Quarta-feira, 28 de Março de 2007
Importa-se de não repetir?
O doente está hospitalizado e o estado é grave. A família e os amigos experimentam a esperança e a desesperança em cada hora e todos os dias são uma conquista. Mas também uma angústia.
Os médicos que tentam a todo o custo recuperar a saúde e a condição física do doente também têm os seus momentos. E os seus dias. Uns calam mais do que falam mas outros contam tudo, com todos os detalhes. Magoam profundamente.
Fazem doer quando dizem coisas que não temos capacidade de ouvir e, pior, quando insistem mesmo sabendo que não há discernimento nem critério possível para perceber onde acabam as verdades da ciência e começam as certezas de fé.
É importante dizer aos médicos e aos enfermeiros que não queremos nem precisamos de saber tudo. Para um leigo que todos os dias vai ao hospital num sufoco visitar alguém muito querido que se mantém inconsciente e suspenso entre a vida e a morte, não importa saber os pormenores. Ou, pelo menos, alguns pormenores.
Importa, isso sim, que expliquem por palavras simples se o estado se agravou ou evoluiu no sentido positivo. Importa saber se é estável e se é possível um prognóstico mas não interessa nada ouvir um enunciado escatológico sobre aqueles que amamos. Demasiada informação transmite insegurança e enche de medos. De pavores, mesmo.
Apetece dizer a todos os médicos e enfermeiras que se aventuram nos detalhes qualquer coisa como: importa-se de não repetir?
Obrigada.
publicado por Laurinda Alves às 20:08
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