Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
O silêncio do fim do dia

(já depois de ter escrito este post recebi o mail de um amigo querido e solidário a mandar-me este arco-íris. Obrigada Miguel, gostei muito.)

 

Gosto do silêncio e procuro-o com frequência porque preciso dele para regenerar, para recuperar a energia, para processar tudo e tanto que os dias trazem. Certos dias, quero dizer. Dias como o de hoje, onde coube uma viagem de comboio sem história mas também as estórias de vida de pessoas que estão internadas no hospital, na Unidade de Cuidados Paliativos onde passo as tardes às terças. Não há nem haverá nunca palavras para dizer a profundidade de toda aquela realidade e, por isso, fico mais calada. Penso em cada uma das pessoas com quem me cruzo e nas suas famílias mas também nos que cuidam, nos que tratam e acompanham os doentes graves, incuráveis e terminais. A certeza de que existem estes profissionais é, para mim, uma espécie de seguro de consolo. Tranquiliza-me saber que um dia posso ser eu a precisar (ou algum dos meus) e ter com quem contar. Felizmente hoje tenho um jantar em que posso ficar mais calada porque vou com amigos ouvir fados e mornas, combinação musical que adoro. Agradeço a estes amigos do coração o convite para um jantar tão especial a uma terça-feira, o dia em que preciso deste embalo e de me sentir verdadeiramente em casa com os que amo.    

 

P.S.: Outro amigo querido, muito querido, também me escreveu um mail a contar que pescou esta barracuda de 9kgs na Guiné. Muito bom. Obrigada João,  por esta imagem poderosa e pelos mails tão coloridos nos meus dias mais cinzentos. Adorei o "estilo Hemingway".

   

 

foto de João Francisco Moura in Flickr

publicado por Laurinda Alves às 20:16
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5 comentários:
De Manuel Pereira a 25 de Novembro de 2008 às 20:55
é um descanso merecido,é muito duro,assistir ao sofrimento das pessoas,e sentirmos,que pouco podemos fazer
Bem haja
De Marta Martins a 25 de Novembro de 2008 às 21:10
Adoro arco-iris...
Um dia espero tornar-me num ;)
Digo sempre aos aos meus filhos que um dia me procurem lá...
Quanto ao silêncio e à reserva que devemos procurar no dia-a-dia (não necessáriamente no fim do dia) é vital para deixar que as coisas assentem em mim.
Obrigada.
De Su a 25 de Novembro de 2008 às 21:31
Que seja um jantar maravilhoso!
Um beijo
De Ana C. a 25 de Novembro de 2008 às 21:33
Como entendo tão bem essas palavras que não se conseguem dizer. Sinto tanta falta dos longos silêncios em que tudo se fala apenas dentro de nós. Há coisas que se sentem apenas, que não se dizem...
De Augusto Küttner de Magalhães a 27 de Novembro de 2008 às 15:53
Acredito que uma noite depois de um dia passado nos Cuidados Paliativos, possa ser dificil, possam surgir tantas ideias cruzadas na Sua cabeça! Ver tantos a sofrerem, e as suas famílias! Por vezes porventura o ideal será ouvir o silêncio, porque por experiência sei, que em dadas alturas, com um pensamento menos confortável a "bater-nos" não conseguimos esquecê-lo mesmo com muita alegria em nossa volta...

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