Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
E finalmente a entrevista de Jorge Colombo

 

 

Aqui fica, finalmente a pequena entrevista que fiz a Jorge Colombo na semana passada, na noite da inauguração da sua exposição Lisboa Revisitada. Deixo também as crónicas do Público de sexta, que começam justamente por um texto sobre o Jorge e esta exposição. O outro blog está em fase de acabamentos...

 

Crónicas do Público

 

Na semana passada escrevi um post scriptum sobre Jorge Colombo a propósito da iniciativa Urban Sketchers e esta semana dei comigo a reparar nesta espécie de convocação cósmica que de alguma forma o trouxe a Lisboa uma semana antes de ele próprio chegar para a inauguração da sua exposição de fotografias na Casa Fernando Pessoa.
 
Jorge Colombo é um artista versátil e performativo que nunca deixa de surpreender, seja quando desenha, quando escreve, quando filma ou quando fotografa. Conheço bem a sua obra nestes quatro modos e assumo a minha devoção pela sua arte. Gosto da impressão digital que Colombo deixa em tudo o que faz e da diferença que marca num mundo cheio de artistas mais ou menos talentosos.
 
Conheço o Jorge há quase trinta anos (meu Deus!) e acompanho o seu percurso desde que nos tornámos amigos. Em Lisboa, no jornal Independente onde trabalhamos juntos, em Chicago onde fui ‘morar’ uns tempos em sua casa, ou depois em N.Y onde ainda este ano passeámos juntos pelas avenidas e jardins, existe sempre entre nós a proximidade real dos amigos antigos para quem o tempo, a ausência física ou a distância geográfica jamais se traduzirão por perdas. Muito pelo contrário.
 
Jorge Colombo veio a Lisboa inaugurar a exposição Lisboa Revisitada, 52 fotografias inspiradas em poemas de Álvaro de Campos e vale a pena passar por lá e rever esta cidade pelo olhar de Colombo, inspirado na poesia de um dos heterónimos de Pessoa (www.jorgecolombo.com/lisboarevisitada)
 
Quem lê o quê
 
Nestes tempos em que nos oferecem um jornal em cada esquina e nos estendem o braço para dentro dos carros, e até dos táxis, para deixar umas folhas impressas com as últimas do dia ou da semana, confesso que sou das que recusam educadamente as ofertas e continuam a ir à banca dos jornais comprar aquilo que me interessa.
 
Fiel ao Público (e não apenas por ser colaboradora, note-se!), a alguns semanários e revistas nacionais e estrangeiros, prefiro ler segundo os meus critérios do que seguir os dos outros. Não que os meus sejam melhores que os deles mas simplesmente porque são os meus.
 
Nesta lógica sigo a actualidade através dos jornais e telejornais que escolho e não pelos que me escolhem. Gosto mais assim. E dou-me bem com o sistema. Prefiro duas boas páginas com textos factuais e analíticos sobre os acontecimentos e protagonistas do momento do que o condensado de notícias avulsas e tantas vezes acríticas que abundam na maior parte dos gratuitos.
 
Não tenho nada contra esta versão de jornais e jornalistas que escrevem pequenos textos anónimos, simplesmente pertenço a uma geração que gosta de ler o que está escrito e saber quem o escreveu. E gosto de editoriais, crónicas e polémicas assinadas com aquela assinatura que sublinha o que fica escrito. Sei que corro o risco de parecer que sou contra os gratuitos mas não sou. Sou é radicalmente a favor dos jornais pagos e do jornalismo com cara e nome próprio.Embora haja muitos nomes e caras que admiro e respeito nos gratuitos continuo a preferir os que são pagos. Manias.
 
O sono, os sonhos e outras felicidades
 
O sono e os sonhos são temas recorrentes de conversas entre quem se conhece mas também entre quem se desconhece. É curioso ver como um e outros prendem a atenção das pessoas em lugares públicos. Nas filas para chegar aos guichets das repartições, nas salas de espera de consultórios e no Metro ouço fragmentos de conversas sobre o sono e os sonhos.
 
Fascina-me a matéria mas ainda mais a facilidade com que se estabelece um diálogo a partir destas duas palavrinhas mágicas. Prefiro os sonhos mas raramente encontro quem os saiba decifrar e por isso acabo por me deter mais no sono. Ou nas insónias, que é um sub-tema que acaba sempre por minar as conversas e desvalorizar o tema principal.
 
Antigamente as pessoas falavam com naturalidade do estado do tempo e a amplitude meteorológica parecia ser o assunto que mais as apaixonava nas conversas de ocasião. Agora não. Os sonhos e a tal decifração cósmica vão muito à frente. Ainda bem, prefiro explorar a substância desta sub-existência do que divagar sobre o nevoeiro da manhã e a chuva da tarde.
 
A propósito desta sucessão extraordinária de conversas a que tenho assistido sobre estas e outras felicidades, deixo aqui os pensamentos de Adriano sobre o mistério específico do sonho. Já que não posso entender todos os sonhos da humanidade, gosto de aceder aos pensamentos dos homens. De alguns homens.
 
“O que me interessa é o inevitável mergulho a que se aventura todas as noites o homem nu, sozinho e desarmado, num oceano onde tudo muda, as cores, as densidades, o próprio ritmo da respiração, e onde encontramos os mortos. O que nos tranquiliza no sono é que se sai dele, e que se sai sem qualquer mudança, pois que uma extravagante interdição nos impede de trazer connosco o resíduo exacto dos nossos sonhos. O que nos tranquiliza também é que ele cura a fadiga, mas cura-nos, temporariamente, pelo mais radical dos processos, arranjando as coisas de maneira que deixamos de existir.” (in Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar).
 
Green Gym
 
A Green Gym é uma ideia verde, fresca e musculada, inventada pelos ingleses há dez anos que começa a ter cada vez mais adeptos. Concebida pela British Trust for Conservation Volunteers, uma organização de preservação da natureza cujo site é www2.btcv.org.uk/display/greengym, esta forma de ginástica ao ar livre é, ao mesmo tempo, uma forma de voluntariado e contributo social.
A Green Gym aposta nas pessoas que querem manter-se em forma mas detestam ginásios, máquinas e fatos de lycra. “You could be helping the environment as well as yourself!”, é um dos lemas desta organização que sabe que a esmagadora maioria das pessoas deveria fazer mais exercício físico e passar mais tempo ao ar livre.
Especialistas em ambiente, jardins e espaços verdes treinados em modelos de ginástica muito completos orientam os voluntários da British Trust for Conservation e estabelecem esquemas de trabalho físico e ‘agrícola’ por assim dizer. A jardinagem é cientificamente feita a pensar nos movimentos de aquecimento, de alongamento, de treino cardiovascular e de relaxamento. Parece impossível? Parece, pelo menos estranho mas a verdade é que funciona.
Os parques ingleses supervisionados por esta instituição estão impecavelmente cuidados e os voluntários incrivelmente em forma. As sessões duram 3h e qualquer pessoa se pode inscrever desde que não tenha alergias a plantas. Gira, a criatividade destes ingleses.     
  
publicado por Laurinda Alves às 13:23
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3 comentários:
De Marta Martins a 19 de Janeiro de 2009 às 14:37
Citando anterior post:
'les beaux esprits se rencontrent'
Comprovo-o na minha vida, cada vez mais.
Quando nos alinhamos com a nossa verdadeira natureza, quando estamos em paz - acontece!
De fernando alves a 19 de Janeiro de 2009 às 20:56
também gosto muito das coisas que o jorge colombo faz e há anos que acompanho o sítio dele na internet. um outro que também adoro é o vasco colombo www.vascocolombo.com
De Madalena Munõz a 22 de Janeiro de 2009 às 23:18
Green Gym em Portugal! Começamos HOJE!
Laurinda, nem quiz acreditar neste post, pois eu detesto ginásios e criei recentemente o Programa de Exercício e Saúde chamado R´EQUILIBRIO que consiste, entre outras coisas, num modalidade de Greem Gym! Veja aqui a descrição da iniciativa:
http://consultoriodenutricao.blogs.sapo.pt/34296.html.
Se quiser, junte-se a nós!
Um beijinho,

Madalena Muñoz (nutricionista, www.madalenamunoz.com)

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