Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Arquitectura humana

 

Ainda a propósito de 'laboratórios sociais' e multidões, deixo aqui uma fotografia do pátio central da Grand Central Station, em NY. Tirei esta fotografia há pouco mais de um mês, quando lá estive, depois de já ter gravado em Londres uma entrevista com a arquitecta Guida Marques Pinto em que ela sublinhou alguns detalhes humanos e humanizantes na arquitectura deste espaço único. Achei graça ao facto de a Guida, que faz arquitectura de causas e com impacto social, ter contado que os arquitectos da Central Station tiveram o cuidado de criar linhas invisíveis extraordinariamente eficazes que funcionam como corredores que orientam as multidões, permitindo a cada pessoa circular sem estar permanentemente sujeita a encontrões. Estas linhas praticamente invisíveis, mas arquitectonicamente bem definidas, tornam este imenso espaço mais humano na medida em que potencia o conforto de multidões e multidões que desfilam diariamente pelos corredores e naves da Central Station. Há mais detalhes felizes para além da estética e da arte que são, em si mesmas, um consolo permanente. Estes detalhes passam, por exemplo, por uma ligeira inclinação do solo à saída dos túneis e chegada ao patamar amplo e central (em cujo tecto abobadado foi pintada a esfera celeste, cheia de constelações e referências astronómicas) que faz com que as pessoas naturalmente olhem para cima, abram o plexo solar e respirem melhor. Ou seja, não se trata apenas da possibilidade de contemplar a arte do pintor francês Paul César Helleu, mas de descomprimir das viagens e trânsito subterrâneo. Gosto da ideia de emergir das profundezas da terra, onde viajamos em carruagens de ferro e aço, cheias de néons, para um espaço luminoso, trespassado de luz natural, onde ainda por cima alguém pensou em nós e na nossa necessidade de circular, respirar e admirar arte. Muito bom.

publicado por Laurinda Alves às 12:01
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Noite e dia nas ruas de NY

 

Passei uma tarde a editar a entrevista que fiz em NY ao Jorge Colombo, ilustrador e fotógrafo que também filma e escreve e faz design gráfico, e foi um prazer voltar a ouvi-lo. Tirei-lhe esta fotografia na rua, mesmo em frente da Central Station, onde estavam estacionados dois american trucks carregados de luzes, focos e material de cinema e fotografia, prontos a improvisar um estúdio e a iluminar tudo como se fosse dia. Performativo e divertido, o Jorge fez a sua pose. Dentro da Central Station descobrimos a fotógrafa Annie Leibovitz (já fiz um post com ela e o batalhão de gente que estava no set) e demorámos por ali a vê-la trabalhar. As ruas de NY são quase sempre um acontecimento. No Soho, na manhã seguinte, também tirei fotografias a pessoas que passavam na rua. Esta miúda parece saída de uma campanha publicitária mas não, estava só a tentar apanhar um táxi.

 

publicado por Laurinda Alves às 09:08
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Fotografias de Travis Ruse no Metro

 

Gosto particularmente de arte pública, de ver exposições nas ruas, de contemplar esculturas e instalações nos passeios, de ver fotografias de autor nos transportes públicos. Travis Ruse, fotógrafo norte-americano com um talento especial para captar a luz e as sombras no Metro, tem uma exposição de fotografias belíssimas nos corredores do próprio Metro, em NY.

 

 

Durante meses a fio Travis Ruse fez o caminho de Brooklyn para Manhattan de Metro e entreteve-se a observar as pessoas e a fotografá-las. O resultado de parte deste demorado exercício de contemplação está à vista nos outdoors das plataformas do Metro nova-iorquino, mas também pode ser visto no facebook e no blog e site do fotógrafo. Vale a pena ver o seu trabalho e conhecer a perspectiva da sua arte.

 

publicado por Laurinda Alves às 00:22
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Com o Jorge Colombo pelas ruas à luz da tarde e da noite

 

Faltava-me falar aqui das horas que passámos com o Jorge Colombo a deambular pelas ruas de NY com a luz da tarde e, depois, as mil luzes da noite. Não sou nada imparcial quando se trata de falar de pessoas de quem gosto há muitos anos e cuja arte admiro profundamente. É o caso do Jorge. Somos amigos há quase 30 anos, trabalhámos juntos no Indy (O Independente) e já vivemos muitos momentos marcantes juntos. Nesta lógica, assumo a minha parcialidade total no que diz respeito à sua pessoa, mas assumo também a minha imparcialidade radical relativamente à sua obra e talentos.

 

 

Encontrámo-nos na 7ª Avenida ao fim da tarde, a uma hora em que a luz estava linda, e caminhámos longas horas pela cidade. Começámos por procurar o melhor lugar para gravar a primeira parte da entrevista e encontramos a esquina perfeita, mesmo ao lado do bairro onde o Jorge e a Amy moraram quando mudaram de Chicago para Nova Iorque. Curiosamente na esquina imediatamente a seguir é o The Local 269, o bar onde tinhamos combinado encontrar-nos com a Sara Serpa e o André Matos, os músicos de jazz de que já falei nos posts anteriores. 

 

 

O Jorge Colombo é um artista prodigioso, muito performativo e com múltiplos talentos. Escreve bem, desenha bem, ilustra bem, filma bem e fotografa bem. É impressionante toda a sua arte (vejam o seu site, que vale a pena e é muito eloquente de tudo o que acabo de escrever: www.jorgecolombo.com) e a naturalidade com que tudo lhe sai. Profundamente culto (cultura clássica e contemporânea, note-se), é um homem cheio de interesses e muito interessante. A entrevista correu maravilhosamente bem, claro.

 

 

Pela primeira vez nesta sucessão de viagens e filmagens houve protagonistas que se cruzaram no plateau. Ou seja, que entraram em campo ao mesmo tempo, mesmo sem se conhecerem. Enquanto filmávamos o concerto de jazz da Sara e do André, o Jorge sentou-se no bar e foi desenhando no seu iPhone. Lembro que o Jorge Colombo é o artista que ultimamente fez 5 capas da lendária revista New Yorker com os seus desenhos e ilustrações feitos no iPhone.

 

 

É fabuloso vê-lo desenhar no pequeno ecran do telemóvel e é incrível o detalhe e a precisão das suas ilustrações. Só vendo se percebe como é possível desenhar o pormenor mais ínfimo da realidade como se a estivesse a fotografar e não a desenhar. O Jorge Colombo nunca altera a realidade que observa e essa característica é fascinante e revela a profundidade do seu olhar e a qualidade do seu traço.

 

 

Na fotografia abaixo tento mostrar a realidade real de uma esquina no bairro onde o Jorge e a Amy moraram (foi o primeiro desenho no iPhone que o Jorge fez) e o desenho no ecran do telemóvel. O brilho do ecran faz com que se perca a definição na fotografia e é pena porque visto a olho nu é impressionante: a esquina real e a esquina desenhada são iguais.

 

 

A vida do Jorge é andar pelas ruas num exercício de observação compulsiva e apaixonada, e depois parar e desenhar, desenhar, desenhar.

 

 

Nesta rua ele desenhou o edifício da frente e no fim 'inventou' três personagens mais ou menos errantes a arrastar duas mochilas com rodas pela rua. Adorámos fazer parte do seu desenho e confesso que esta pequena-grande ilustração me comoveu pela maneira simples e atenta como o Jorge nos retratou, sabendo (ou não) que estava a fazer a síntese destes três meses de viagens em que andámos para cá e para lá com estas mochilas atrás. 

 

 

Os últimos são os primeiros e fecho com o Jorge Colombo este ciclo de imagens dos bastidores das filmagens desta primeira série de programas. No fim de 10 cidades em 8 países e mais de 40 entrevistas gravadas, confesso que estou de alma cheia a transbordar de gratidão e alegria. Não podia ter corrido melhor! Grande pinta. Obrigada a todos e a cada um dos entrevistados e, também, à Garage, à Íngreme, à RTP e a todos aqueles que permitem que os nossos sonhos se realizem. Fazer estes programas era, para mim, um sonho antigo. 

publicado por Laurinda Alves às 23:57
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Retratos da Sara e do André à luz do dia

 

Adorei conhecer a Sara Serpa e o André Matos. Adorei a sua música e a sua maneira de ser e estar. São um casal muito cúmplice e muito talentoso e está-se muito bem na sua companhia e na sua casa.

 

 

Passámos uma tarde inteira juntos e tivémos tempo para conversas demoradas. Estava um calor intenso mas isso não nos impediu de andar pelas ruas do Harlem e de gravar as entrevistas na rua. Começámos em casa deles, enquanto a Sara cozinhava e o André tocava, e ainda filmámos o ensaio de umas músicas. Muito bom. Não gosto de estabelecer hierarquias no rol de entrevistados desta série, mas este casal está definitivamente no top.

 

publicado por Laurinda Alves às 13:28
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Jazz de portugueses em Nova Iorque

 

Sara Serpa e André Matos, ela canta e ele toca guitarra. São um casal de músicos portugueses de jazz que vivem e tocam em NY. Criaram um espaço próprio numa cidade extraordinariamente competitiva e é um prazer saber que têm cada vez mais público e reconhecimento.

 

 

Começámos por os ouvir tocar e cantar no Local 269, um espaço muito jazzy e muito cinematográfico. Havia pouca luz, como é natural, e desta vez as polaroids ficaram muito escuras mas acho graça ao contraste por se tratar de um concerto num bar.

 

 

No dia em que fomos ouvir o concerto da Sara e do André estávamos em filmagens com o Jorge Colombo, que também nos acompanhou. Igual a si próprio, o Jorge manteve-se no bar a desenhar no seu iPhone. Enquanto a Sara cantou e o André tocou, o Jorge Colombo ilustrou. Lindo!

publicado por Laurinda Alves às 13:15
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
João Carlos, fotógrafo e Prémio Hasselblad 2010

 

João Carlos, o nome que está na capa desta e outras revistas internacionais, é o fotógrafo português premiado pela prestigiada marca Hasselblad. Desde 2009 que João Carlos é um Hasselblad Master, título que foi atribuído a fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Irvin Penn, Sebastião Salgado, entre outras grandes lendas da fotografia. Este título é dado a dez fotógrafos por ano e celebra a excelência dos premiados.

 

 

João Carlos tem 33 anos e nasceu em Nova Iorque. Filho de pais que emigraram no fim dos anos 60, viveu nesta cidade até aos 15 anos. Fala um português impecável e sente-se inteiramente português. Hoje estamos a gravar a última entrevista da primeira série de programas e o João Carlos fecha este ciclo de 40 protagonistas absolutamente fabulosos que vamos revelar mais à frente, depois do Verão. Mal posso esperar para começar a editar os programas que hão-de ser emitidos pela RTP e RTP Internacional a partir de Setembro.

 

 

Os bastidores de um set de fotografia (estúdio e decor, para leigos) é sempre fascinante e muito gráfico. Todas as fotografias que se tiram enquanto um fotógrafo está em acção, a fotografar modelos, ficam bonitas porque de certa forma também nós estamos 'on stage'.

 

 

 

 

Hoje estamos a correr até porque depois desta sessão de filmagens temos que ir para o aeroporto. Amanhã, já em Lisboa, publico imagens do Jorge Colombo, artista plástico multitalentoso, da Sara Serpa e do André Matos, músicos de jazz. Nestes últimos dias foi impossível manter o ritmo no blog e como fiquei mais ausente, não escrevi nada sobre estes três entrevistados que adorei e me marcaram extraordinariamente. O Jorge Colombo por ter estado com ele como jornalista mas também como amiga de há mais de 20 anos; o casal de músicos jazz por serem duas pessoas muito especiais e queridas. Volto amanhã aqui, quando estiver aí!

publicado por Laurinda Alves às 21:12
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Nova Iorque não dorme

 

 

 

 

 

Estas imagens foram tiradas ao entardecer, imediatamente antes de cair a noite sobre NY, a cidade que não dorme. O terraço onde vimos o anoitecer e a lua subir devagarinho para o alto do céu era um arraso. Graças à Catarina Perestrelo tivemos o melhor fim de dia possível em NY. Aqui fica mais uma imagem parecida com uma das anteriores, mas desta vez com a lua quase cheia.

 

publicado por Laurinda Alves às 20:44
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Terça-feira, 25 de Maio de 2010
Encontro com Annie Leibovitz na Central Station

 

Em NY ha sempre a possibilidade de multiplicar os encontros com pessoas banais e especiais nas ruas e avenidas, e isso faz desta cidade um lugar fascinante. Ontem estivemos na Central Station com a celebre fotografa Annie Leibovitz e claro que esta proximidade de uma mullher como ela nos tocou e nos fez parar. Aqui fica uma sucessao de fotos tiradas ah equipa com que Annie Leibovitz estava a trabalhar. Tudo muito profissional e tudo muito impressionante, aqui entre nos.

 

 

 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 20:22
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Retratos e auto-retratos numa parede amarela do Soho

 

Ia a conversa pelas ruas do Soho com o Andre Cruz, o realizador desta serie de programas sobre os portugueses no mundo, quando ele reparou nesta parede amarela. Diss que era um fundo espectacular para fazer fotos e fez uma pose. Improvisamos um street studio na rua e fizemos retratos um do outro.

 

 

Uma americana simpatica que passou com o marido no momento em que faziamos as fotos, achou o nosso estudio improvisado muito giro e disse que nos queria tirar uma fotografia aos dois. Aqui fica o registo, por graca.

 

 

O Paulo Segadaes nao estava connosco nesse momento mas queremos voltar ao "estudio" para uma fotografia juntos. Agora vou-me embora e como temos dias muito, muito preenchidos, nao sei quando volto ao blog. Ate breve!

publicado por Laurinda Alves às 15:55
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