Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
A realidade à nossa volta não é toda negra nem sombria

Tirei esta fotografia no dia de Carnaval, ao entardecer, numa praia perto de Lisboa. Fui dar um passeio à beira-mar, num dos meus momentos diários de silêncio e reflexão, e foi impossível ficar imune a tanta beleza. Voltei a casa a horas de ver os Telejornais e as más notícias eram dadas com ênfase e repetidas vezes sem conta: duas reportagens seguidas sobre a jovem actriz que foi condenada por tráfico de droga, mais não sei quantas legendas a entrar constantemente a dizer exactamente a mesma coisa que tínhamos acabado de ver. Ou seja, mais do que julgada e condenada pelo tribunal, continua a ser julgada pelos Media e pela opinião pública. Para mim chegava dizerem uma vez e seguir em frente. Ponho-me no papel da família e dos amigos, imagino o doloroso que deve ser lidar com esta realidade da condenação, bem como com o motivo que a levou à prisão, e tenho a certeza que os Media deviam ser mais sensíveis à sensibilidade dos outros, ter mais pudor e objectividade. Infelizmente a lógica que impera na esmagadora maioria dos meios de Comunicação Social é a do "quanto pior, melhor!". É pena que as boas notícias não sejam notícia e se bem que não esteja à espera que os jornalistas e opinion leaders falem da beleza do pôr do sol, também não me apetece estar sempre a ouvir debitar más notícias sem calibrarem a informação com notícias menos más e até boas. Porque a realidade não é só preto e branco. Há muitas cores e matizes, e se todos temos à nossa volta muitas pessoas em sofrimento, revoltadas, injustiçadas ou consumidas de angústia, também todos estamos próximos de outros que não desistem, que criam, inovam, arriscam e conseguem seguir em frente, indo cada vez mais longe e levando muitos consigo.

Felizmente é destas pessoas que esta minha nova série de programas fala: de portugueses que lutam e trabalham porque sabem que o talento também é muito esforço e uma grande dose de responsabilidade. Entrevistei pessoas de todas as condições sociais e de todas as áreas profissionais que contribuem para este país, que não desistem, que não baixam os braços e que sabem que só com muito trabalho é possível fazer caminho. Não pensem que revelo apenas homens e mulheres que vivem de sucesso em sucesso, porque na realidade muitos deles tiveram e têm que ultrapassar muitas dificuldades, e a sua vida foi e é feita de grandes adversidades. A série chama-se FEITOS EM PORTUGAL, por ser uma marca construtiva que revela gente especial, mas também banal como todos nós. Uma marca que sublinha quem são os common heroes dos nossos tempos: pessoas de todas as idades e profissionais de diferentes áreas de especialidade, capazes de levar este país para a frente e de o puxar para cima, lutando, trabalhando, contribuindo e contrariando o negativismo que começa a instalar-se em nós e à nossa volta. Não podemos deixar-nos influenciar só pelos telejornais, porque eles mostram apenas a parte mais negra da realidade. Ela existe, de facto, e é incontornável, mas há mais realidades e mais cores. Felizmente.

 

 

publicado por Laurinda Alves às 01:22
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