Domingo, 28 de Setembro de 2008
Thomas Souto Corrêa dez anos depois

 

 

Acordei tarde, sob efeito do jantar de ontem e do serão animado em casa de amigos que juntaram amigos muito diversos, vindos de diferentes pontos do mundo. Adoro cruzar pessoas e fazer pontes e, por isso, adoro ir a jantares onde os anfitriões fazem isso mesmo. 

 

Desta vez havia portugueses que moram em S.Paulo, brasileiros do Rio, de Minas ou de S.Paulo, e portugueses de Lisboa como eu, os donos da casa e outros. Uma mistura muito divertida que tem o seu 'quê' porque parte deste grupo pertence a um círculo gourmet autodenominado 'Porco e Vírgula', que corre o mundo para experimentar os melhores pratos cozinhados com carnes de porco.

 

Em homenagem aos fundadores do 'Porco e Vírgula' que acabaram de chegar de uma viagem gourmet pela Europa, o jantar ontem era um teste às qualidades do leitão português. No aparador havia duas espécies de leitão e a disputa foi entre Negrais e Bairrada. Uma disputa séria, devo dizer, dada a excelência de um e outro. Negrais com a pele mais tostada e irresistível, Bairrada com uma carne mais macia e temperada. 

 

Numa mesa onde cabem dezasseis sentados, ficou à minha direita o fundador do 'Porco e Vírgula' que me explicou com humor inteligente as origens deste círculo gourmet e descreveu um jantar em Roma, na semana passada, que me encantou pelos pormenores. À minha esquerda ficou uma amiga que não via há meses e, por isso, passei a primeira metade do jantar a falar para a minha esquerda.

 

Quando me virei para a direita para retomar a conversa interrompida no início percebi quem era realmente este homem com quem tinha estado a falar de gastronomia e estética. Não o reconheci logo mas era Thomas Souto Corrêa, o especialista em Media que há dez anos me disse uma frase radicalmente importante quando criei o conceito da revista XIS. Comoveu-me perceber que era ele que estava ali ao meu lado passado todo este tempo. E encheu-me de alegria sentir que também ele recordava o encontro que tivémos em Lisboa numa reunião a três, onde estávamos nós e Francisco Pinto Balsemão.

 

Abreviando a história, na altura eu estava em plena criação da revista e Thomas que era partner de Balsemão e, também, o todo-poderoso Vice Presidente da poderosa editora Abril, viu e ouviu com extrema atenção tudo o que eu levava para esta reunião prospectiva e, no fim, deu-me os parabéns e disse-me: Laurinda nós não vamos fazer esta revista consigo mas não desista porque é um bom conceito, você acredita profundamente nele e é assim que começam as grandes ideias. Vá em frente!

 

E eu fui. E a revista fez-se, rasgou o mercado editorial, marcou a diferença e cumpriu um ciclo de dez anos, que era o que estava previsto para uma publicação desta natureza. Ontem olhei para o Thomas com gratidão e profunda amizade. Escrevi-lhe uma carta no dia em que saiu o primeiro número da XIS e mandei-lhe um exemplar da revista que Thomas ainda hoje guarda mas eu não sabia. É incrível a vida. E as surpresas dos dias. Despedimo-nos com um abraço apertado e a certeza de que retomámos ontem uma amizade que não só não se desfez como cresceu à distância. Muito bom.      

 

(Thomas Souto Corrêa hoje em dia está mais retirado mas continua a ser o consultor mais ouvido em matéria de imprensa escrita e Media em geral. Ou seja, a sua meia-reforma não só não lhe tirou peso como lhe deu ainda mais influência)

 

publicado por Laurinda Alves às 15:06
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