Sábado, 8 de Outubro de 2011
Mais Cuidados Paliativos e melhor Saúde Mental!

 

Hoje e amanhã celebram-se dois Dias Mundiais: da Saúde Mental e dos Cuidados Paliativos. Deixo aqui o alerta e os links para obter mais informação sobre um e outro, bem como para saber como participar em iniciativas promovidas pelas Associações que mobilizam a sociedade civil, a classe médica, política e outras, para o debate público e a luta por melhorias expressivas em áreas tão delicadas e complexas. Sou particularmente sensível à realidade dos paliativos e da saúde mental e, por isso, sublinho que a ENCONTRAR+SE – Associação de Apoio a Pessoas com Perturbação Mental Grave - desenvolveu em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos um programa de Comemorações que começa amanhã e decorre até ao dia 12 de Outubro. Para dar início às Comemorações e contribuir para dar visibilidade ao tema da saúde mental, combate ao estigma e discriminação associados à doença mental, o programa começa com a Caminhada UPA – Unidos Para Ajudar, amanhã dia 9 de Outubro, pelas 10 horas, na marginal de Leça da Palmeira. Quanto aos Cuidados Paliativos trata-se também de despertar a consciência para a urgência em humanizar os cuidados de saúde e em prestar assistência especializada a quem tem doenças graves, incuráveis, progressivas ou terminais. A APCP - Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos organizou uma semana de actividades e debates e todos nunca seremos demais para repetir que assim como temos direito a cuidados específicos ao nascer, também temos direito a cuidados específicos na doença grave e até morrer. Acessíveis a toda a população, sem excepção! 

publicado por Laurinda Alves às 00:43
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Mind Faces a Gulbenkian, na véspera de partir para NY

 

Todas as grandes questões relacionadas com a saúde mental começaram a ser debatidas hoje na Fundação Gulbenkian, em mais um Forum de Saúde que se vai estender no tempo e vai permitir o debate, a partilha de experiências e ciências de muitos especialistas nacionais e internacionais nestas matérias. Gostei muito da exposição de Clemens Hosnam e também dos comentários dos professores Henrique de Barros e Ricardo Gusmão.

 

 

A depressão (em todas as suas formas e intensidades) foi um dos temas sensíveis deste primeiro dia. Ricardo Gusmão, professor de psiquiatria com um admirácel currrículum e uma larga experiência, falou da importância de lutar contra o estigma e de procurar ajudas. "Todos nós já fomos ou seremos tocados por esta realidade da depressão, seja através de familiares, de amigos próximos ou de fases que nós próprios atravessamos" disse o especialista cuja estratégia de prevenção e alerta passa por convocar todas as pessoas a reconhecer os sinais e a referenciá-los a médicos ou profissionais de saúde competentes para tratar e/ou encaminhar cada caso. Tudo isto dá que pensar e obriga-nos a ficar mais despertos para os que andam mais frágeis à nossa volta. Em tempos de crise todos os sintomas depressivos e consequentes perturbações psíquicas se acentuam e todos nunca seremos demais para nos ajudarmos uns aos outros. Gostava de assistir a todas as conferências deste Forum de saúde mas não sei se vai ser possível porque amanhã volto a viajar, desta vez para Nova Iorque, e depois vou continuar muito tomada pela série de programas que estamos a gravar. Mas fica aqui um alerta geral. E um abraço para todos, em especial para a Isabel Mota e para quem se preocupou comigo nestes dias em que não apareci por aqui. Demasiado trabalho e demasiadas coisas para tratar... Abraços a todos sem excepção!    

 

publicado por Laurinda Alves às 16:24
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Contra o estigma
Escrevo no comboio, a voltar do Porto onde fui a um jantar que reuniu centenas de pessoas para celebrar simultaneamente o Dia da saúde Mental e o 1º aniversário da Associação ENCONTRAR+SE. Apesar de ter apenas um ano de existência, esta associação de apoio às pessoas com perturbação mental grave é extraordinariamente dinâmica e tem-se revelado um motor de transformação de mentalidades e atitudes.
Miguel Veiga, num discurso profundo e sentido que fez um eco muito poético no maravilhoso espaço das antigas caves da Real Companhia Velha, falou do valor da liberdade que nos levou todos ali. “Somos tanto mais livres quanto mais liberdade encontramos nos outros. Por isso, promover a liberdade do outro é o nosso mais profundo acto de liberdade”. Concordo inteiramente com Miguel Veiga e, tal como ele, sinto que é um dever de todos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que “aqueles que têm uma liberdade diminuída, perturbada, obscurecida ou apoucada porque têm doença, têm medo, têm fome ou têm ignorância” possam libertar-se destas e outras condicionantes.
A ideia de reunir tantas pessoas para falar destas questões partiu de Filipa Palha, psiquiatra fundadora da ENCONTRAR+SE, e de toda a equipa que ela conseguiu mobilizar com o objectivo de promover a saúde mental no nosso país e lançar uma campanha anti-estigma. Vimos as imagens da campanha e ouvimos alguns testemunhos eloquentes do que é viver com perturbações de saúde mental e sofrer o olhar dos outros. O estigma social permanece e é dramático para os doentes e para as suas famílias.
Todos temos uma péssima relação com a doença mental e todos rejeitamos os que têm sinais exteriores de perturbações mentais. Importa reconhecer que temos demasiados preconceitos, demasiada vergonha e demasiado medo de uma realidade que, afinal de contas, nos é mais próxima do que julgamos e toca uma em cada quatro pessoas no universo da União Europeia.
Embora muitos de nós ainda associem a doença mental à loucura, aos hospícios e a um tipo de ‘coisas que só acontecem aos outros’, a realidade prova exactamente o contrário: a depressão e a ansiedade crónica, duas formas de perturbação mental muito comuns e graves, também afectam pessoas como nós.
Nesta lógica vale a pena repensar toda esta questão e vencer os preconceitos que persistem.
 
Imagine que…
 
James L.Stone, comissário do Departamento para a Saúde Mental do Estado de Nova Iorque, fala da perda de capacidades cognitivas associadas a doenças psiquiátricas de uma forma muito simples e acessível e não resisto a citá-lo aqui.
“Imagine, por um momento, o que seria acordar um dia sem ser capaz de se concentrar, de se lembrar de informação recentemente adquirida e de pensar de forma clara; o que seria ir trabalhar com vontade de produzir mas não ser capaz de se concentrar e, pouco depois, ter o seu patrão descontente por não apresentar trabalho ou por não cumprir prazos.
Ou começar a achar que as pessoas falam depressa demais e ficar na dúvida sobre o que elas dizem ou querem; ver a sua auto-estima a debilitar-se e as relações com os familiares e amigos a deteriorarem-se; começar a duvidar das suas capacidades e da percepção do mundo à sua volta; ter medo das pessoas que o rodeiam e passar a evitar acontecimentos sociais. Com o passar do tempo, começar a perder a esperança de poder readquirir as suas capacidades e de ter um futuro melhor”.
Se conseguirmos imaginar tudo isto (que só de imaginar se torna insuportável) conseguimos perceber aquilo por que passam as pessoas que têm défices cognitivos associados a doenças psiquiátricas graves. Para quê o exercício? Para cairmos na conta de que existe este sofrimento real mas, também, para tomarmos consciência de que existem tratamentos combinados que permitem a estas pessoas recuperar. Os médicos e os fármacos são importantes mas não chegam. O apoio dos familiares, dos amigos e dos pares é determinante na recuperação destes doentes e a eles se deve também a possibilidade de poderem retomar o controlo da sua própria vida. Ou seja, todos somos importantes para que estes doentes readquiram a esperança e reconstruam a confiança em si mesmos. Por outras palavras, não podemos continuar de cabeça enfiada na areia a fingir que não temos nada a ver com a saúde mental dos outros. Pelo que dizem os especialistas, temos e muito!   
 
 
publicado por Laurinda Alves às 18:09
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