Mariana Sabido é a fotógrafa de quem falei ontem. Tem 26 anos e já estudou e trabalhou com grandes fotógrafos e ilustradores contemporâneos.
Viveu em S.Paulo, em Paris e Londres onde fez um Mestrado em Estudos Fotográficos.
Depois destes anos intensos de cursos e estágios com artistas e cineastas, em que andava sempre de máquina fotográfica no bolso e só pensava em fotografia, Mariana decidiu voltar a Portugal mas não voltou para Lisboa. Foi morar para Lagos porque a
sua história pessoal a levou para aquela cidade.
Apesar de ter apenas 26 anos, Mariana é 'madrasta' (boa!) das quatro filhas do seu namorado. Esta circunstância revela a sua fibra mas, acima de tudo, o seu coração.
E também uma sensibilidade especial para o mundo das crianças, mundo que afinal
ela decidiu começar a fotografar de uma forma mais profissional.
Depois de ter trabalhado no atelier de artistas, designers e fotógrafos, Mariana descobriu o seu dom e criou o seu próprio conceito: fotografa crianças e mulheres grávidas e é feliz com o trabalho que faz. Mais: faz os outros, à sua volta, muito mais felizes.
Aqui fica uma conversa descontraída sobre o trabalho que Mariana Sabido faz com mães e filhos e pode ser visto no seu site www.mae360.blogspot.com

Esta rapariga salta mas a fotografia também. Salta à vista no portfolio da fotógrafa
que a tirou, quero dizer. Mariana Sabido, a fotógrafa, tem uma história curiosa e um
percurso de vida interessante que eu conto mais tarde. Fiz-lhe uma entrevista que
vou publicar logo, depois do jogo,quando estivermos todos mais centrados.
Até à hora do jogo vou à praia e depois torço por Espanha.
Quando voltar a casa ponho aqui a entrevista da Mariana, que não só faz fotografias
lindas como ela própria é uma beleza. Até logo e...viva a Selecção de Espanha!
Uma janela sobre o rio e a cidade onde me sento todos os dias e ouço os barulhos da rua, as vozes descombinadas ao fundo, o som grave dos navios que chegam ao porto, o rumor dos carros a passar no tabuleiro da ponte, os homens que descarregam vidros e garrafas no passeio em baixo, alguém a chamar por alguém, o apito do comboio antes de partir, um amigo que chega e toca à porta de outro amigo, a voz da velha na mercearia antiga, o assobio do rapaz do talho quando dobra a esquina.
Uma janela onde vejo o sol descer e a lua subir. Onde ouço com mais ou menos abstracção a vida de todos os dias e sigo o voo das gaivotas e dos pássaros nocturnos, silenciosos e graves, de grandes asas brancas luminosas.

Descubro com surpresa e alegria a cadeira encarnada com as mesmas sombras de renda desenhadas pelo ferro escuro, forjado por mãos antigas segundo fórmulas que se calhar mais ninguém usa, fotografada neste lugar mas por outro olhar, noutro dia que não sabia. E também descubro com nostalgia a imagem da varanda, fotografada na estação das chuvas, através dos vidros que nos dias de sol ficam sempre abertos.

Estas e muitas outras fotografias ainda mais bonitas que estas são de
João Francisco Moura, da sua galeria no Flickr. Obrigada John-John.
Há dias em que vale a pena fazer quilómetros de estrada
e vencer a serra para chegar a este mar onde há oliveiras
e pinheiros mansos perfumados, inclinados sobre a água.
Gosto de praias onde há rochas grandes e escarpas altas.
E gosto de ver as pedras redondas que cobrem a areia e
enchem a praia quando a maré vaza.
Há dias em que vale a pena fazer quilómetros de estrada
só para ouvir o mar bater nestas pedras redondas.
A muralha do castelo sobre a cidade e o rio ao fundo, numa
noite quente de Verão era o cenário de trás, hoje. De frente
para nós, em cima do palco, mãe e filhos cantaram juntos.
Um poema. Uma noite inesquecível. Uma emoção indizível.
Este foi o fado da despedida. Houve muitos outros tão bons
ou melhores que este. Por mim gostei ainda mais dos que
cantaram primeiro. Por serem fados muito sentidos e até
mais chorados. Daqueles que nos arrancam o coração...
As Festas de Lisboa, organizadas pela Câmara, têm sido um sucesso. Especialmente os fados nas noites de sexta e sábado no Castelo, um dos lugares mais bonitos da cidade para este tipo de encontros e acontecimentos. Sobretudo em noites de Verão, no fim de um dia como o de hoje que se anuncia como o mais quente do ano.
Esta noite cantam o Francisco e a Carmo Rebelo de Andrade, que convidaram a própria mãe a cantar com eles. Teresa Siqueira, a mãe, é uma fadista cheia de nome, tradição e histórias. Tenho a certeza absoluta que vai ser uma noite memorável. Por terem os três grandes vozes, por serem família e por cantarem pela primeira vez juntos em público. Não quero perder!
Tal como se faz nos jornais, revistas e TV, que usam várias vezes as mesmas imagens que guardam em arquivo, também eu volto a publicar aqui a entrevista que fiz à Carmo Rebelo de Andrade há pouco mais de um mês. Os que já viram, já conhecem a substância da conversa. Os que não viram ficam a saber quem é, o que faz e o que procura na vida. A meio da entrevista peço-lhe para cantar um fado e de uma forma extraordinária, a Carmo suspende o fio do pensamento, faz uma pausa, convoca a voz e canta admiravelmente sem nenhum acompanhamento musical.
Muito bom.
Este miúdo é um arraso. Conheci-o no fim-de-semana passado, num serão de fados e mornas em casa de amigos (escrevi sobre isso aqui e pus um filme muito escuro com o som das guitarras) e ele era o que tocava guitarra portuguesa.
Chama-se Diogo Chang Faria, tem 20 anos, quer ser engenheiro, estuda no Técnico, está no auge dos exames de fim de ano, aprende mandarim há 3 anos e toca maravilhosamente bem guitarra portuguesa.
É muito querido mas um pouco tímido. Tem olhos chineses e um sorriso desarmante. A cara dele parece ter sido desenhada para sorrir e o olhar ligeiramente oblíquo que herdou da mãe, apesar de ter os olhos verdes do pai, acentua uma beleza invulgar e dá-lhe uma graça especial.
Toca guitarra portuguesa porque gosta e não sabe se tem assim tanto talento como dizem. Descomplicado, declara que não toca à Carlos Paredes e assume que se limita simplesmente a interpretar as músicas dele, à sua maneira.
Este miúdo vai dar que falar. E vai fazer miséria na cidade...

A ZOOT é uma revista muito bem feita, com muito bom papel e um grafismo
'muito à frente'. Parece uma revista estrangeira e a aparência é reforçada
pela frase que antecede o título e vem escrita em inglês: The International
Fashion and Music Magazine From Portugal.
Embora seja uma revista escrita em inglês que se vende mais em Paris,
em Londres e em Tóquio, é feita por portugueses. O conceito editorial é
inteiramente português e a revista é nossa. Mas parece de todos e isso é
importante numa época em que tudo acontece à escala global.
A ZOOT é uma revista independente criada pela Vvork Design Zoot Media e
já ganhou vários prémios pelo design editorial inovador. Acho a qualidade
extraordinária e fico contente por haver quem rasgue o mercado editorial,
aquém e além-fronteiras e faça tanto sucesso numa área tão saturada de
publicações como a Moda, a Música e as Artes mais ou menos performativas.
Com está escrito algures, a ZOOT é ideal para trendsetters e fashion students.
Seja. Dou os parabéns aos autores e aos designers gráficos pela excelência
do seu trabalho.
Começo o dia cedo, com mais uma citação, desta vez de Rainer Maria Rilke
quando fala da pobreza. Não apenas da miséria material, mas também
do despojamento espiritual.
Porque a pobreza é uma grande luz que vem de dentro

foto de Francisco Pereira Coutinho
Adoro o eco das palavras ditas e escritas. Hoje algumas coisas que o Mia me disse na entrevista do fim da manhã, e estão gravadas no post imediatamente antes deste, ficaram a ressoar:
É ali que regresso a mim e não me dou mal com a tristeza foram duas frases poderosas.
Regressar a mim é, para mim, uma ideia muito cara. Passem todas as redundâncias, é juntar cá dentro tudo aquilo que anda disperso ao longo dos dias. A unidade interior é o patamar sobre o qual gosto de construir e improvisar. Estar inteira na vida, em cada momento, é o meu maior objectivo. Às vezes consigo.
Não me dou mal com a tristeza, diz o Mia Couto e é extraordinário que o diga pois todos temos pavor da dor, todos sentimos desconforto na tristeza. De uma forma mais ou menos secreta, todos temos medo de tudo o que nos tira a alegria e daí ser importante ouvir alguém como o Mia assumir que a tristeza afinal não é assim tão má companhia. Percebo-o. E acredito.
Não resisto a deixar aqui os primeiros parágrafos do novo livro de Mia Couto, um livro que se abre e só se consegue fechar depois de lido até ao fim. Estou a falar de Venenos de Deus e Remédios do Diabo. Muito bom.
O médico Sidónio Rosa encolhe-se para vencer a porta, com respeitos de quem estivesse penetrando num ventre. Está visitando a família de Bartolomeu Sozinho, o mecânico reformado de Vila Cacimba.
À porta, a esposa Dona Munda, não desperdiça palavra, nem despende sorriso. É o visitante quem arredonda o momento, inquirindo:
- Então o nosso Bartolomeu está bom?
- Está bom para seguir deitado, de vela e missal...
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
. CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ...
. Curso de Comunicação adia...
. Se tiver quorum ainda dou...
. O BENTO E A CARMO HOJE EM...
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. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...
. Alegria!