Domingo, 2 de Setembro de 2012
Deslumbramento e superação nos Picos da Europa

Voltei há uma semana dos Picos da Europa, de uma viagem inesquecível e incrível. Eu e um grupo de 8 pessoas percorremos o Maciço Central a pé, com mochila às costas, atrás do Tiago Costa, da NOMAD que nos guiou pelos caminhos de pedras e cascalho até aos picos mais altos, em alturas impensáveis.

 

O Naranjo é um pico de referência mundial para escaladores e aventureiros de renome mundial. Só grandes escaladores atingem o topo. Se olharem com atenção vêm dois escaladores a subir, são dois pontinhos escuros mais ou menos a meio da encosta (que, na realidade, é uma parede vertical descomunal).

O Tiago Costa criou a NOMAD, uma agência de viagens com destinos, trilhos e horizontes espectaculares. Especialista em viagens diferentes, o Tiago é um grande escalador e um verdadeiro montanhista. Inspira imensa confiança e é graças a ele e à sua experiência que nos superamos ao longo dos caminhos.

Para mim, que morro de vertigens e nem sequer consigo olhar para o fundo dos desfiladeiros quando estou em trilhos estreitos, era impensável descer este abismo de pedras mais ou menos soltas. Felizmente o Tiago consegue encher-nos de coragem e forças e lá descemos tudo, com a ajuda de cabos de aço.

As paisagens e climas nos Picos são de uma variedade fascinante. Nesta cordilheira cantábrica, a norte de Santander, existe uma diversidade ecológica fabulosa e todos os trilhos e caminhos se percorrem entre montanhas e vales de uma beleza esmagadora. Por vezes é mesmo de cortar a respiração...

Caminhámos entre 7 a 9h por dia, sempre com as mochilas carregadas e com a ajuda de bastões. O caminho é muito pedregoso e irregular e isso provoca um cansaço extremo, mas é impressionante ver como cada um de nós foi capaz de se transcender dia após dia. A força de um era a força de todos.

As longas caminhadas com subidas custosas e descidas penosas não foram fáceis, mas valeu a pena termos sido capazes de atravessar os Picos pelos seus trilhos mais adversos para ficarmos a conhecer lugares e povoações maravilhosas como Bulnes, com cascatas, casas lindas e muito bem cuidadas.

Chegar ao fim do dia ao albergue ou aos refúgios onde passámos as noites era uma espécie de oásis num deserto de poeira, calhaus de todos os tamanhos e rochedos com muros verticais que tinham que ser contornados e quase escalados. À nossa espera havia sempre uma cerveja fresca e um colchão macio.

Graças à experiência e paixão do Tiago pelos Picos da Europa, ficámos todos os dias em lugares de maravilha. Nunca terei palavras para exprimir a beleza do  amanhecer e do entardecer, a solenidade dos montes, a majestade das pedras e das enormes sombras que projectam, nem a exuberância dos bosques...

 Caminhar acima das nuvens ou entre aldeias de granito com o som da água a correr entre as pedras às horas de calor, mas também com o vento quente da tarde e a brisa fresca da noite. é uma experiência que não se esquece. Limpa o olhar, lava a alma e renova o coração. Enche de forças, alegria e gratidão

 Atravessar os Picos da Europa a pé é uma combinação permanente de deslumbramento e superação própria. Éramos 8 desconhecidos à partida, mas não foi preciso esperar pela chegada para perceber que eramos um grupo era coeso, sem divisões nem quebras. O espírito de entreajuda funcionou em pleno.

Os bosques e vales dos Picos da Europa são um imenso devaneio. Exuberantes, frescos, magníficos, têm uma diversidade admirável. Há quem conheça mais a parte verde dos Picos do que a parte de pedras e rochas, mas pelo que vimos é uma pena ver umas partes sem ficar a conhecer as outras. 

Os nevoeiros e neblinas são um clássico eterno neste tipo de montanha e de clima. Esta cordilheira vive numa proximidade quase irreal do mar Cantábrico e nela coexistem bosques atlânticos e mediterrânicos. Ou seja, tudo isto é uma espécie de Paraíso. Pensar que tudo isto está mesmo aqui ao lado é genial.

 

No penúltimo dia desta viagem subimos a grandes alturas e contornámos obstáculos aparentemente incontornáveis. No fim tivemos a melhor das recompensas: o refúgio Collado Jermoso, num pico muito alto e isolado. Chegar e ver uma casa com galinhas à beira do precipício foi uma miragem.

Muito mais impressionante ainda do que as galinhas é a mesa onde elas treinam os seus pequenos voos. Colocada mesmo à beira do abismo, tem uma vista espectacular sobre as montanhas e o fundo dos desfiladeiros. Aqui omemos um dos melhores petiscos da minha vida: queijo, marmelada e nozes.

 Estar à mesa, nesta mesa de cinema, foi um filme que durou até ao pôr-do-sol. Não há vertigens nem medos que se atravessem nestes momentos em que o cenário é avassalador. Quando o sol fica a pique no horizonte todos se calam e o céu, as nuvens e os picos dos Picos ficam um poema.

Voltámos para casa à luz de lanternas, guiados pelo Tiago, mas também pelas estrelas. Dentro do Refúgio Collado Jermoso esperava-nos um jantar-ceia composto de sopa e dois pratos, servidos com pão que os guardas do Refúgio vão buscar todas as semanas a uma vila que fica a mais de 2h de distância. 

Muito acolhedor, este refúgio. Aliás, este e todos os outros onde fomos ficando. Comemos em mesas compridas e dormimos em camaratas com beliches de madeira em camas confortáveis, mas aquilo que pode parecer estranho para alguns, na verdade revela-se muito aconchegante numa viagem como esta.

Na descida do Refúgio Collado Jermoso, e já do outro lado da montanha, ainda deu para tirar fotografias a tentar enquadrar a casinha isolada do refúgio. Se olharem bem percebem que ela está no cimo da montanhe, mais ou menos a meio da encosta do lado direito, com telhado preto e paredes de madeira.  

A despedida dos Picos é um momento solene. Cada um fez o seu silêncio e aproveitou o momento para uma conversa interior. Eu, que sou de rezar, agradeci a Deus a viagem, o grupo, o Tiago, as paisagens e a capacidade de superação. Confesso que não me sabia capaz de tanto, sem treino nenhum! 

 

Já no último albergue e em vésperas de regressar, o Tiago Costa desenhou no mapa de cada um os trilhos que percorremos e o caminho que fizémos. Ficámos impressionados com a nossa capacidade de nos transcendermos, sobretudo porque só nos últimos dias é que o Tiago nos disse que grande parte do caminho foi feito por trilhos considerados de extrema dificuldade. Ainda bem que ninguém nos disse nada à partida, porque senão não teríamos ido e ... não teríamos voltado com a certeza de que afinal não há obstáculos incontornáveis, tudo se consegue passo a passo, pedra a pedra. Acreditem que esta certeza vai ficar a fazer eco em mim pela vida fora e já me está a ajudar a ser capaz de muita coisa, no sentido literal e metafórico. Trouxe uma pequena pedra branca do caminho que vai ficar para sempre como a minha pedra da superação. Grande pinta de viagem, de grupo e de guia!

 

 

publicado por Laurinda Alves às 16:52
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Sábado, 1 de Setembro de 2012
Momentos únicos e pessoas inspiradoras...

Sei muito pouco sobre esta senhora, mãe de vários filhos e avó de 10 netos, com quem me cruzei esta manhã depois de uma reunião para organizar um encontro do Humanity's Team em Portugal. Vinha a conversar pelo passeio quando 'tropecei' nesta cena: uma senhora mais velha toda despachada a abrir o capot do carro para verificar a mecânica com ar entendido. Perguntei-lhe se precisava de ajuda e com o mesmo ar desembaraçado agradeceu e disse que não. Achei graça à sua atitude e voltei atrás para lhe perguntar se podia repetir a cena e se a podia fotografar para o blog. Riu e disse que sim. Chama-se Ana Maria, tem idade para ser minha mãe e atravessa uma fase particularmente erosiva e dolorosa do ponto de vista da saúde, mas ninguém diria. Grande pinta!

publicado por Laurinda Alves às 23:08
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
Momentos únicos

Muito especial o entardecer no cais dos cruzeiros, hoje. Uma missa para centenas e centenas de pessoas celebrada por padres jesuítas mais o pe Delmar, capelão da Marinha que já fez várias viagens à volta do mundo em barcos e navios de guerra portugueses. Todos falaram de coisas simples e partiram do contexto em que estávamos para falar das viagens interiores que fazemos e dos caminhos que percorremos.  

 

Dar de graça aquilo que recebemos de graça era o tema da homilia, e sobre a gratuidade falou Miguel Siqueira de Almeida com graça (passe a redundância) e inspiração. O sentido de humor acrescenta sempre alguma coisa ao que dizemos, porque tão importante como as palavras que usamos é a maneira como falamos. Nesta lógica, o pe Miguel sublinha verdades antigas com uma novidade discursiva que vem sempre muito ancorada no humor. É bom ouvi-lo falar com alegria e leveza de coisas profundas porque o impacto é enorme. Nuno Tovar de Lemos propôs o exercício de olharmos para nós e tentarmos perceber qual a viagem que estamos ou queremos fazer. Double sense, quero dizer.   

O coro foi uma beleza e as vozes com o vento da tarde soaram ainda melhor. Muito bom.

 

publicado por Laurinda Alves às 23:50
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
Dupla celebração no Cais dos Cruzeiros, esta semana

 

O que é que Nuno Tovar de Lemos, padre jesuíta, tem a ver com velas, veleiros e marinheiros? Nada. Ou tudo, depende do ponto de vista e do dia da semana.

 

A partir desta 5ª feira, e até domingo, estarão em Lisboa alguns dos maiores veleiros do mundo. A Sagres é uma beleza e hoje uso a polaroid que tirei recentemente, no dia em que estive a bordo, para falar de uma dupla celebração a propósito de veleiros e fé. Como estava a dizer, entre 5ª e domingo a entrada é livre e todas as pessoas podem ir ao Cais dos Cruzeiros, perto de Santa Apolónia, ver o espectáculo fabuloso dos Tall Ships.

 

No dia da inauguração deste mega-acontecimento os jesuítas do Cupav - Centro Universitário Padre António Vieira - vão celebrar uma missa ao ar livre, com um cenário de cinema: os veleiros, os mastros e as velas ao entardecer, com um pôr-do-sol no horizonte líquido e a outra margem ao fundo. Todos os que quiserem ir podem ir, mas por uma questão de organização o Cupav pede para mandarem um mail a avisar que vão. Isto porque em cada uma das celebrações recentes na Lx Factory e depois, nas Ruínas do Carmo, estiveram quase mil pessoas. 

Ver a maneira prática e poética como os jesuítas e voluntários improvisam o altar e transformam os espaços em lugares sagrados é outro filme. Habituados a celebrar para crentes, descrentes e cépticos, os jesuítas sabem que a estética importa e ajuda a entrar no espírito. Não vou perder esta missa como, aliás, não perdi a celebração da LxFactory nem a missa nas Ruínas do Carmo. Sem querer converter ninguém, mas porque sei que estes momentos são radicalmente marcantes até pela experiência estética, insisto, pelo silêncio, pela comunhão e pelos coros num espaço público, não resito a aconselhar este 'programa' para 5ª feira às 20h. Quem quiser ir mande um mail para aqui: missa.grandesveleiros@gmail.com

 

Nesta imagem Nuno Tovar de Lemos e Miguel Siqueira de Almeida faziam os últimos preparativos antes da missa nas Ruínas do Carmo. Estas celebrações são especiais para todos os que participam e também para quem acha que a Igreja está muito distante da realidade-real.

publicado por Laurinda Alves às 16:55
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Terça-feira, 10 de Julho de 2012
Mudanças e outras andanças

Hoje eu e o meu filho fizemos esta estrada quatro vezes, para trás e para a frente, de manhã e à tarde, por causa de uma mudança importante e marcante nas nossas vidas. Educar um filho para a autonomia, para a liberdade e a responsabilidade é um caminho longo e por vezes acidentado que vale a pena percorrer. Este dia fica para sempre assinalado como um marco no percurso de cada um. Hoje acordo e adormeço infinitamente grata a Deus, à vida, e de uma maneira especial aos meus pais, aos meus irmãos, ao meu sobrinho mais velho e aos amigos que estão mais próximos em dias como este. 

publicado por Laurinda Alves às 22:08
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Ainda o vídeo e o prémio do Alexandre Azinheira...

Não resisto a partilhar uma cena matinal em casa dos meus pais: moramos ao lado uns dos outros há uns meses, porta com porta, e esta manhã quando fui dar os beijos de bons-dias, ao abrir depois o frigorífico com gestos maquinais e distraídos fui surpreendida com a música All Toghether Now cantada em alto por este dueto improvável Carminho/Moonspell. Voltei à sala e lá estava a minha mãe de computador ligado a ler o post no meu blog, com o vídeo a passar e a música a tocar altíssima. Muito bom. Muito divertido. Uma cena matinal quase tão improvável como o próprio dueto. Obrigada, Alexandre, Carminho & Cia por estes momentos únicos e irrepetíveis que nem sabem que provocam.

publicado por Laurinda Alves às 00:06
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
Voltar à ilha

Neste dia de luz e sombras, de celebração e dor, de lágrimas e risos, de ecos de tantas vozes e gestos, de todas as memórias das gargalhadas e silêncios cúmplices; neste dia em que recordamos os passeios dados à hora do poente e as saídas nocturnas para passarmos entre as rochas de barco sem luzes nem estrelas no céu, apenas embalados pelo rumor líquido das ondas e confiados em quem conhece bem o mar; neste dia em que voltamos à ilha por muito amor e devoção, levo um poema no coração. E ouço ainda a voz de Sophia, quando ela repetia em alto este verso que também era uma promessa: "quando eu morrer voltarei para buscar todos os instantes que não vivi junto ao mar". Hoje a poesia de Sophia é como uma luz que se eleva ao céu, ou um pássaro lento que desce e vem ao nosso encontro. É uma presença e a nossa maior certeza.

 

publicado por Laurinda Alves às 07:30
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Domingo, 27 de Novembro de 2011
Fado: Património Imaterial da Humanidade

 

António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e Fernando Andresen Guimarães, embaixador de Portugal junto da UNESCO, estão de parabéns. Eles e todos nós, portugueses! Eles e Rui Vieira Nery porque nos representaram na conferência de Bali, onde o Fado acaba de ser proclamado Património Imaterial da Humanidade; nós por termos todos a ver com esta forma de música. E de vida... Estou muito contente e a missa fadista deste domingo na Basílica dos Mártires foi um momento de celebração muito especial. 

publicado por Laurinda Alves às 20:45
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
A celebração na Lx Factory e as fotografas do Filipe Condado

 

Recebi hoje as fotografias da celebração na Lx Factory e não resisto a publicar aqui 3 imagens de um momento único e radicalmente marcante. Entre andaimes, lages de pedra e tijolos antigos, a fábrica parecia uma verdadeira catedral onde nem sequer falta um vitral. Nuno Tovar de Lemos, padre jesuíta, foi muito inspirador, como sempre. Falou do nosso lado nocturno e do nosso lado diurno, da poesia e do sonho, mas também do activismo que tantas vezes nos consome e atrapalha a vida. Foi um tempo comunhão muito profundo e a meditação sobre estas e outras questões continua a fazer eco. Ainda bem que o Círculo Vieira existe e promove iniciativas como esta.

 

 

publicado por Laurinda Alves às 12:39
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
Porto ida e volta, a horas de assistir a uma missa especial

 

Dia de ir e voltar ao Porto gravar mais entrevistas para a nova série de programas. Vou com o propósito de voltar a horas de participar numa missa excepcional, celebrada num lugar improvável: a Lx Factory. Vai ser um momento memorável: cerca de mil pessoas num espaço a la Warhol , onde habitualmente se trabalha ou se sai à noite, mas desta vez para rezar e ouvir falar de Deus. A missa foi pensada pelo Círculo Vieira, uma organização dos jesuítas do Centro Universitário Padre António Vieira, e vai ser celebrada por Nuno Tovar de Lemos e Miguel Siqueira de Almeida, padres jesuítas que são dois dos maiores conversores de almas que conheço. Pelo exemplo que dão, pelo dom da comunicação (ler: pela maneira simples e contagiante como falam) e pela abertura de espírito com que acolhem crentes, descrentes, cépticos e duvidosos. A missa é às 21:15 e de entrada livre. Sintam-se convidados! 

publicado por Laurinda Alves às 00:00
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