
O Dom, de Vladimir Nabokov, é um dos seus melhores
livros. Para mim, pelo menos. Gosto do estilo irónico do
escritor, da densidade da sua escrita, dos adjectivos que
usa, da maneira como olha para o mundo e para os que
o habitam. É este olhar meio displicente, meio arrogante
mas sempre atento ao detalhe do detalhe, que me atrai.
Não julgo os outros como ele os julga, nem partilho todas
as suas opiniões fortes e tantas vezes cáusticas, mas
divirto-me com a sua observação da realidade.
Fascina-me a sua predilecção por borboletas e seduzem-
-me os seus tiques de aristocrata das letras. E não só.
O seu monólogo interior também me prende e me ocupa
longas horas na decifração da espécie de puzzle que somos
obrigados a construir enquanto lemos o que ele escreveu.
Gosto muito das suas metáforas, mesmo as mais absurdas.
Deixo-o aqui, com algumas frases avulsas neste início de
semana já em countdown para as férias com tempo para ler.

Tchernychevskii chorava de boa vontade e com frequência.
"Três lágrimas desceram", regista com característica precisão
no seu diário, e o leitor fica momentaneamente atormentado
com o pensamento involuntário - pode ter-se um número ímpar
de lágrimas, ou é apenas a natureza dupla da fonte que nos faz
exigir um número par?
Só há duas espécies de livros: os de cabeceira e os do cesto dos
papéis. Ou gosto fervorosamente de um escritor, ou deito-o fora.
No fundo nada se passara de importante: a decepção de hoje não
excluía uma recompensa amanhã ou depois de amanhã.
Nenhum destes breves parágrafos é verdadeiramente eloquente do
estilo Nabokov, que tem uma riqueza impossível de sintetizar e uma
complexidade que não se pode simplificar. Gosto da maneira como
ele classifica os personagens e como lhes veste um "sobretudinho
feito em casa" ou um fato "estilo coveiro alemão" ou, ainda, como
resume um ser abominável ao seu "ressonar de cretino patriarcal".
. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...
. CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ...
. Curso de Comunicação adia...
. Se tiver quorum ainda dou...
. O BENTO E A CARMO HOJE EM...
. HOJE NO PORTO: SOBREVIVER...
. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...
. Alegria!