Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
E o filme da vida dos que têm vida

 

O mundo é feito de contrastes e se na avenida está o homem

que dorme num banco de pau a fazer de cama, na rua a fazer

de casa, noutra esquina mais adiante um pai leva o seu filho

pela mão e atravessam juntos a rua ao meio-dia sem pressas.

 

 

Eu estava dentro do carro e fotografei-os por me chamar a

atenção a tranquilidade dos dois, a uma hora em que todos

andamos numa vertigem, para lá e para cá, sem tempo para

estar com ninguém. Os dois de mãos dadas soou inspirador.

 

 

Como não sou um papparazzi e como também não sabia 

quem estava a fotografar, parei no outro lado da rua para

pedir autorização para usar as fotos. O pai não é português

e chama-se Andreas Fashing, o filho nasceu cá, é o Aaron.

 

 

Há um livro sobre o qual já escrevi várias vezes e que estou

sempre a recomendar aos meus amigos que me pedem

conselhos sobre parenting. How To Father, o livro escrito por

Fitzhugh Dodson, sintetiza de maneira muito simples o mais

importante na relação entre os pais-homens e os seus filhos.

Vale a pena lê-lo e passá-lo a outros porque ainda por cima o

autor divide-o por idades e por etapas de crescimento, coisa

que ajuda enormemente. Em todo o caso, com ou sem livro,

é bom ver pais-homens que sabem de coração a importância

que têm para os seus filhos. Só para terminar, a neurociência

que é uma ciência muito avançada e sofisticada já provou que

os pais-homens que cultivam a proximidade com os seus filhos

potenciam as sinapses cerebrais e o seu desenvolvimento.

Muito gira esta química cerebral do amor entre pais e filhos! 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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12 comentários:
De Carla Sousa a 9 de Outubro de 2008 às 20:45
Laurinda,

Rendo-me por completo ao modo deslumbrante como observa e reproduz momentos únicos e especiais do seu dia-a-dia, que para a maior parte das pessoas seriam simplesmente monótonos, mas que a Laurinda sabiamente os transforma na verdadeira razão de estarmos por cá: a vida simples e bela.
A minha visita ao seu blog torna-se, por isso, absolutamente "obrigatória" (no bom sentido, evidentemente), pois consegue irradiar em mim o que eu mais gosto de fazer na vida: sentir e sorrir.
Obrigada, Laurinda!

Beijinhos *

Carla
De Mónica a 9 de Outubro de 2008 às 23:33
Já O sabia tão importante para mim e para tudo o que eu sou... além de tudo, afinal também há a explicação cientifica para isso :-)

(gosto imenso destas reportagens das coisas simples do dia a dia, que só os privilegiados têm a sorte de ver! bom que partilhe aos mais distraídos e aos outros)
De Ana a 9 de Outubro de 2008 às 23:56
Do mesmo autor How to parent, dá para todos (mães e pais) e ajuda muito
De ETadeu a 10 de Outubro de 2008 às 00:01
Laurinda
O seu blogue é um vício. Mas um vício bom que faz bem à alma. Continue assim .
Também não consigo ir dormir sem escrever impressões que vão ficando. Pedaços de dias que tento que façam a diferença.
http://mariatadeu.blogspot.com/
Etadeu
De anna^ a 10 de Outubro de 2008 às 09:14
Relembrei os momentos de partilha que tinha com o meu Pai;momentos de cumplicidade e de pura galhofa.
E acentuam-se as saudades!
De Joana Freudenthal a 10 de Outubro de 2008 às 09:50
Assim que comecei a ver estas fotografias, pensei «são estrangeiros». E não foi pela roupa de turistas.
Tenho pena de dizer, mas, infelizmente, os pais portugueses têm tão pouco «tempo»...
Não sabem eles o que perdem!

Um beijinho de bom dia.
Joana
De Reflexos a 10 de Outubro de 2008 às 12:46
Olá Laurinda,
'Ter vida' é o melhor da vida!
Em momentos menos bons penso muito nestas coisa... e o quanto é tenue a barreira entre o 'ter' e 'não ter'
De Augusto Küttner de Magalhães a 10 de Outubro de 2008 às 16:25
Estou numa fase da vida que me parece pouco provável ter mais algum filho!!!….mas tenho um e sempre tivemos uma excelente relação, se bem que numa fase tentando fazer sempre valer os deveres e direitos de cada um. Hoje o relacionamento continua muito ligado e temos quando “ele” tem tempo, conversas sobre todos os temas possíveis e imaginários, recebemos e damos conselhos, e mais tarde confrontamo-nos se os seguimos ou não. Penso que ter assim um relacionamento é muito bom, e ao ver esta fotografia deste pai de mão dada com o seu filho, sinto uma grande proximidade com o meu naquela idade e hoje quando nos encontramos e damos um beijo de cumprimento – o que comigo não foi feito! Cada vez mais se torna indispensável assim viver, mas cada vez mais muitos pais se demitem de o fazer, pelos mais diversos motivos, espero que o livro recomendado ajude os que precisam de alguma ajuda. E aqui me lembro da comentadora deste seu blog Sónia Pessoa que escreve para crianças que por vezes têm dificuldade em que os pais as tratem como filhos, porque assim não foram tratadas, e aí o problema é muito complicado.. é o inverso!!
De Augusto Küttner de Magalhães a 10 de Outubro de 2008 às 16:38
Da Crónica de hoje da Laurinda no Público refiro umas frases:
- “a morte é o grande tabu da Humanidade. Todos estamos a prazo, mas todos temos dificuldade em lidar com a morte;
- de noite tudo dói mais;
- dói sempre a dor dos que nos são queridos;
- também falo do sofrimento moral e emocional dos doentes e de quem os acompanha”.

São frases com tanto conteúdo e numa altura em que se está a viver declaradamente uma crise financeira e económica, dado a crise de valores, rumo e referência já vir de há mais tempo, ainda vamos a tempo de olhar mais, muito mais e muito melhor para toda a nossa parte tão humana, tão emocional e até racional tão descurada por tantos?
De Luis Estácio a 10 de Outubro de 2008 às 20:12
Olá Laurinda.

Tenho 4 filhos e sou casado , e muito feliz, há 21 anos.

Assisti ás 4 cesarianas da minha mulher, o que quer dizer que vi nascer todos os 4; sempre fiz questão em acompanhar a Ana.

O mais engraçado é que por nenhum dos 4 (rapaz, rapariga, rapaz, rapariga) senti qualquer "amor á primeira vista) È estranho? Não.`´E uma das diferenças entre o pai e a mãe que sente o seu (nosso filho) muito antes dele nascer.

Com os nossos filhos fui criando uma ligação á medida que o tempo ia avançando, na mudança das fraldas, nos biberons, nos banhos, nas cavalices, nas idas "à bola", nos primeiros dias de escola, nos xaropes de 12 em 12, nos puzzles, nos livros........Não tem fim o sitio, a altura, as idades onde se criam ligações.
Lembro-me de vários episódios com cada um, mas lembro-me como se fosse ontem de uma surpresa que fiz ao Francisco e que não resisto a contar. Estava em trabalho na Madeira e ele tinha uma audição de guitarra na escola, e eu não podia ir assistir. A minha viagem á Madeira despachou-se mais cedo e consegui (via telemovel) que a audição do Francisco ficasse para o fim.
Se visse a cara dele quando entrei na sala......Ganhei o dia.
Podia ficar aqui horas a contar como eu e a Ana nos damos com estes 4, o que eles nos dão todos os dias, como são connosco e como foram comigo no meu desemprego.
Leia o poema do Kalil Gibram sobre as crianças. Não me posso alonga mais mas acho um tema apaixonante.

É muito, muito bom vê-los crescer, mesmo que para isso se deixem ficar de lado carreiras profissionais, saidas. È bom darmo-nos a eles....

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