Ontem o serão de Mornas e Fados foi uma emoção. Só houve vozes femininas a cantar, acompanhadas por mãos masculinas a tocar. Muito bom e muito tocante. Acabámos a cantar todos com elas.
Celina Pereira, cantora, poeta e uma das grandes embaixadoras culturais de Cabo Verde é a coordenadora musical destes serões à terça na Casa da Morna. A ideia de "Entre Fados e Mornas" é promover o diálogo intercultural através deste diálogo musical tão alegre, tão vibrante e tão inspirador.
A noite foi um verdadeiro desfile de talentos. Começou com mornas cantadas pela própria Celina Pereira seguida de fado pela voz de Carminho Seabra e guitarras de Diogo Chang e Zizo. Celina foi apresentando as cantoras uma por uma: Titina, Maria Alice, Rita Lobo e Sandra, acompanhadas pelos músicos Paló e Djudjuti. Uma maravilha. Deixo aqui a morna cantada por Sandra, cantora muito nova, muito alta e muito bonita que canta de uma maneira diferente e muito envolvente. Havia pouca luz, coisa que torna tudo mais misterioso e cinematográfico. Valeu a pena acabar este dia neste embalo...
P.S.: não encontrei na net nenhum site ou blog pessoal da Carminho Seabra nem da Sandra e foi pena porque cada uma delas representa uma nova geração de cantores com um talento extraordinário. Adorei este mix de luxo, tão variado.
Numa manhã bem cansativa ,chegar aqui e ter este mimo das vozes da Celina Pereira e da Sandra, foi óptimo .Gosto muito de escutar a Celina P. e adorei escutar a Sandra. Muito obrigada por sempre nos surpreender com as escolhas aqui colocadas. Tudo de bom para si Laurinda.
Do seu blog o que mais me assombra é a diversidade de actividades, encontros, amigos, viagens. Nem todos temos a possibilidade de uma vida assim, e passamos a maior parte do nosso tempo/vida em luta. Pela sobrevivência, pela dignidade, pela saúde. Pela segurança e pela paz. Coisas que se constroem por dentro só depois de se estruturarem por fora, quando isso é possível. Há desertos longos de atravessar, Laurinda, tão longe de tudo isto que aqui conta. E às vezes dói saber destas distâncias.
Inês as minhas travessias do deserto são tão difíceis como as de qualquer outra pessoa. Tento vivê-las de forma construtiva, resistindo às tentações recorrentes de baixar os braços e desistir. E vivo os tempos de erosão na minha intimidade porque não é coisa que se partilha com todos e, muito menos, que se publique num blog. Daí, talvez, a ilusão de que a minha vida é mais fácil. Se olhar bem à abrangência dos 'meus' temas (coisa de que fala, aliás) percebe a substância dos meus dias a um nível mais profundo e adivinha nas entrelinhas essa mesma luta pela sobrevivência, pela dignidade, pela saúde, pela segurança e pela paz. Todos temos os nossos desertos, de facto, e acredite que eu não sou excepção. Um abraço!