Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
As pessoas ditas deficientes

 

O Salvador Mendes de Almeida recomeçou a sua série de programas na RTP1 e tudo o que possamos dizer sobre estas suas entrevistas é pouco, comparado com o muito que ele e cada um dos seus entrevistados contribuem para despertar a nossa consciência e transformar o nosso olhar sobre as pessoas ditas deficientes.

 

 

Luís Magalhães, historiador e funcionário da Câmara Municipal do Marco de Canaveses, onde faz um trabalho directamente ligado aos direitos das pessoas portadoras de deficiência, foi o convidado desta noite. Alegre e incisivo, Luís Magalhães disse que muito pior do que as barreiras arquitectónicas são os estigmas que permanecem na sociedade. Percebo-o, pois também eu começo por abominar a palavra 'deficientes' e tudo o que ela implica.

 

 

O Salvador está em grande forma e é impressionante ver como tem evoluído ao longo destas séries de programas. Está muito mais fluente e tem uma postura ainda mais alegre e tranquila. Eu, que conheço bem as suas rotinas diárias e o seu grau de dependência, não canso de me espantar com a sua capacidade de fazer das fraquezas, forças. Graças a ele e a cada um dos seus entrevistados, estamos hoje muito mais conscientes das dificuldades reais das pessoas que vivem condicionadas por handicaps físicos ou outros. Embora nenhum programa de televisão chegue para mostrar toda a realidade de sofrimento, dor e superação que vivem os milhares e milhares de famílias que são tocadas pela doença e/ou deficiência, é importante que a série Salvador passe em horário nobre, para que todos possamos ter uma noção mais aproximada do que é ser diferente num mundo tantas vezes hostil para acolher essa mesma diferença. Percebo que o Salvador se centre nos casos de 'sucesso', pois todos precisamos de role models. Acredito profundamente que ao revelar pessoas com deficiências graves que conseguem transcender-se, o Salvador está a contribuir para dar forças aos que tantas vezes se sentem à beira da desistência. Sejam deficientes ou não, quero dizer.

publicado por Laurinda Alves às 22:34
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010
Casa cheia para o Salvador, como sempre

 

O Salvador e os seus entrevistados dos programas foram os protagonistas da noite no lançamento do livro que conta a história de 12 pessoas com handicaps adquiridos ou congénitos. O espaço BES Arte e Finança encheu-se de gente para ouvir o Salvador falar e é impressionante ver como ele e as pessoas que ele junta à sua volta mudam o mundo e transformam a nossa percepção da realidade. Para melhor, claro.

 

 

No fim da sessão houve tempo para autógrafos e conversas mais pessoais. Tranquilo apesar da multidão, Salvador foi dando autógrafos com o seu carimbo (onde estão gravadas as suas iniciais, escritas pela sua própria mão), mas também com a ajuda de familiares e amigos. Catarina, a sua irmã, escreveu alguns dos autógrafos mais especiais que o Salvador foi ditando. Atrás deles duas pessoas especiais e muito queridas na minha vida: a Joana, minha afilhada (à direita) e a Seona McLean, escocesa, fotógrafa e uma amiga recente que atravessou o mundo para viver em Portugal. Chegou da Nova Zelândia em Agosto e ainda está a aterrar... Um dia destes peço-lhe autorização para mostrar algumas fotografias do seu portfolio. São lindas.

 

publicado por Laurinda Alves às 01:00
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010
Os passos que damos sem pensar que os estamos a dar

 

Observo os passos das pessoas na plataforma do Metro, à minha frente, e dou-me conta de que habitualmente nem eu nem os outros perdemos um segundo a pensar naqueles que estão impedidos de caminhar. Mais, nenhum de nós se apercebe do extraordinário que é andar livremente por onde nos apetece, sem termos problemas de locomoção.

 

 

Hoje estou mais centrada nesta questão porque é o dia em que vou apresentar o novo livro do Salvador Mendes de Almeida e vou estar rodeada de pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas. Pessoas que vivem sentadas ou deitadas, mas nunca de pé e, acima de tudo, sem nunca poderem andar pelo seu próprio pé. Algumas destas pessoas tiveram acidentes na adolescência ou já na idade adulta e outras nasceram com handicaps que não lhes permitem deslocar-se sem ajudas.

 

 

Nós, os que não temos quaisquer problemas de mobilidade e facilmente andamos daqui para ali, chegando a todo o lado, não temos verdadeira consciência da quantidade de obstáculos e barreiras arquitectónicas que outros têm que enfrentar dia após dia, ano após ano. É impressionante ver como o mundo é hostil para quem tem handicaps físicos ou outros. E é admirável conhecer estas pessoas que lidam diariamente com a adversidade e não perdem a força, a coragem, o sentido de vida e até a alegria. O Salvador é uma destas pessoas, mas não é o único. Ao seu lado vão estar quase todos os protagonistas da sua série de televisão, mais um círculo alargado de amigos que o acompanham nas suas actividades. Esta imensa legião de gente mais ou menos anónima que se transcende todos os dias, todas as horas, é uma fonte de inspiração e devia ser um motor de transformação para todos e cada um de nós. É impossível ficarmos indiferentes aos seus testemunhos e é impossível não darmos ainda mais valor àquilo que damos como adquirido nas nossas vidas. Falo de coisas e gestos tão simples como os passos que damos sem pensar que os estamos a dar. E não só.

publicado por Laurinda Alves às 00:02
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2010
Fui hoje à SIC Mulher com o Salvador Mendes de Almeida

 

O Salvador está em vésperas de lançar um novo livro e como escrevi o prefácio e vou apresentar o livro já nesta 5ª feira em Lisboa, no espaço BES Arte e Finanças (no Marquês de Pombal), convidaram-nos a estar hoje em directo na SIC Mulher, no programa das 7h. O lançamento do livro vai ser às 18:30 e deixo aqui o convite para quem quiser e puder aparecer. Com o Salvador vão estar quase todos os entrevistados da sua série e este encontro promete ser um acontecimento marcante. Mais um daqueles encontros que o Salvador promove e nos fazem tanto bem porque nos enchem de confiança, alegria e forças.

 

publicado por Laurinda Alves às 16:19
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
O Outono do nosso (des)contentamento

 

Bonito mas difícil, este Outono... Só ouvimos más notícias sobre a necessidade de medidas duras, o aumento do desemprego e o espectro de uma recessão em 2011. Nada fácil, mesmo. Todos sentimos na pele os efeitos da crise mundial e dos desperdícios decorrentes da má gestão de alguns políticos e governos. Falo por mim, que não sou excepção e tal como a esmagadora maioria das pessoas, também trabalho o triplo para ganhar metade. Não me queixo, apenas enuncio factos com a consciência de que apesar de tudo posso trabalhar. Mas já estive desempregada longos meses e sei como essa realidade pode ser dolorosa. Os tempos que correm são adversos e é nestas alturas que olho à minha volta e tento focar naquilo que é positivo, na beleza das pessoas, das coisas e dos lugares.

 

 

Podemos olhar de muitas maneiras para as mesmas coisas. Para uns o Outono e as folhas caídas são realidades tristes ou demasiado nostálgicas; para outros representam um tempo de recolhimento e introspecção, mas para outros é a altura dos grandes recomeços. Aprendo a recomeçar todos os dias com amigos como o Salvador e o Bento, que me ensinam a dar valor ao que temos e a não pensar demais naquilo que não podemos ter. Ou que deixámos de ter. Ambos sofreram acidentes graves que os deixaram em cadeiras de rodas, dependentes de quase todos para quase tudo, mas nem um nem outro (nem uma imensa legião de pessoas como eles!) desistiram de acreditar em si mesmos de de fazer o bem. Um e outro transformam o olhar de quem os conhece e acompanha, e agora que o novo livro do Salvador Mendes de Almeida está quase pronto e conta a história das 12 pessoas que entrevistou ao longo dos seus programas, dou-me conta do tempo e da energia que tantas vezes desperdiçamos a pensar em questões menores e em dramas que afinal são relativos...

publicado por Laurinda Alves às 08:15
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