Sexta-feira, 18 de Maio de 2007
A eleição de Sarkozy
 
Ali Magoudi, psicanalista francês, autor de “Rendez-vous: la psychanalyse de François Mitterrand”, entre outros livros sobre a política e os políticos, foi chamado a comentar a eleição de Nicolas Sarkozy e a derrota de Ségolène Royal.
“Porquê ele e não ela?” foi o ponto de partida de uma conversa entre Magoudi e uma jornalista da revista Psychologies.
Na opinião mais ou menos freudiana deste psicanalista, Sarkozy contrariou a atitude dos seus antecessores, que tradicionalmente encarnavam a figura do pai e inaugurou a ‘lógica do irmão’. Uma espécie de irmão mais velho com os quais os franceses se identificam muito mais e do qual se sentem mais próximos.
- Essa foi uma das mensagens que os eleitores perceberam melhor?
- Sim. A identificação funcionou porque Sarkozy assumiu muitas rupturas na sua vida. Assumiu a condição de filho de imigrantes, as adversidades na infância, o abandono do pai e todas as suas vicissitudes amorosas, dizendo que a vida é isto mesmo.
Magoudi acha que o facto de Sarkozy ter assumido os seus traumas sociais e as suas feridas emocionais, por assim dizer, foi decisivo porque o aproximou de mais de metade dos eleitores comuns. Ao mesmo tempo mostrou que foi sempre capaz de fazer das fraquezas, forças.
Ou seja, provou que um passado difícil pode ser um motor de transformação e superação. Neste sentido, Magoudi considera que o actual presidente conquistou uma França resiliente. Na teoria do psicanalista, os franceses que votaram em Sarkozy sentiram-se seguros por acreditarem que, tal como ele, também têm em si a capacidade de se transcenderem. Nesta lógica, aparentemente há 53% de franceses que aceitam como boa a ideia de um “eu triunfante”.
- Enquanto Ségolène falava de uma mudança individual a partir de uma mudança de padrões e estruturas colectivos, Sarkozy declarou que cabe a cada um adaptar-se às circunstâncias.
Nos antípodas de toda e qualquer especulação metafísica, como sublinha Magoudi, Sarkozy apelou a trabalhar mais, para ganhar mais e obter mais satisfação, e foi esta ideologia do pragmatismo que conquistou mais de metade de uma sociedade altamente individualista e consumista.
Finalmente, Magoudi considera que o actual presidente encarnou o sonho francês de ser um imigrante completamente integrado. De certa forma a sua eleição fez dele um herói e, mais uma vez, deu a ilusão de que todos são heróis potenciais. Seja.
 
publicado por Laurinda Alves às 22:05
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