Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Os dias de Verão e ... até Setembro!

 

Vou de férias no dia 7 e volto na última semana de Agosto. Antes de partir ainda tenho tanto, tanto trabalho para fazer e tantas coisas para deixar entregues e fechadas, que vou-me desligar do blog até ao fim do mês. Deixo aqui um poema de Sophia de que gosto muito e tem tudo a ver com a vida nos dias e noites de Verão. Boas férias para quem está de férias e até à volta!

 

OS DIAS DE VERÃO

 

Os dias de verão vastos como um reino

Cintilantes de areia e maré lisa

Os quartos apuram seu fresco de penumbra

Irmão do lírio e da concha é o nosso corpo

 

Tempo é de repouso e festa

O instante é completo como um fruto

Irmão do universo é o nosso corpo

 

O destino torna-se próximo e legível

Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros

Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

 

Como se em tudo aflorasse eternidade

 

Justa é a forma do nosso corpo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

in Obra Poética, Volume III 

publicado por Laurinda Alves às 11:51
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
Como uma flor vermelha

 

...

Então o mistério das coisas estremece

E o desconhecido cresce

Como uma flor vermelha.

 

                                    Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética, Volume I

 

publicado por Laurinda Alves às 11:24
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Mãe e filha

 

Maria Andresen de Sousa Tavares, professora universitária de Literatura e autora de vários livros de poesia, filha de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Francisco Sousa Tavares deu uma bela entrevista ao Expresso. Maria passou os últimos dois anos a organizar o espólio da mãe antes de ser doado pela família à Biblioteca Nacional. Foram anos de muito trabalho e emoção, pois havia nos 87 caixotes que continham o espólio de Sophia muitos escritos, diários, cadernos, fotos e poemas inéditos.

 

 

Na próxima terça-feira é lançada a "Obra Poética" de Sophia, num único volume que reúne toda a sua poesia. Já mostrei aqui o livro no dia em que me cruzei com a Maria (ainda somos cunhadas, pois há laços que nunca se desfazem e este é um deles) num fim te tarde marcado por encontros felizes.

http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/405268.html

 

 

Gostei muito da entrevista da Maria e da maneira como ela fala das suas memórias, das recordações de família, dos episódios marcantes, do amor entre o pai e a mãe, enfim de tudo o que conta e da beleza e da verdade que transmite ao longo das páginas. Recomendo a leitura desta entrevista na revista do Expresso e, claro, do livro que vai sair já na próxima semana.

publicado por Laurinda Alves às 18:36
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Encontros e surpresas felizes

 

Adoro observar as mãos e os gestos dos outros, e fascinam-me particularmente as mãos dos artistas e escritores. Ontem encontrei por acaso o arquitecto Eduardo Souto Moura perto de minha casa. Estava sentado a fumar o seu cigarro de fim de tarde, antes de ir para a cerimónia de homenagem que um grupo alargado de arquitectos e personalidades mais ou menos públicas decidiu prestar a Nuno Teotónio Pereira. Sentei-me com ele à conversa um quarto de hora, tempo mais que suficiente para o ouvir dar as suas gargalhadas e contar algumas pequenas histórias.

 

 

Perguntei-lhe se podia fotografar as suas mãos e ele disse que sim, sem nenhuma hesitação e confessou-me que também tem fascínio pelas mãos dos outros. Achei graça ao facto de ele desenhar a sua própria agenda mensal num caderninho preto igual aos que Le Corbusier usava no bolso do casaco. Souto Moura usa-o no bolso de trás das calças, coisa que lha dá um ar boyish.

 

 

Contou-me coisas sobre a sua mãe, que tem noventa anos, e a avaliar pelas histórias do filho conserva uma lucidez e um sentido de humor invulgares. Despedi-me e desci para o Chiado a correr porque eu própria tinha onde estar às 7h da tarde. Mais à frente encontrei grande parte da minha antiga família, todas as cunhadas e cunhado (estes são os laços que nunca se desfazem), com a surpresa feliz de terem acabado de receber o primeiro exemplar do maravilhoso volume da Obra Poética de Sophia que está prestes a ser lançado. Uma beleza! Adoro estes encontros felizes e estas surpresas inesperadas e comoventes.

 

publicado por Laurinda Alves às 15:49
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
O Outono, vivido deste lado do Oceano

 

... e a voz do mar encheu o céu e a terra

    Uma voz que está cheia e que se quebra

    E nunca mais acaba.

 

                                            fragmento do poema Tu Dormes, de Sophia, in Obra Poética Volume I

publicado por Laurinda Alves às 01:10
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Um fio invisível de deslumbrado espanto

Em tempo de sol e praia, numa semana em que uns já partiram para férias mas outros continuam a trabalhar com a miragem de uns dias bem passados mais à frente, deixo aqui um excerto do texto As Grutas, de Sophia. Adoro este texto e conheço bem algumas destas grutas.

 

Um fio invisível de deslumbrado espanto me guia de gruta em gruta. Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror de penetrar na habitação secreta da beleza, terror de ver o que  nem em sonhos eu ousara ver, terror de olhar de frente as imagens mais interiores a mim do que o meu próprio pensamento. Deslizam os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso gargantas de pedra e a arquitectura do labirinto paira roída sobre o verde. Colunas de sombra e luz suportam céu e terra. As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes. (...) Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu. O meu olhar tornou-se liso como um vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.

 

publicado por Laurinda Alves às 00:13
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
A luz, os lugares e a poesia de Sophia

 

 

Sophia numa versão 'rapariga de bronze', de queixo levantado a olhar sobre a cidade, com rio ao fundo, esculpida pelas mãos do mestre António Duarte. Eis a homenagem que a CML presta à escritora no dia dos cinco anos da sua morte.

 

 

Há precisamente cinco anos este lugar estava cheio de gente a despedir-se de Sophia. Hoje o Largo da Igreja da Graça foi baptizado com o nome de Sophia e foi ali colocado o seu busto de bronze e um poema que escreveu sobre Lisboa. O poema ficou inscrito numa parede muito bonita e cinematográfica.

 

 

Os filhos de Sophia estiveram todos presentes. São cinco e estiveram ao lado do Miguel enquanto ele leu o poema da mãe, de costas para o Miradouro da Graça. Conhecendo a luz e a poesia de Sophia não podia haver melhor lugar para ela.  

 

 

publicado por Laurinda Alves às 16:44
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Sophia nos 35 anos do 25 de Abril e sempre

Revejo Sophia no documentário que passou na RTP2 para celebrar

os 35 anos do 25 de Abril e volto a ouvir a sua voz. Ouço o que dizem

os outros sobre a sua poesia e a sua vida. Rio com as gargalhadas

que algumas das suas histórias ainda provocam nos filhos e netos,

e recordo um e outro poema citado em alto, de cor, por Manuel Alegre. 

É noite e dou comigo a repetir a música e a métrica das suas palavras...

 

Noite de folha em folha murmurada,

Branca de mil silêncios, negra de astros,

Com desertos de sombra e luar, dança

Imperceptível em gestos quietos  

 

publicado por Laurinda Alves às 22:08
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009
O fogo, a calma as sombras e a luz

 

Hoje deixo aqui duas fotografias que tirei no alto do terraço

de um hotel em Oliveira de Azeméis ao fim da tarde por me

dizerem muito sobre muitas coisas e também por servirem

de imagem a um poema de Sophia de que gosto há muito..  

 

 

Com o fogo do céu a calma cai

No muro branco as sombras são direitas

A luz persegue cada coisa até

Ao mais extremo limite do visível

Ouvem-se mais as cigarras do que o mar

 

Afinal deixo aqui uma terceira fotografia por ter registado o

momento que, de alguma forma, me fez recordar o poema

de Sophia. Trata-se de um encontro ao fim da tarde com 2

jornalistas (a Patrícia Santos à esquerda, do jornal Correio

de Azeméis, e a Anabela Carvalho do jornal Labor.pt) em

que eu e o Rui Marques falámos daquilo que nos move e

nos faz percorrer o país de norte a sul em campanha pelo

MEP. Foi um fim de tarde de uma calma extraordinária em

que nos sentimos gratos por estar ali àquela hora, com um

horizonte amplo e a luz da tarde, numa conversa demorada

mas também muito descontraída. Aproveito para agradecer

à Patrícia e à Anabela a abertura mas, acima de tudo, a sua

capacidade de ouvir e conversar. Depois de uma sucessão

de dias acelerados, de muita estrada, muito pó e muito sol

foi bom aterrar aqui neste terraço de vidros através dos quais

podemos ir tranquilamente ao mais extremo limite do visível..

 

 

publicado por Laurinda Alves às 11:37
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
E porque hoje também é dia de celebrar...

 

E porque hoje também é dia de celebrar a vida de uma outra

amiga que faz 33 anos, deixo aqui a imagem de alguém que

me é muito querido, a olhar para o infinito do céu com toda a

força de quem é capaz de fazer perguntas que jamais terão a

resposta que procuramos.Também ela se interrogou sobre a

doença da mãe, que felizmente agora está curada. E também

nós nos interrogamos sobre a vida e a morte nos momentos

em que a celebramos ou choramos. Hoje é dia de lágrimas e

risos, de agradecer e de rezar, de aceitar a vida tal como ela é.

Deixo aqui um poema de Sophia porque me parece apropriado.

 

Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A força dos meus sonhos é tão forte

Que de tudo renasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias.   

 

publicado por Laurinda Alves às 15:21
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