Num instante estenderam um tapete de relva muito verde no Largo do Camões e num instante a paisagem desta zona do Chiado mudou radicalmente. Onde sempre houve calçada portuguesa, bonita, de pedra fria e gasta, há agora um jardim exaltante de relva natural onde as pessoas se deitam a apanhar sol. O mais curioso, para quem passa por ali todos os dias, foi ver os lisboetas integrarem imediatamente este espaço e agora viverem-no como se sempre tivesse existido deste feitio e desta cor.
Apetece imenso demorar por ali e aproveitar esta semana de relva fresca e bem cuidada. Até as árvores plantadas no largo ganharam, de repente, mais luz e expressão.
No dia 1 de Maio, depois das celebrações do Dia do Trabalhador, toda a relva vai ser retirada e doada a quem quiser levá-la para algum pátio de casa ou jardim mais ou menos privado.
A ideia da performance partiu do CEM, Centro Em Movimento, conhecido pelas iniciativas criativas ligadas à comunidade (todos os projectos e festivais que organizam são specific, no sentido em que são especificamente adaptados às pessoas e lugares a quem se destinam, sejam ruínas da cidade, pessoas mais velhas que moram em andares altos e não podem sair de casa, oficinas de dança em espaços experimentais, exposições de artes na rua ou laboratórios de escrita em sítios alternativos) dizia eu que a ideia da performance partiu do CEM, a quem Amaral Lopes, o vereador da cultura da CML, desafiou para criar alguma coisa diferente para celebrar o 25 de Abril em Lisboa. Sofia Neuparth, do CEM, contou-me que decidiram criar um pulmão no Chiado e, ao mesmo tempo, um espaço onde fosse possível estar e circular naturalmente. Conseguiram uma coisa e outra. Parabéns!