Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Golos e poemas
 
Os jogos de futebol são um excelente pretexto para juntar amigos em casa e fazer longos serões que nos salvam dos dias de chuva e do tédio de certas rotinas.
No Benfica/Sporting os nervos e o despique que dividia as claques não deram para mais nada a não ser descontrair no fim e escolher em que casas, de que amigos, queríamos ver os jogos da Liga dos Campeões na terça e na quarta passadas. A seguir à casa do Miguel, veio o sótão acolhedor do Paulo e, depois, a minha sala para o jogo entre o Manchester e o Milão. Depois dos três golos difíceis de encaixar (para este grupo, pelo menos), decidimos desligar a televisão e ficar simplesmente à conversa, entre petiscos e músicas avulsas tocadas ao piano pela Sara, que acabou de vir da Polónia onde cantou pela primeira vez sozinha perante uma multidão que enchia os sumptuosos jardins do palácio Natolin de Varsóvia.
Irritado com o mau futebol, o Duarte desistiu do jogo muito antes dele acabar e ficou distraidamente a percorrer as estantes dos livros. Discretamente foi tirando um e outro e pousou-os na sala pequena de tectos esconsos. Fomos ficando por ali a ouvir a Sara tocar e, naquele embalo doce, as conversas foram ficando também mais íntimas e profundas. Ao fim de uma noite de lua cheia, transbordante de cumplicidades, risos e poemas lidos em alto, foram embora. Depois dos últimos terem saído fui incapaz de arrumar aquela sala que, sem nos darmos conta, se transformou numa paisagem fascinante de despojos de um dia incrivelmente bem vivido. Nas almofadas espalhadas pelo chão e em todas as cadeiras havia pequenas pilhas de livros, deixadas por cada um dos presentes que leu em alto versos e textos escolhidos sem ser ao acaso.   
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publicado por Laurinda Alves às 20:47
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As Vidas dos Outros
 
Um filme que não se deve perder de maneira nenhuma. Uma história que todos sabemos e reconhecemos no passado recente: 1984, o mítico ano de George Orwell e a realidade da RDA antes da queda do muro. Ou seja, as vidas milimetricamente investigadas pela tristemente célebre Stasi, as perseguições políticas, a violência radical de um estado vigilante que não consente o mais pálido sopro de liberdade. Dito assim, parece um filme denso e difícil, quase um documento. É, de facto, um filme que nos interpela e obriga a voltar a um tempo que não apetece reviver e preferimos recordar como um tempo muito remoto. Mas o filme é muito mais do que um retrato de época, é a história de um homem bom que nos marca pela transformação, pela humanidade e pela atenção que vai revelando nos gestos e nos olhares que começam por ser gelados e desumanos. A história é contada a partir da relação de amor que liga um jornalista-escritor a uma grande actriz que é, ao mesmo tempo, forte e frágil. E é esta força e esta fragilidade sempre evidentes numa personagem profundamente dividida e permanentemente condicionada pelos caprichos dos poderosos do regime que nos conduzem ao longo do filme e nos deixam, no fim, a certeza de que “ há actos que gritam eternamente”, como escreveu Novalis, poeta alemão que falava a mesma língua dos personagens deste filme.   
 
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publicado por Laurinda Alves às 20:45
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