Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Tarde no Telhal com voluntários da Juventude Hospitaleira

 

 

Uma viola azul encostada a uma parede encarnada foi o quadro que encontrei à chegada ao Telhal. Os trinta voluntários da Juventude Hospitaleira que foram passar a Páscoa ao Telhal levaram guitarras para animar os doentes e os seus cuidadores. Durante o dia os jovens voluntários espalham-se pelas unidades e dão assistência aos doentes, orientados por profissionais, mas à noite juntam-se em grupo e fazem serões de conversa e música que podem durar até de madrugada.

 

 

O grupo de voluntários impressiona pela alegria, mas também pela média de idades: este têm entre 15 e 25 anos. Confesso que embora já conheça bem o espírito dos voluntários da Juventude Hospitaleira, não deixo de me espantar com a capacidade de entrega, a generosidade e a gratuidade destes miúdos que podiam estar a passar as suas férias de mil e uma maneiras divertidas e leves, mas preferem dar o melhor de si e do seu tempo aos doentes mentais internados no Telhal.  

 

 

João Nuno Baptista, o fotógrafo ocasional, é uma presença diária no meu blog e foi um dos meus anfitriões hoje. O convite/desafio para ir ao Telhal partiu dele e é giro perceber como fomos ficando amigos ao longo dos últimos anos a partir deste espaço virtual, que acaba por ser muito mais do que um simples blog e se revela uma ponte que aproxima pessoas que se reconhecem nos valores, ideias e ideais. O João Nuno também foi um dos meus alunos no Curso de Comunicação na LeYa e como este grupo se revelou um mix fascinante de pessoas, foi interessante reencontrar mais colegas na Páscoa do Telhal.

 

 

 

Os miúdos voluntários são uma animação permanente e enchem o espaço de uma vibração especial. Adorei estar com eles nas celebrações de Sexta-Feira Santa e depois numa roda de conversa e partilha que se estendeu desde o lanche até à hora de jantar. Cada um dos voluntários disse-me quem era de onde vinha, e todos me comoveram quando falaram sobre as razões que os trazem regularmente ao Telhal. Na impossibilidade de os citar a todos ou de enunciar as razões de cada um, sublinho o que disse o Ricardo Borrego, de 16 anos (o que está à direita na fotografia a agitar o braço): "é a sexta actividade em que participo aqui no Telhal e basta-me um sorriso de um doente, para eu ficar todo contente e dar sentido a isto. Nós somos voluntários, mas todas as pessoas deviam vir aqui e conhecer estas pessoas." Eu não seria capaz de dizer melhor e concordo inteiramente com o Ricardo, pois o contacto com os doentes mentais profundos é muito tocante e profundamente transformador.

 

 

No fim acabámos por fazer mais uma 'fotografia de família', mas desta vez em petit comité: o João Nuno, a Sónia, eu e a Gabriela, com a filha Sofia a esconder-se no seu ombro. Eles os três foram meus alunos do curso de Comunicação na LeYa e é fantástico ver que os laços que tecemos ao longo das semanas do curso se reforçam agora na vida real, através de encontros como o de hoje, em lugares especiais como este. Muito bom.   

publicado por Laurinda Alves às 23:53
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