainda por cima, é o dia de Moçambique, o país dele! Neste dia em que tantos celebramos tantas coisas, Mia já esteve em várias sessões de autógrafos e logo à noite vai falar na Biblioteca da Câmara Municipal de Oeiras às 21h30. O serão promete e a entrada é livre. Embora já tenha estado com ele de manhã na livraria Bulhosa de Entrecampos, onde gravámos esta pequena conversa e onde pusemos parte da 'escrita em dia', logo também vou estar em Oeiras, se possível nas primeiras filas.
Gosto das meias-gargalhadas do Mia, gosto da sua arquitectura mental e afectiva e gosto muito daquele seu olhar boyish que ri mesmo quando ele faz cara séria, tentando manter a pose e o aprumo.
A Patrícia que me perdoe algum excesso mas realmente eu amo (com amor de amigos, note-se!) este homem e tudo o que ele escreve.
Tenho duas grandes amigas que atravessam o deserto mais abrasivo de todos, o que parece não ter fim, aquele em que as miragens chegam a tornar-se insuportáveis de tão inatingíveis...
Falo de amigas com doenças tão graves e tão devastadoras como o cancro. Falo de coisas muito sérias e muito dolorosas. E foi porque estive com elas e com a imensa roda de amigos que se juntou à sua volta para rezar e lhes dar forças para o caminho (para esta longa e penosa travessia) que fiquei com a última frase de uma oração do padre Tolentino de Mendonça a fazer eco:
Nenhum coração é tão inteiro como um coração partido.
Embora pareça só uma frase muito romântica e muito poética, tem uma profundidade e um alcance enormes. E múltiplos sentidos. A oração aplica-se a esta e a muitas outras realidades. Agradeço de coração inteiro esta pequena-grande oração também para o meu caminho.
Trabalho de janelas abertas sobre os telhados da cidade,
ao som de obras, picaretas, martelos e rebarbadoras que
fazem faíscas no ferro e, sobretudo, muito barulho.
Há cinco minutos o barulho ensurdecedor parou e, de repente,
no silêncio voltei a ouvir as gaivotas, os navios no rio, os sinos
das igrejas, as sirenes ao longe e até as vozes nas ruas.
O homem da rebarbadora suspendeu o trabalho por breves
instantes para atender o telemóvel e só porque ele deixou
de fazer o barulho 'de doidos' do costume, o mundo à
volta mudou. E mais: a voz do homem desceu os telhados
devagarinho e chegou à minha janela com uma ternura e uma
alegria surpreendentes. O homem das obras deve estar apaixonado.

Ainda sob o efeito greenish da luz das fotografias do Francisco
Pereira Coutinho (que já tem fotos suas em sites de chats de fotógrafos
profissionais como o deviantart.com), deixo aqui um parágrafo de que
gosto muito, do livro Aproveita o Dia, de Saul Below:
- Eu - continuou Tamkin - sou mais eficiente quando trabalho sem ser por
dinheiro. Quando trabalho só por prazer. Sem recompensa financeira.
Consigo esquecer a esfera social. Sobretudo a financeira. Compensação
espiritual é o que eu procuro. Trazer as pessoas para o aqui e agora.
O universo real. Que é o momento presente. O passado de nada serve.
O futuro está repleto de ansiedade. Só o presente interessa - o aqui e agora.
Temos que aproveitar o dia.

Gosto muito dos olhos desta miúda mas para ser sincera ainda gosto mais do olhar do miúdo que lhe tirou a fotografia. Francisco Pereira Coutinho tem agora 15 anos mas era muito mais novo quando começou a fotografar, a guardar e a organizar o seu portfolio. E a trabalhar com photoshop.
Criou um site onde tem dezenas de imagens, algumas de extraordinária qualidade. Descobri o site há pouco tempo e não resisto a deixar aqui algumas fotografias de que gosto particularmente e...nunca diria que foram tiradas aos 14 e 15 anos.
Como estas que deixo imediatamente a seguir e estão entre as minhas preferidas.


Francisco gosta mais de fotografar do que de ser fotografado e é pena porque adorava fazer-lhe uma entrevista e...fotografá-lo. Gosto da sua sensibilidade, gosto da sua atitude e gosto da maneira como atravessa as paisagens. E a vida. Muito bom.
Margarida Castro, 24 anos, arquitecta, acaba de passar um ano no Rio de Janeiro onde trabalhou em projectos de requalificação das favelas. Margarida fala 'à Porto' com um ligeiro sotaque carioca, mistura que dá ainda mais graça à sua alegria e beleza naturais.
Falámos durante horas sobre a sua experiência, sobre o desafio que é entrar nas favelas onde moram os pobres dos mais pobres e sobre o impacto "indigerível" que tudo isso teve nela. Margarida está a começar agora a sua carreira e é muito interessante ouvir falar dos seus projectos e sonhos. Fiquei com a certeza de que o nome dela é um nome a fixar na área da arquitectura. Seja como arquitecta, como curadora de museus ou como criativa nos bastidores das exposições, com critério para definir o espaço e equilíbrio das obras de arte.
Aqui fica o registo da nossa conversa sobre o trabalho nas favelas, sobre o 'degredo', sobre as pilhas de lixo, a falta de espaço, as ruas que não existem, 'as hortas verticais' e as crianças que moram e brincam em casas onde nada existe ou tudo foi devastado pelo fogo.
Três breves registos impressionistas de um dia passado no Guincho.
Com muito vento e muita areia, claro...
Tanto vento e tanta areia que fomos obrigados a sair da praia muito antes
de nos apetecer sair. Nos bons dias de Guincho a praia fecha mais tarde.
Para mim, o maior dia do ano acabou numa grande noite de fados,
mornas e poesia em casa de amigos. Um serão muito completo.
E todo ele um verdadeiro poema!
Celina Pereira, Bana e Zizo foram as vozes, acompanhadas
pelas guitarras de Luís, Ildo e Zizo (que também toca) e pela
guitarra portuguesa de Diogo Chang Faria, de 20 anos, que
toca prodigiosamente.
Juntar o fado e as mornas cantados com vozes vibrantes,
acompanhados de guitarra portuguesa foi uma inspiração.
Conseguir ter em casa os melhores entre os melhores foi
um luxo inimaginável. Muito bom. Obrigada a todos.
Aqui fica um registo só das guitarras porque não consigo
escolher entre os filmes que gravei com as vozes...
Por incrível que pareça, estes quatro músicos nunca tinham
tocado juntos e alguns nem sequer se conheciam, mas bastou
trocarem umas palavras e os acordes iniciais para todos nós
ficarmos com a sensação de que toda a vida tocaram a quatro.
Impressionante.
Agora que já fui e voltei da praia e atravessei a ponte sobre o Tejo de mota, coisa que adoro pela sensação de absoluta liberdade mas, também, pela extraordinária proximidade com que se fica da cidade, lembrei-me de uma cena que vi e filmei no Museu da Electricidade esta semana.
Era uma cena muito banal de trabalho nos bastidores: dois homens de um lado a fixar uma estrutura metálica e, do outro lado, um homem a varrer o chão na superfície branca da zona que já está pronta para receber a próxima exposição do Museu. Lembrei-me dos homens e da cena justamente por ter acabado de atravessar a ponte de mota. Quando vamos de carro é impossível olhar para baixo com atenção suficiente para destacar cada um dos prédios e lugares que conhecemos bem.
Também me lembrei do fragmento que ficou gravado porque para muitos destes homens que trabalham nas obras não há sábados nem dias feriados. E muito menos praia e festas em dia de Solstício. Trabalham de sol a sol porque há prazos a cumprir. E ponto final parágrafo.
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