Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Os meus lápis duram mais que as borrachas

 

 

Há dias em que preciso do silêncio da casa e de um bom livro para

aterrar e esquecer a agitação de tudo e tanto que acontece à volta.

Hoje é um desses dias em que só é possível calar os barulhos do

mundo abrindo um livro que já antes li e sublinhei. Gosto de reler!

Deixo aqui uma resposta de Nabokov a um jornalista que salientou

o facto de o escritor ser pouco discursivo e muito hesitante a falar.

 

Fui sempre um orador desgraçado. O meu vocabulário habita nas

profundezas do meu espírito e precisa do papel para se soltar e

ascender à zona física. Para mim, a eloquência espontânea parece

um milagre. Reescrevi várias vezes, com muita frequência, todas as

palavras que publiquei. Os meus lápis duram mais que as respectivas

borrachas.

 

publicado por Laurinda Alves às 21:30
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10 comentários:
De Romina Barreto a 30 de Outubro de 2008 às 21:49
"Os meus lápis duram mais que as respectivas borrachas", gostei da resposta, principalmente desta frase...percebo a coisa!

É tão bom ter estes posts ao fim do dia...ultimamente também ando a reler livros que me marcaram e de que gostei muito.

Um abraço!

Romina Barreto

De No Coração de Deus a 31 de Outubro de 2008 às 00:04
é a primeira vez que passo por aqui e voltarei mais vezes...

Há palavras diante das coisas temos de aprender a calar-nos, há muitas outras que nasceram para ser ouvidas, mas há tantas que nunca devíamos escrever...pois tal como Nabokov também os meus lápis duram mais que as minhas borrachas.

um Abraço, e já que partilhamos a mesma fé,
permita-me um abraço No Coração de Deus!
De Romina Barreto a 31 de Outubro de 2008 às 19:05
As suas palavras ficaram a fazer eco...

Obrigada!

Um abraço.

Romina Barreto
De sissia a 30 de Outubro de 2008 às 23:18
De facto, é um feliz ensinamento....Quantas vezes é preciso apagar para poder escrever algo na nossa vida?
De MT a 31 de Outubro de 2008 às 00:58
Laurinda,

Peço lhe que não se chateie mas vou "roubar-lhe" as palavras do Nabokov e colocar no meu blogue. Têm tudo a ver com uma fase que atravesso.

Boa noite
De violeta a 31 de Outubro de 2008 às 08:43
Engraçado, os meus também... e uso lápis, lápis, daqueles que se afiam!
De Su a 31 de Outubro de 2008 às 09:10
É verdade, quando uma pessoa tem a cabeça a 100l e leva a vida a 200 há dias em que é preciso simplesmente parar. Nem que seja apenas uma ou duas horas. Ler um bom livro, escrever... ou então, parar mesmo, por completo...Usufruir do silêncio de um belo momento de sossego.
Um beijo descansado.
De Rita a 31 de Outubro de 2008 às 19:41
Que frase tão gira!

De facto há pessoas que têm uma vida interior riquissima, mas que, por não terem o dom da palavra, chegam a parecer básicas ou até mesmo tolas.
Têm o seu vocabulário na profundeza do espirito.
De Zilda Cardoso a 1 de Novembro de 2008 às 08:28
Que consolador para mim saber que um excelente escritor tem as mesmas dificuldades que eu quando tem que falar! Parece um estranho fenómeno, mas acontece; e quanto mais o discurso sai estúpido, mais estúpido e básico se torna. Por vezes, ao longo de uma carrira de esforços consegue-se dizer alguma coisa do que se pensa. Estou a pensar em Agustina e em Eduardo Lourenço.
Por outro lado, um longo hábito de escrita, de pensar muito antes de escrever ou de usar a borracha inibe a espontaneidade da fala.
Julgo que a maior parte dos escritores são tímidos e por essa razão começaram e preferiram escrever.
De Maria Joao da Camara a 13 de Abril de 2009 às 17:45
Eu sou como ele... pouca palavra dita, muita palavra escrita... fazer e refazer um livro tantas vezes quantas as que a nossa cabela manda. Por isso gasto muito mais borracha do que lápis...
mas pergunto-me tanto porque escrevo? para que escrevo?
para quem escrevo?
quem me lê?

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