
A Byblos, a maior livraria do país, fechou ontem e a notícia é triste
e inquietante. Sempre que uma empresa é obrigada a fechar as
portas e a despedir uma equipa inteira fica a angústia de saber
qual o futuro das pessoas despedidas, e a certeza de perceber
ainda com mais evidência as fragilidades em tempo de crise. É
uma pena que a Byblos tenha acabado por todas as razões mas
acima de tudo por representar o fim de um grande sonho. Alguns
poderão dizer que era um sonho desmedido mas eu sou das que
acreditam que é possível sonhar alto e, por isso mesmo, custa-me
o fim deste projecto e imagino que Américo Areal, o administrador,
e a sua equipa estejam profundamente desconsolados com o fecho.

Imagens como esta não se vão repetir no espaço da livraria Byblos
que, para mim, era um espaço único, muito bem organizado e cheio
de inovações tecnológicas que resultavam muito práticas e eficazes.
Passei muitas horas na Byblos com o meu filho, numa das secções
preferidas de partituras e música clássica, e também participei em
muitas apresentações de livros com autores, seguidas de debates
animados e alegres em que a proximidade entre escritores e leitores
era total. Gostava dessa intimidade e dessa cumplicidade entre uns
e outros e sei que a relação fácil e próxima era uma aposta da Byblos.
Tenho pena sincera que a livraria tenha fechado e deixo aqui um post
solidário com a equipa Byblos que apesar deste triste desfecho teve o
condão de realizar alguns sonhos que a todos pareciam impossíveis.
Na minha opinião, a localização da Byblos não ajudava a que houvesse mais procura...
O m/ último livro, Cerejas de Celuloide, foi apresentado em Lisboa na BYBLOS. Encontrei ali bom acolhimento e bom ambiente. Agradeço isso aos dirigentes. Até que ponto o projecto da livraria era megalómano... não sei, parece que era. Foi muito agradável enquanto durou. Aparentemente é um exemplo do que se não deve fazer e que se faz nesta época com a maior frequência: viver acima e muito acima das s/ possibilidades. O que se verifica - tenho muita pena - é que durante um certo tempo resulta e toda a gente está feliz - os envolvidos directamente e que realizam o s/ sonho e aqueles a quem se destina, como neste caso, em que era prestado um bom serviço ao grande público. Depois, há o momento em que alguma coisa faz esplodir o edifício construido com insuficientes alicerces... Assim aconteceu com o Imobiliário na América e noutros países. Na verdade, os sensatos têm razão. Por que não voltamos um bocadinho atrás e recomeçamos a pensar e a viver confiando na própria inteligência e natural prudência?
De Anónimo a 26 de Novembro de 2008 às 18:25
Boa tarde a todos.
Infelizmente tenho de concordar com o Pedro Lérias. Trabalhei desde no início neste projecto da Byblos e quase até ao seu final. Sim, "quase" porque devido às muitas dividas que acumularam fui forçado a saír. Também tenho muito pena que a livraria tenha fechado. Certamente que todos estão tristes e desiludidos com este final.
Mas apesar de todas estas lamentações, há muitas verdades que têm de ser ditas. Refiro-me, por exemplo, a algumas coisas que referiu o Pedro Lérias — o enorme desrespeito pelos livreiros e fornecedores.
Todos têm o direito a sonhar (ainda não se paga), mas quando se quer concretizar os sonhos, é preciso que se tenha a necessária ponderação para não prejudicar ninguém. Lamento o desemprego dos muitos colaboradores, mas convém não esquecer também os muitos fornecedores!
O sr . Américo Areal deve-me muitos milhares de euros (muitos mesmos) e apesar da elevada dívida sei que há casos muito mais graves!
Compreendo a tristeza dos muitos participantes neste forum , mas é bom que saibam que o sr . Areal com o seu sonho prejudicou muita e muita gente da cultura!!!
E eu sou um deles! E agora, onde está o sr . Areal? Claro, desapareceu! SR. AREAL, E AGORA QUEM PAGA OS SEUS SONHOS FRUSTADOS ?! É, de facto, muito triste...
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