Nuno Tovar de Lemos, jesuíta, veio esta semana a Lisboa fazer uma conferência sobre alguns desafios da Igreja no séc.XXI. A ideia era falar sobre padres e leigos mas, especialmente, sobre o papel destes últimos numa Igreja que sabemos como foi até aqui mas não sabemos muito bem como vai ser a partir de agora. Está tudo a mudar, há cada vez menos padres e muitos estão a ficar velhos e ‘estourados’. Em certas zonas do país alguns são responsáveis por sete paróquias, coisa que implica dar conta de dezenas de igrejas, rezar incontáveis missas, casar, baptizar e enterrar várias pessoas por semana e, por vezes, no mesmo dia. Isto para não falar de todos os aflitos que ouvem e confessam, daqueles que atendem no expediente geral e, ainda, da burocracia paroquial que também cansa e ocupa tempo.
Nuno Tovar de Lemos, inspirado e criativo como sempre, foi muito eloquente na maneira como expôs a realidade e como enunciou os factos. Recordou que os leigos sempre foram um pilar importante na Igreja, mesmo quando o modelo era mais clássico, e sublinhou a necessidade de se fazerem ainda mais presentes. De procurar, cada um, o seu papel nesta Igreja de agora, neste mundo de hoje.
Partindo da experiência feliz de uma CFX, comunidade de Leigos que há 4 anos dá apoio espiritual a centenas de pessoas que vivem em Folques e arredores, na zona de Coimbra, falou da necessidade de ter iniciativas e acompanhar os tempos. Deu exemplos coloridos para ilustrar o papel dos leigos e lembrou o exemplo de uma senhora mais velha, que já há algum tempo substitui o padre (que não existe) nas celebrações da Palavra de uma paróquia razoavelmente grande. Um certo domingo, um dos netos desta senhora ao vê-la subir ao altar, de alva impecavelmente branca, não resistiu e gritou:
- Ó mãe, o padre é a avó!
A grande diferença e, talvez, a boa notícia para a nossa geração é que os que nos antecederam não tinham histórias destas para contar.