O movimento perpétuo dos astros e os ciclos da lua fascinam os homens desde que o mundo é mundo. Inspiram filósofos, pensadores e pastores. Nos livros de todos os séculos existem descrições prodigiosas, definições poéticas, impressões mais ou menos científicas sobre a lua e a sua influência. Sobre a luminescência das águas, sobre a luz que ilumina os montes e os vales e se derrama sobre as cidades nas noites de luar.
Nas janelas altas da casa onde moro existe um degrau de pedra onde me sento todas as noites. No silêncio observo ‘a espantosa realidade das coisas’ e essa é também ‘a minha descoberta dos dias’, como escreveu Alberto Caeiro.
Acompanhar a lua acesa no céu, ver a esteira de luz que estende sobre o rio e sobre as casas e seguir o seu rasto lento até desaparecer no horizonte escuro é uma experiência exaltante e um tempo sagrado. Amanhã é noite de lua cheia e, por isso, hoje escolho e deixo aqui uns breves versos de Homero, depois do discurso de Heitor aos Troianos, feito ‘em sítio puro’, após o anoitecer.
“(…)quando no céu os astros em torno da lua luminosa
aparecem com nitidez, quando o ar não tem sopro de vento,
e à vista surgem todos os cumes, os altos promontórios
e as florestas; do céu se rasga o éter infinito, todos os astros
se tornam visíveis e em seu coração se alegra o pastor”.
In Ilíada, Canto VIII