Hoje morreu-me uma amiga. Estou triste e estou sem palavras.
No dia em que morreu José Cardoso Pires ouvi pela primeira vez conjugar o verbo 'morrer-me', quando António Lobo Antunes declarou: 'morreu-me' um amigo. Não precisou de dizer mais nada.
É como estou hoje.
Era o momento em que a noite se separa do dia, o mundo de baixo do mundo de cima. E talvez haja outras coisas que se separam nesses momentos. É o último segundo em que a profundidade e a altura, a luz e a escuridão, tanto universal como humana, ainda se tocam, em que os que dormem despertam em sobressalto dos seus sonhos pesados e angustiantes, os doentes suspiram de alívio porque sentem que o inferno da noite acabou e dará lugar a um sofrimento mais ordenado; a luz e a regularidade do dia revela e separa tudo que no caos obscuro da noite era um desejo convulsivo, uma ansiedade secreta, uma paixão delirante. Os caçadores e os animais selvagens gostam desse momento. Já não é noite, mas ainda não é dia.
Porque hoje é sexta e estou praticamente de folga (como disse no post anterior já acabou o meu trabalho como júri no Indie Lisboa e hoje fui excepcionalmente dispensada de escrever a minha crónica habitual para o Público porque o P2 é integralmente dedicado ao Maio de 68) dizia eu que por estar com mais tempo livre apetece-me ficar a ler até muito mais tarde.
Nestas noites sem horas para apagar a luz gosto de rever passagens sublinhadas nos livros novos e antigos. E é por estar com um desses livros mesmo ao meu lado que não resisti a deixar aqui uma citação de Sándor Márai, escritor húngaro que leio e releio apaixonadamente.
Os parágrafos que acompanham a imagem do amanhecer são da página 97, do livro As velas ardem até ao fim, editado pela Dom Quixote. Gosto desta narrativa sobre o breve instante em que a noite se faz dia. Gosto do amanhecer quase tanto como do entardecer.
Elvis Costello, com a sua voz 'constipada', para acabar bem este dia em que vi as últimas longas metragens do Indie Lisboa que concorrem ao Prémio Amnistia Internacional.
Estou morta para que acabe o 'embargo' decorrente do facto de eu ser membro do júri deste prémio, para poder falar de alguns dos filmes a concurso. Verdadeiras obras primas!
God give me strenght, canta Elvis Costello. Eu peço o mesmo, para a vida em geral e para decidir bem neste júri em particular...
Um dos meus grandes prazeres na vida é visitar museus de arte contemporânea. Às vezes viajo de propósito para uma cidade só para ver uma exposição ou ir a um novo museu.
Na impossibilidade de viajar sempre que me apetece, faço outro tipo de viagens. Vejo muitas exposições e muitas obras de muitos artistas na net. Felizmente hoje em dia os melhores museus do mundo têm as portas abertas 24h por dia, ao alcance de um clic.
Deixo aqui o vídeo da instalação de Jim Lambie na Exposição Color Charts: reinventing color (since) 1950 to today que está a decorrer no MoMA em N.York. Até 12 de Maio podemos ver como 44 artistas plásticos do século XX usam ou usaram a cor nas suas obras.
O prazer de clicar no computador e ver todas as obras, de Andy Warhol a Robert Rauschenberg (que esteve recentemente em Serralves), de Jasper Johns a Richard Serra, é um enorme prazer. Podemos ver as galerias todas e as obras de cada um, sejam esculturas, desenhos, pinturas, instalações ou produções media.
Aqui ficam os links para o museu e para ver as obras dos artistas envolvidos na exposição. Para mim esta é uma excelente forma de celebrar o Dia do Trabalhador: com trabalho artístico.
Como digo mais acima, o vídeo de baixo mostra os bastidores da instalação de Jim Lambie e a forma como este artista reinventou as cores no espaço do hall central do museu.
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. Alegria!