Luís Sepúlveda, chileno, 57 anos, 16 livros publicados e autor de O Velho que Lia Romances de Amor, um êxito universal traduzido em 42 idiomas, foi o anfitrião de mais um encontro de escritores em Gijón. Este ano a décima edição do Salão do Livro Iberoamericano foi dedicada à literatura infantil e juvenil mas nem por isso deixou de juntar alguns dos grandes escritores e poetas contemporâneos que cruzam fronteiras e se encontram numa língua que lhes é comum ou, pelo menos, familiar.
Algumas sessões e mesas redondas foram particularmente inspiradoras mas o mais divertido nestes encontros é, quase sempre, a comunhão que existe durante os almoços, jantares e serões improvisados em cada momento.
Sepúlveda estava de serviço e, por isso, pouco disponível durante o dia. À noite, mais descontraído, contava as suas histórias e fazia rir todos os que estavam à sua volta. O círculo de amigos foi ficando cada vez maior e mais cúmplice.
Mário Delgado Aparaín, o escritor uruguaio com quem Luís Sepúlveda (Lucho para os íntimos) escreveu o seu último livro - Los Peores Cuentos de Los Hermanos Grimm – falou sobre os livros que mais inspiraram a sua infância e comoveu-nos a todos.
Simples e tocante, Mário Delgado deu um testemunho de grande humanidade e profundidade. Falou dos nossos maiores conflitos internos e externos, declarou que temos que aprender a ‘destragedear’ a vida e concluiu dizendo que o papel do escritor também é ajudar-nos a sermos quem somos. Dito pelo próprio, em espanhol, com um sorriso e um sotaque uruguaio, foi muito mais emocionante. Mesmo assim, aqui fica o registo de uma sessão muito poética.