Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Sozinhos, no meio da multidão

Agora que escrevi sobre uma casa em Londres onde vou voltar
na próxima semana, lembrei-me desta fotografia que tirei numa
noite de festa, em que havia cem pessoas espalhadas pela casa,
churrasco no jardim e um movimento intenso e feliz de gente que
celebrava simplesmente a mudança para uma casa nova. Durante
horas a fio esta rapariga esteve sentada nestes degraus a falar ao
telemóvel. Não a conheço e não sei se estava triste ou contente mas
reparei que esteve sempre fora, sempre alheia e sempre presa ao
telemóvel, numa realidade completamente oposta à onda do momento.
A imagem dela ali sentada tanto tempo, quando lá dentro tudo era uma
festa, fez-me pensar nas vezes em que nos sentimos sós mesmo tendo
muitas pessoas à nossa volta. Acontece-nos a todos experimentar esta
solidão acompanhada e nem sempre fácil de gerir. E é porque a rapariga
podia ser eu ou qualquer um de nós num desses momentos de solidão
ou numa daquelas fases em que nos sentimos 'fora do mundo', sem chão
e sem capacidade de nos integrarmos e entramos na mesma sintonia dos
que estão à nossa volta, que deixo aqui a fotografia que revela uma atitude
(sem devassar a pessoa nem invadir a sua intimidade) que me interpela.
De Mafalda Moura Soares a 30 de Outubro de 2008 às 10:29
De facto, só quando me deparo com estas situações, a ver as pessoas alheadas mas presas a elas próprias, é que penso quantas vezes me sinto assim e tão triste que é.
De Anónimo a 30 de Outubro de 2008 às 11:11
Um dia li esta frase algures "Amor: duas solidões protegendo-se uma à outra" e foi dela que me lembrei ao ler este post ... Não sei quem a escreveu nem a quem pertence... mas é inspiradora..! Assim como o teu texto e a imagem que agora a acompanha.
Bjs
Que es soledad?
Para llenar el mundo
Basta a veces un solo pensamiento...
de ROSALIA DE CASTRO
Muitas vezes na vida temos que parar e olhar para dentro...mesmo assim, não me parece que a rapariga o tenha conseguido a falar ao telemóvel.
Só estamos bem com os outros se estivermos bem connosco próprios. E é nas viagens ao 'nosso mundinho' que nos tornamos muito mais humanos.
Gosto muito de a ler.

De Augusto Küttner de Magalhães a 30 de Outubro de 2008 às 14:57
Só no meio da multidão! Já passei por isso várias vezes - de má memória! Não é agradavel, se estamos com um problema que não nos afigura ter uma "boa" resolução e obcecados com o mesmo, até com muita gente em nosso torno, estamos sós! Bom é conseguir dar o "salto" e entrarmos na multidão ou no minimo , no que nos rodeia, seja de que forma o possamos fazer! E regressarmos aos nossos pares, mesmo que à nossa maneira!
De
Reflexos a 1 de Novembro de 2008 às 18:27
Sim, estar só no meio da multidão é estar desencontrado com muita coisa e muita gente!
É desconfortável!
De
Reflexos a 30 de Outubro de 2008 às 18:47
Há dois sítios para estar só: no nosso 'ninho' , a nossa casa, À noite no sofá, por exemplo, quando todos já se deitaram...ou no meio da multidão...
De
Su a 30 de Outubro de 2008 às 20:42
É verdade o que diz, sozinhos no meio da multidão... Já me senti assim muitas vezes. É uma sensação de "deslocamento", de sentir que: não pertencemos aqui.
Tal como diz, todos já passámos por momentos destes e eu aproveito-me deles, recordando-os, para posteriormente aproveitar da melhor forma os momentos em que estou completamente integrada e embebida no espírito de grupo.
Beijo
Às vezes é bom estar sozinho no meio da multidão...
De inês a 30 de Outubro de 2008 às 23:08
As pessoas, por dentro, são tão parecidas!
Ola laurinda a proposito deste seu post, escrevi um brevissimo artigo acompanhado de um excelente video.
http://toquesdedeus.blogspot.com/2008/11/contactvel-ou-incontactvel.html
Obrigado :)
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