Domingo, 27 de Abril de 2008
Rever Seu Jorge

 

Reparei agora que falta exactamente um mês para partir para o Brasil e rever Seu Jorge.

Vou dia 27 de Maio e, por isso, sinto que começou hoje o countdown

Combinámos encontrar-nos em S.Paulo para uma entrevista, um tempo de conversas e visitas aos seus lugares do coração.

 

A favela onde nasceu e viveu é a mesma onde moram muitos dos músicos que trabalham com ele nos seus projectos musicais e sociais. Quero ir lá com ele.

Intervencionista, Seu Jorge desperta as consciências com as suas letras e músicas.

O seu lado revolucionário-panfletário muda o mundo. O seu lado apaixonado-romântico transforma os corações.

 

Esta música de Damien Rice, que Seu Jorge canta com Ana Carolina, é das que nunca se esquecem.  

  

 

publicado por Laurinda Alves às 13:15
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Uma rapariga de Amsterdão

 

 

 

 

O acontecimento literário do dia de amanhã vai ser o lançamento do Diário de Etty Hillesum, um dos mais belos textos espirituais escritos no século XX.
Editado pela Assírio & Alvim, vai ser apresentado na própria livraria da editora às 18h30. Vale a pena ir ouvir Esther Muznick, José Tolentino Mendonça e Nélio Pita dissertarem sobre a vida e obra da autora. 
Para quem não sabe muito sobre esta rapariga de Amsterdão que viveu uma vida muito cheia e morreu demasiado cedo, aqui fica um breve resumo:  
 
A 9 de Março de 1941, quando Esther (Etty) Hillesum começou a escrever, no primeiro dos oito cadernos de papel quadriculado, o texto que viria a ser o seu Diário, estava-se longe de pensar que começava aí uma das aventuras literárias e espirituais mais significativas do século. Ela tinha vinte sete anos de idade e morreria sem ter feito trinta. 
 
Era a mais velha dos três filhos de um casal judeu e urbano, sem especial vinculação religiosa. Durante anos ocupou-a uma licenciatura em Direito que, a bem dizer, lhe era indiferente, atraída mais por estudos literários.
O projecto de um diário é uma sugestão terapêutica que lhe é feita por Julius Spier, que chegou a ser director de um banco, foi o inventor da "psicoquirologia", uma diagnose psicológica que parte da leitura da morfologia da mão (que ele considera «o segundo rosto»). Spier representou para Etty Hillesum um  iniciador na vida espiritual.
 
Entretanto, a Holanda surge cada vez mais na mira expansionista do nazismo. Etty tem o que chama a primeira experiência de descida ao «inferno». Aquela hora extrema do seu povo tinha um significado tal, que ela não podia subtrair-se. Decide acompanhar os primeiros judeus deportados, como voluntária, no Campo de Concentração de Westerbork, trabalhando na improvisada enfermaria.  
 
Um das vantagens do seu estatuto era ainda poder voltar a Amesterdão, mas dá-se o inesperado. No seu quarto «belo e tranquilo», ela sente uma saudade irrecusável de Westerbork. «Apaixonei-me tanto por esse Westerbork... Estes meses entre o arame farpado foram os meus meses mais intensos»… E parte definitivamente. A 30 de No­vem­bro de 1943, a Cruz ver­me­lha co­mu­ni­cou a sua morte, em Auschwitz.

publicado por Laurinda Alves às 12:00
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Sábado, 26 de Abril de 2008
Pais e filhos

 

Dia de praia. Pais e filhos à beira-mar. Aparentemente mais uma cena banal de uma família normal. Um tempo em que nada de extraordinário se passa, em que a vida apenas acontece. 

Parece um momento sem história ou uma rotina de quem espera o Verão mas se olharmos com atenção conseguimos ver mais que isso. 

Talvez o amor, quando ele não se mede pela intensidade mas apenas pela proximidade. E pela cumplicidade.

 

 

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publicado por Laurinda Alves às 21:13
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Sábado de manhã na Ribeira

 

 

 

 

O Mercado da Ribeira ao sábado de manhã é um mundo fascinante onde apetece entrar e demorar. Gosto do pátio central, pela luz que incide sobre alamedas coloridas e perfumadas de frutas, legumes e ervas de cheiro. Mas também gosto das ruas paralelas do mercado onde 'moram' as mesmas vendedoras de sempre, que vendem ali o seu peixe há mais de vinte anos.

 

Esta manhã os linguadinhos que hei-de fritar e comer com arroz de tomate, os robalos para fazer durante a semana com limão e sal na prata e o pregado para assar no forno, foram comprados na banca da Teresa, uma mulher que nos atende sempre com a alegria e a familiaridade que só se tem com os amigos de longa data. Na banca da Teresa todos nos sentimos os seus clientes favoritos.    

publicado por Laurinda Alves às 12:36
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Uma vida cheia

(crónica do Público de hoje)

 
 - Hoje conto-lhe coisas de que quase nunca falei e nem sei bem porquê. Calhou assim. Coisas que vivi há muitos anos, sabe?! Em África com o meu marido, nas longas viagens de navio que fizemos juntos, e mais tarde na Gorongosa e também nos faróis que há ao norte de Moçambique.
 
Gosto de faróis e a ideia de me contar histórias vividas nos faróis do norte de Moçambique encantou-me. Instintivamente peguei num lápis (tenho sempre lápis comigo e alguns dos livros que leio andam com lápis dentro) e comecei a escrever o que me contava. Episódios avulsos passados há sessenta anos mas recordados como se tivessem sido vividos ontem.
Estou sentada ao lado de uma bela mulher de mais de oitenta anos, com uma memória surpreendentemente fresca e um pensamento invulgarmente afinado. Está deitada numa cama de hospital há alguns dias e talvez não possa sair do quarto tão cedo, mas nem por isso deixou de cuidar de si. Muito elegante e coquette, usa cremes de marca e uma maquilhagem discreta e luminosa. Não dispensa três gotas de um bom perfume mas o seu preferido é aquele que o filho lhe compra há anos sem fim. Põe batôn todos os dias mas gosta de usar um quase sem cor, apenas para dar mais brilho e expressão à boca.
Tem pele branca, olhos claros muito vivos e uma cara quase sem rugas. Apenas os traços naturais da expressão, marcada por um vinco ou outro que denuncia certamente a passagem dos anos mas sublinha especialmente a lucidez de espírito e a rapidez de raciocínio.
Tem um porte altivo, vagamente aristocrático, que não cultiva mas a faz parecer muito mais alta do que é, e tem uma ironia fina que tenta compensar com uma atitude simples que, essa sim ela cultiva, e a torna realmente cativante. E é este misto de capricho e mimo permanentemente atravessados da tal simplicidade inteligente, que prendem e fazem dela uma mulher invulgarmente nova e fresca apesar de tanta vida vivida.
É incrível como a vida passa por certas pessoas sem lhes vergar os ombros, sem lhes quebrar o rosto contra o tempo e sem deixar vestígios de sombra ou ressentimento.
Sei que sofre, que às vezes tem dores e muitas angústias. Também sei que a combinação de um pensamento fulminante e de uma memória prodigiosa que recorda oitenta anos de histórias como se tudo fosse de agora, pode ser uma combinação perversa para quem está numa cama de hospital, sem saber ao certo o que está para vir. Mas apesar de saber tudo isto também sei que esta mulher é forte e grande no sentido maior do termo.
Poucos dias antes de ser internada pela primeira vez, leu um livro de seiscentas páginas em quinze dias e agora, que já não consegue ler com a mesma facilidade, gosta que lhe leiam em alto. Gosta particularmente de Sophia, pela poesia e também por ser uma mulher da sua idade, que habitou espaços distintos e cumpriu um destino diferente do mas viveu o mesmo tempo que ela própria viveu e, por isso, passamos tardes inteiras com os seus livros.
Ela fecha os olhos e fica a ouvir, num silêncio comovido a descoberta das grutas de Sophia.
 
Um fio invisível de deslumbrado espanto me guia de gruta em gruta. Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror de penetrar na habitação secreta da beleza, terror de ver o que nem em sonhos eu ousara ver, terror de olhar de frente as imagens mais interiores a mim do que o meu próprio pensamento.”
 
Suspendo a leitura por breves segundos, para me certificar de que me acompanha e não estou a ir depressa demais. Sei que esta passagem a conduz fatalmente através dos seus próprios pensamentos e que a última frase faz eco dentro de si. Não a deixo demorar muito porque sei o que agora a assusta. Retomo a leitura e ela sorri porque percebe a minha intenção de a levar de volta ao mar e às grutas.
 
Deslizam os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso gargantas de pedra e a arquitectura do labirinto paira roída sob o verde. Colunas de sombra e luz suportam céu e terra. As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes.(…) Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu. O meu olhar tornou-se liso como um vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.” 
 
Ela fala ainda sem abrir os olhos, como se também lhe fosse difícil sair daquela gruta e voltar à superfície. Diz que Sophia a transporta para outros mares de águas quentes e transparentes. Pouso o livro e pego outra vez no lápis. E ela conta-me como eram as longas viagens de navio, as festas e os bailes, as toilettes das raparigas e a vida que vivia em África. Sabe de cor os nomes completos das amigas e até de alguns oficiais e comandantes (e suas mulheres) que trabalharam com o marido e os acompanharam nestas missões. E também sabe o nome poético de um marinheiro aventureiro que caçou um crocodilo à noite e veio de manhã oferecer-lhe a pele, para que ela a pudesse guardar conservando, ao mesmo tempo, no seu coração o gesto e a intenção com que ele lhe trazia aquela pele de crocodilo. 
Não posso dizer aqui tudo o que ela me conta ali na intimidade do quarto de hospital que agora é o seu lugar no mundo e é onde chegam e partem todos os que ela ama e a adoram.
Filho e filha, netos e netas, genros e amigos entram e saem todos os dias, a toda a hora, porque não sabem nem querem passar sem a sua presença. Ela acolhe-os a todos com sorrisos e perguntas. Ri facilmente mas também encolhe os ombros quando lhe dizem certas coisas. Quando está mais cansada fecha os olhos e deixa-se ficar quieta e calada. Guarda para dois ou três as suas lágrimas difíceis (nunca foi de chorar) e tenta que nem todos percebam o que lhe vai na alma.
O tempo de hospital é um tempo denso e espesso. Vazio de sentido mas cheio de pavores e temores, não é fácil contar ali as horas e os minutos. As noites em branco demoram a passar mas ela tem tido a sorte de não ter muitas noites destas.
Atentas, as médicas vigiam o seu sono e controlam as suas dores. Os enfermeiros e auxiliares tratam-na como se fosse família, com ternura e dedicação, e ela reconhece que de certa forma está no céu. Um céu estranho, asséptico e cheio de rotinas que não lhe apetece nada, mas ainda assim uma espécie de céu. Conforma-se mas tem vontade de escapar rapidamente desta realidade.
 
Uma vez fomos de jipe pelo mato, eu ia sentada atrás, e um leão cruzou o nosso caminho. Não era uma leoa, era um leão! Estava a esta distância, como daqui até à janela” e desenha o gesto no ar para indicar a escassez de metros.
“Parámos e eu saí da parte de trás do jipe e sentei-me ao lado do guia, veja bem a minha inconsciência.
- Não teve medo?
- Nenhum. E sabe uma coisa? O leão passou e foi embora. Só depois é que percebi o perigo que tinha corrido”. Ri como a criança aliviada que conta a história de um grande susto do qual só teve consciência depois.
 
“- E a vida nos faróis, como era?
 - Era uma vida de grande solidão. Os faroleiros viviam muito isolados, às vezes era só o faroleiro a mulher e um filho. Viviam anos assim. O meu marido era oficial de marinha e tinha que visitar os faróis para fazer inspecções e recolher informações para as suas missões hidrográficas na costa de Moçambique. Eu ia com ele e esses dias eram uma festa em casa da família dos faroleiros. Nunca havia ninguém, raramente recebiam visitas”.  
 
E conta como era o mar visto dos faróis de dia e de noite e como o marido adorava o que fazia. Diz que ele demorava naquelas paragens e fazia muitas viagens. Ela era muito nova, tinham acabado de casar, e ia com ele. Estava apaixonada, achava aquela vida diferente e fascinante. “Tudo era uma aventura permanente!”.
Acredito. Ouço o que me conta e viajo com ela, através do coração e dos olhos dela.
E são estes olhos por vezes interrogativos, que me fazem perguntas silenciosas para as quais não tenho resposta, e choram mesmo quando riem, que agora povoam os meus dias.
 
E é este olhar dela, tantas vezes inquieto, intrigado com uma vida que lhe parece absurdamente suspensa, que me interpela profundamente sobre o sentido da vida e me enche de certezas sobre a amizade, a verdade e a proximidade.  
publicado por Laurinda Alves às 13:20
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Indie Junior

 

 

 

 

Primeiro dia do Indie Lisboa, com 4 salas a passar filmes durante o dia e a noite. É o verdadeiro embaraço da escolha!

 

Esta tarde começa o Indie Junior, com produções independentes para os mais novos.

Às 16h no Fórum Lisboa (antigo cinema Roma) há um filme para maiores de 3 anos e no São Jorge passa O Filho de Rambow

 

Não conheço o filme mas a avaliar pela qualidade da programação desta 5ª edição do Indie Lisboa e na linha do filme que inaugurou ontem o festival, posso garantir que é seguramente uma boa alternativa para ir com crianças e jovens. Vi alguns traillers do Indie Junior e percebi que os realizadores, produtores e actores são 'muito à frente'. E os efeitos visuais e sonoros são tão espectaculares (ou mais!) como os dos melhores filmes de Hollywood.

 

Deixo aqui os links para o Indie Lisboa, para se poderem ver quais os filmes, as salas e as sessões daqui até dia 4 de Maio.

 

Indie Lisboa   Indie Junior

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publicado por Laurinda Alves às 10:08
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My Blueberry Nights

 

Recuperei o trailler de My Blueberry Nights do post anterior porque vale mesmo a pena. É fabuloso e não se pode perder. Espero que muito em breve esteja no circuito comercial.

 

 

 

Grande filme e grande estreia do Indie Lisboa! Uma escolha genial para inaugurar esta 5ª edição do festival de cinema alternativo. Muito bom!

Muitos parabéns à organização, que teve as salas cheias e já tem 11 mil bilhetes emitidos para os dez dias de festival. Começar com um record de bilheteira é muito gratificante e compensa todo o esforço feito para trazer uma amostra consistente do melhor cinema independente que se faz no mundo inteiro.

 

Faz toda a diferença ver excelentes actores como Jude Law ou Natalie Portman numa produção independente, filmados noutro ritmo, com outras cores, a dizer outras coisas. Ou se calhar as mesmas coisas mas de maneira diferente.

 

Que bom existirem cada vez mais e melhores alternativas ao cinema de Hollywood!

 

Este filme é um portento do ponto de vista musical, da fotografia, da direcção de actores e da interpretação de um argumento que, no papel, podia parecer apenas mais uma boa história de amor.

 

My Blueberry Nights tem uma história central onde cabem muitas histórias, onde as vidas se cruzam, as coisas acontecem e  o tempo importa. Os diálogos, o ritmo e a música são uma combinação vibrante. Apaixonante mesmo.

 

Vale a pena insistir na banda sonora, que é extraordinária e marca muito o filme, até porque as bandas sonoras de Wong Kar Way são também a sua imagem de marca. 

As vozes românticas de Norah Jones e Cat Power, e ainda o poder instrumental de Ry Cooder que, como alguém disse 'sabe como ninguém traduzir uma boa paisagem em sons', fazem de My Blueberry Nights um grande filme com uma grande banda sonora.

 

Não vou contar nada da história, para não perder o impacto. E também não vou dizer nada sobre Norah Jones, enquanto actriz, para não estragar a surpresa. Dito isto, acho que já disse mais do que o suficiente.

 

 

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publicado por Laurinda Alves às 01:00
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Filmes alternativos!

 

Tento resistir mas não consigo. É impossível não ficar suspensa da enorme comédia que são as movimentações de alguns dos potenciais candidatos a líder do PSD.

 

Santana Lopes entregou hoje uma folhinha singela, com duas linhas a dizer que sim, que avança. Sem quês nem porquês. Vai e pronto.

 

Jardim recuou porque é um general que conhece as suas tropas mas precisa de conhecer melhor o campo de batalha. Está algures, emboscado entre minas e armadilhas, 'a observar de binóculos' (Jardim dixit). 

À cautela vai dizendo que conhece 'todas as criaturas' que andam no terreno e garante que 'se vão suicidar todos'. Todos menos ele, note-se.

 

Se tudo isto não fosse tão trágico, era mesmo muito cómico.

 

Ainda bem que o Festival de Cinema Indie Lisboa começa esta noite e me convidaram para ser  júri do Prémio Amnistia Internacional. Nos próximos dias tenho garantidas outras realidades infinitamente mais criativas e estimulantes do que esta novela diária com actores que nem sabem as deixas certas, nem qual o seu papel no filme.

 

A estreia desta noite é  

My Blueberry Nights

 

 

 

do realizador chinês Wong Kar Way, e vou a correr para o São Jorge. Apetece imenso ver bom cinema alternativo. E, passe a redundância, ter esta alternativa muito mais cinematográfica, com actores muito mais inspirados e inspiradores...

 

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publicado por Laurinda Alves às 20:52
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Lobo Antunes na LER

 

 

 

A revista LER voltou às bancas com novo alento e novo formato. Mais quadrada do que era antigamente, quero dizer.

 

Sempre gostei muito da revista LER e é bom saber que está de volta. O primeiro número desta nova edição tem uma grande entrevista a António Lobo Antunes. Pela entrevista ao escritor, pela crónica de José Eduardo Agualusa e por muito mais, vale a pena ler a LER.

 

Para já só tenho duas críticas a fazer e ambas têm mais a ver com a forma do que com o conteúdo: 

 

1. o tamanho reduzido da letra atrapalha a leitura mesmo para quem, como eu, tem a sorte de não precisar de óculos.

2. o feitio quadrado é graficamente sedutor mas é um bocado chato porque o tamanho das páginas não dá jeito nenhum. Tornam-se pesadas de lado, enrolam para baixo e têm tendência para escapar das mãos. É difícil encontrar um ponto de conforto e equilíbrio para a leitura, portanto.

  

Mas tudo isto são pormenores. A entrevista de Carlos Vaz Marques está óptima, os cronistas são muito bons e a informação sobre livros pareceu-me um bom compromisso entre clássicos e contemporâneos. Gostei das imagens da Biblioteca Gulbenkian onde por acaso estive ontem à tarde. 

 

 

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publicado por Laurinda Alves às 15:51
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Os incorrigíveis

 

Na vertigem do momento e no delírio do protagonismo algumas figuras do PSD excedem-se nos comentários e na pose.

 

Ribau Esteves, o rapaz que diz enormidades para as câmaras de cara alegre e sorriso contentinho declarou à entrada para a reunião do Conselho Nacional, com toda a solenidade de que é capaz, que "vamos ver quem é que terá o meu apoio". Vamos ver.

 

António Neto da Silva, com ar grave e sério, deu uma longa entrevista à RTP N enquanto decorria a reunião do Conselho Nacional declarando sem se rir, insisto, que "sou o único candidato de facto que pode dizer alguma coisa diferente aos militantes do PSD, sou o que melhor pode responder aos anseios das bases, sou o único livre de compromissos e estou disponível para pegar no partido já amanhã!".

 

Esqueceu-se de dizer que também é o único que não percebe que estar 'livre' do apoio das estruturas concelhias e distritais do partido é estar fora da corrida. Nem sequer é estar no último lugar da grelha de partida, é estar do lado errado, disposto a correr em sentido contrário.

 

Quanto a pegar no partido já amanhã (esta madrugada, suponho eu dado o adiantado da hora) percebo que o facto de não ter assento no Conselho Nacional, lugar onde estas e outras coisas se decidem (justamente pela madrugada dentro) acrescente mais tempo ao seu tempo e dê ainda mais disponibilidade à sua disponibilidade.

 

Alberto João, o único (este sim!) que se faz tratar pelo duplo nome próprio com que foi tratado durante toda a infância e adolescência, aterrou em Lisboa e no Conselho Nacional entre duas nuvens: a nuvem de jornalistas e fotógrafos habitual e uma outra, mais nebulosa e rara, feita de um silêncio grandiloquente. Chegou muito caladinho, deve vir aí asneira. 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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