(Crónica escrita para o Público de hoje)
Há livros aos quais volto uma e outra vez. Sou daquelas que sublinha, escreve nas margens e vai deixando livros espalhados por todo o lado com lápis dentro. Há quem ache uma afronta riscar um livro e quem julgue uma heresia juntar palavras nossas às palavras dos escritores. Não se trata de falta de respeito e, muito menos, de acrescentar substância aos livros mas justamente de me guiar por segundas e terceiras leituras em dias ou momentos avulsos em que preciso de reler esta frase ou voltar àquele pensamento.
Um dos livros que tenho à cabeceira, por assim dizer, é o de entrevistas a Chillida, escultor basco por quem tenho verdadeira devoção. Chillida, Kapoor, Proença, Chafes e mais um conjunto razoavelmente eclético de artistas plásticos, cuja estética admiro, inspiram verdadeiramente os meus dias e enchem a minha vida de sentido. Gosto da obra e gosto da atitude mas também me fascina a sua elaboração existencial e as divagações que fazem sobre a sua criação. E por isso gosto tanto de livros de entrevistas, em especial com escritores ou artistas.
"Trabajo en función del conocimiento, quando me preguntan porque soy escultor yo digo que trabajo para conocer. Quando yo estoy trabajando siempre estoy tratando de buscar luz y conocimiento a través de esse lenguaje que es mi obra, una obra que es como una pregunta.” Gosto da ideia de uma imensa obra ser, afinal, uma intensa pergunta.