Há 36 anos que vivo quotidianamente obstáculos, a todos os níveis, quer fisicos, quer sociais, quer de inserção não pessoalmente mas com o meu filho que tem agora 36 anos e é deficiente psico-motor. Só para dar uma pequena ideia do obstáculo mais frustrante e castrante que temos é o simples acto de sairmos de casa que, apesar de termos elevador até ao res-do-chão, em seguida existem 7 degraus até à porta de entrada e mais 3 degraus da porta de entrada até ao passeio da rua. Resultado: nunca nos é possível sair de casa só os dois porque ele não anda sem ser amparado de cada lado e adicionalmente há que transportar a cadeira de rodas. Conclusão é sempre necessária a presença de uma terceira pessoa para nos ajudar. Este prédio foi construido há cerca de 40 anos mas o mais grave é que a construção imobiliária continua a processar-se sem as directivas ou normas que existem no que respeita a exclusão de barreiras aos deficientes. Desculpem se os "carreguei" com os meus obstáculos mas ao ver as imagens fiquei, mais uma vez, de tal modo revoltada pois até, recentemente, numa passagem de peões me aconteceu um condutor, a ver-nos a aproximar, chegou mesmo a parar o seu carro mesmo em cima da referida passagem, tendo eu que lhe chamar a atenção que não podia passar com a cadeira de rodas do meu filho. Isto, claro, independentemente do facto que ele nunca deveria parar ali. Já sabemos que o civismo e a educação é escassa numa grande percentagem dos portugueses mas será que não querem mesmo pensar nos outros, especialmente os "special ones" que eles continuam a nem querer ver ou sequer olhar ou quando olham é ou chocados pelo que vêem ou com ar de pena ou de coitadinho, que é o que eu mais detesto. E nós lá continuamos sem ligar a esses olhares mas sentindo-os. Quando será que mudam as mentalidades das pessoas por cá? É que nem é preciso ir muito longe. Eu fui com ele a Vigo, ao Corte Inglez, e, quer nos pisos por onde andámos, quer nos elevadores, todas as pessoas com que nos cruzamos ou estivemos, olhavam para ele, sorriam, falavam com ele (no levador), chegaram a brincar com ele. Lamchamos lá com ele no snack e tudo correu como eu gostaria que se passasse cá em Portugal.