Ao fim-de-semana fico mais ausente no blog por várias razões mas também porque estou muitas vezes fora de Lisboa, longe das rotinas semanais e do computador. Sei que me percebem. Como vi que a entrevista de António Lobo Antunes provocou uma troca de impressões, deixo aqui a crónica que saiu ontem no jornal i e também escrevi pelas mesmas razões. Gostei muito de o ouvir e, do lado do entrevistado foi, realmente, uma excelente entrevista.

António Lobo Antunes, o escritor que não adora falar de si nem gosta particularmente de ser entrevistado, aceitou ir ao programa de Judite de Sousa na 5ª feira passada e deu uma entrevista colossal. Falou de livros e escritas, hábitos e gostos, amigos e programas, mas também sobre homens e mulheres marcantes na sua vida. Disse coisas maravilhosas naquele seu tom grave, meio-surdo, de quem por princípio desconfia mas acaba sempre por revelar uma ternura fundamental. “Tenho saudades de deitar a cabeça no colo da minha avó só para ela me fazer festas no cabelo. Muitas vezes sinto que ainda preciso dela para isso”. Judite de Sousa perguntou-lhe pelas mulheres, querendo saber o que pensa sobre elas. “Eu nasci de uma mulher e é um milagre que eu não esqueço porque passei nove meses no seu ventre. Recebi das mulheres muito amor, doçura e capacidade de perdão, e isso é muito importante para mim”. Falaram sobre tempos antigos e coisas de agora, divagaram sobre o sentido da vida, nomearam Deus e elevaram a conversa para níveis de transcendência. Tocaram fatalmente nas questões que envolveram a doença e a convalescença do escritor. “O que é que passei a fazer diferente? Olhe passei a beijar os meus amigos. É bom beijar um homem e eu não sabia”.
Tão bonito, tão eterno, tão sentido e tão nosso. É tão português este som de
Pedro Jóia que apetece ouvi-lo hoje e sempre. Gosto de guitarra portuguesa
desde que me lembro. Comove-me.
Parabéns ao Pedro Jóia pelo Prémio Carlos Paredes de 2007! Muito merecido.

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. Pedro Jóia ganhou o Prémi...