
Marguerite Duras é uma fonte de inspiração e uma mulher
que admiro muito, por muitas razões. Gosto da sua escrita,
fascina-me o seu mundo interior e a sua vida vivida, leio em
cada um dos seus livros (e li todos) uma arquitectura única,
um feitio e um tamanho desmedidos, uma profundidade que
me leva muito fundo. Olho para as rugas de expressão desta
mulher, para cada vinco que foi ficando desenhado na sua cara
e admiro-a ainda mais. Nunca teve a tentação de esticar a pele,
de apagar os vestígios do tempo, de fingir que não tinha a idade
que tinha. As primeiras linhas de O Amante definem muito bem
esta sua atitude. Há mulheres e homens que se tornam mais
belos com os anos. Marguerite Duras foi uma destas mulheres.
Ne pleurer jamais c'est ne pas vivre.
Je n'ai jamais menti dans un livre. Ni même dans ma vie.
Sauf aux hommes.
C'est dans une maison qu'on est seul.
Les grandes lectures de ma vie, celles de moi seule, c'est celles
écrites par des hommes. Le Texte des textes, c'est l'Ancien Testament.
L'écriture c'est l'inconnu. Avant d'écrire on ne sait rien de ce qu'on va écrire.
Si on savait quelque chose de ce qu'on va écrire, avant de le faire, avant d'écrire, on n'écrirait jamais.
Depois das duas últimas semanas de intenso trabalho um dia de férias.
Uma manhã de praia brincadeira com o miguel (o primeiro dia de praia do miguel que ainda não tem dois anos).
Uma tarde com o miguel a dormir a sesta e o pai a ler os posts da minha jornalista preferida em atraso, outros posts de blogs que também gosto e a GQ aqui no sofá à espera.
Um bom dia, portanto.
De Augusto Küttner de Magalhães a 23 de Julho de 2008 às 17:11
Laurinda espectacular, a vida desta mulher e o tal não ter que esconder as rugas de uma vida vivida.
E esta alusão a chorar, a não mentir, antes de escrever não se sabe o que se vai escrever, caso contrário não se escreve.
Obrigado Laurinda por este momento, as mulheres em todos os sentidos são fascinantes, muitas vezes, tantas vezes nos ultrapassam "nas calmas", sem lutas.....são pelo que são, pelo que sabem, pelo que nos querem e podem ensinar!
De
Concha a 23 de Julho de 2008 às 17:54
Admiro a honestidade desta Senhora . Admiro a frontalidade com que se assume . Lembrei de repente a minha mãe que não permitia que se mentisse e tinha um argumento de força...ela não mentia . Tenho muitos defeitos , mas aprendi dela esta máxima . Até acho que a consegui incutir nos meus filhos .
O assumir as rugas , faz parte de uma coerência enorme consigo mesma . Elas nem sempre são muito agradáveis à vista , mas tornam possível que o rosto seja um espelho da vida que se teve . Dependendo da forma e da zona do rosto , elas possibilitam uma leitura da sabedoria de uma vida vivida .
O A. T. contém tudo , assim se consiga ler as entrelinhas . Há passagens que ressoam em nós de tal modo que permitem termos acesso a aspectos da nossa vida em que ainda não nos tinha-mos centrado .
Concha
De zilda cardoso a 23 de Julho de 2008 às 21:43
Aprecio também a escrita da M.D.. Muitíssimo. Mas não gosto das rugas que são entrelaçadas, entrecruzadas e incompreensíveis. Preferia ver a cara dela lisa e simples como era em tempos, mas são apenas gostos e opiniões. Eu não gosto de dizer a idade, porque se disser fico imediatamente desclassificada. Quem quer ouvir e considerar a opinião de alguém com a idade de Matusalem, sobretudo se não tiver nome nem rosto?
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