
Leituras numa noite de temporal, ao som de Feist e também dos Kings of Convenience (que são uma espécie de Paul Simon & Art Garfunkel, versão anos 2000), em que apetece ficar em casa a ler e a ouvir música. Ao meu lado alguém vê o jogo da Liga Italiana sem som. Está a nevar a sério e a bola desenha sulcos escuros num relvado cada vez mais branco. O campo parece um mapa esquisito e a coisa tem a sua graça. Fiz uma pausa na leitura para deixar aqui um parágrafo de Sementes Mágicas de V.S.Naipaul. Fui ouvi-lo no sábado passado à Gulbenkian e depois apeteceu-me ler este último livro. Ainda vou no princípio mas estou a gostar.
Às vezes, durante uma tempestade, árvores belas e antigas ficam desenraizadas. Não se sabe o que se há-de fazer. O primeiro sentimento é a fúria. Começa-se a procurar um inimigo. E depois com uma enorme rapidez começa-se a compreender que a fúria, por mais reconfortante que seja, é inútil, que não há nada ou ninguém com quem nos possamos enfurecer. Temos que encontrar outra maneira de lidar com a perda.
De Anónimo a 30 de Novembro de 2008 às 00:57
isto.....
este...
post seu
é, sem dúvida,
A Substância da Vida ..........................
De Anónimo a 30 de Novembro de 2008 às 02:21
Hi Laury,
Estou aqui a começar a manhã em BKK, com tudo a dormir na casa.
Depois da aventura de entrar, via Kuala Lumpur, Malásia, teremos ontem assegurado, até ver, a garantia de sair na ^3a para a Birmânia.
Ontem grande dia de visita em BKK, aos templos, palácios, etc. a terminar com mega sessão de massagem
Thai.
Manda isto ao Migalha.
E logo aninhos!!!!
Não te esqueças que a fase antes dos anos é saturnina, ou seja pesada, e o dia de anos vira.
Responde para meu mail do costume, eu é que estou sem o teu no Outlook da net.
Bjs
Du
Laurinda, vim aqui no meio da dor cpmpo quem vagueia. Na tempestade o Senhor levou a minha Mãe para junto Dele. A fúria é mesmo inútil!
Ainda não passei por essa dor mas tento pensar como diz e acredito que seja a única maneira de lidar com tão grande perda. Estou consigo. Obrigada pela confiança enorme da sua partilha. Um abraço demorado e sentido.
De concha a 30 de Novembro de 2008 às 13:02
Sara e Teresa!
Nestas alturas, infelizmente por experiência própria, qualquer palavra soa demasiado longe daquilo que vivemos .
Desejo no entanto força e a confiança de que nada aqui é em vão .Ficam sempre lembranças e nestes momentos é importante lembrar tudo o que foi bom e a satisfação de que o que fizemos e é sempre pouco, o fizemos num determinado contexto e do modo melhor que na altura sabíamos.
Um abraço grande de coração para coração .
Gosto de ler estas suas crónicas,em tom íntimo,como se estivesse a ouvi-la.sentado a lareira,a ver as mesmas árvores,a espreitar,para as páginas do livro que lê
Um bom domingo
e eu a ver esse mesmo jogo, em milão, com neve!
De Augusto Küttner de Magalhães a 2 de Dezembro de 2008 às 14:06
Laurinda esta frase pode ou deve ser aplicada em tantas outras situações:
- "Temos que encontrar outra maneira de lidar com a perda"....interessante!
De Ana Duarte a 5 de Dezembro de 2008 às 11:28
Olá amiga Laurinda,quase que me atrevia a dizer "alma gémea" e perdoe a ousadia. Sinto muitas vezes uma sintonia imensa com o que escreve. Hoje foi mais um desses dias, sinto também um deslumbre imenso pela descoberta do outro através do que escreve e publica. Sou novata ,por incrível que pareça nos dias de hoje, nisto de blogs. Estou a descobri-los. Sempre que posso leio o que escreve, "conheço-a" desde o tempo da Xis, somos exactamente da mesma idade, temos o mesmo amor profundo pelos filhos/família e a mesma preocupação pela dor e sofrimento do outro ( o voluntariado nos cuidados paliativos é gratificante,acredito) a mesma admiração pelas palavras do P. Vasco Pinto de Magalhães que são vida e amor.Enfim é bom poder contar sempre com as suas opiniões na certeza de que diz o que pensa, vive o que acredita e dá o que Deus lhe pede que dê. O dom da gratuidade é sem dúvida aquele que que mais insistentemente deveriamos suplicar a Deus que nos agraciasse.Bem Haja pelo bem que transmite a todos os que a rodeiam. Acredito que é contagiante e inspirador. Parabéns pelo aniversário, pela família, pela mãe e pelo pai, por não ter vergonha de dizer que os ama e depende deles para ser feliz e fazer os outros felizes. É preciso saber aceitar para poder dar. Muito obrigado.
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