Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Coisas e pessoas do mundo da lua

 

Neste mesmo espaço e nesta mesma cidade fiquei a conhecer

projectos e pessoas apostadas na sensibilização para o meio

ambiente e também para a inclusão de pessoas de etnia cigana.

 

Clarisse Lobo, ao centro na imagem, e a sua equipa de causas 

do Mundo da Lua (ver mais em: www.mundodalua.org) tiveram

a generosidade de ir ter comigo para me falar dos seus sonhos.

 

 

É incrível como nos tempos que correm, em que tudo à nossa

volta é tão duro e adverso, tantas pessoas estão tão apostadas

em recriar, em construir, em renovar e em manter um sentido

positivo sobre uma realidade que também pode ser negativa.

Ao meu lado esquerdo na fotografia, está o Jorge Sousa, hoje

já um grande amigo que conheci no MEP, que me acompanha

nas minhas andanças pelo norte, é engenheiro e trabalha na

Quimonda. Ou antes, trabalhava, pois as últimas notícias dão

como certo o encerramento desta empresa. O Jorge tem sido

um grande exemplo e um testemunho de verdade e coragem.

Também ele constrói com sentido positivo a partir do negativo.  

Fiz uma pequena entrevista a Clarisse Lobo sobre um projecto que

ainda estão a preparar. Chama-se "Rio para não chorar" e se tudo

correr bem vai contribuir para recuperar grande parte do lixo que há

no Rio Ave, um dos rios mais poluídos da Europa, que muda de cor

todos os dias por causa das descargas das tintureiras nas margens.

 

 

 

Este e outros projectos vão hoje ser reapresentados oficialmente a quem

tem o poder de decidir e de lhes dar sequência. Espero que corra tudo bem

e que esta equipa possa finalmente dar gás ao "Rio Para Não Chorar" e, ainda,

ao "Ciga-nos Para a Igualdade", o nome do projecto de inclusão de pessoas de

etnia cigana. Obrigada Clarisse pela alegria e por esta sua equipa extraordinária!   

 

Toda esta gente trabalha em condições adversas, num tempo

difícil em que é muito mais fácil desistir e baixar os braços do

que arregaçar as mangas e construir. Trabalham com voluntários e

desempregados de longa ou curta duração e envolvem-nos a todos

em projectos comunitários e de sensibilização em áreas fundamentais.

 

publicado por Laurinda Alves às 08:18
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Esqueça ou aqueça estas pessoas?

 

Imagem que vale por mil palavras. Não preciso de dizer mais

nada, pois não?Vi este cartaz numa rotunda de Leiria e deixo

aqui o apelo que se lê em letras garrafais e mais o endereço

para quem quiser contribuir para aquecer estas pessoas.Os

sapatos são apenas um contributo mas podemos dar mais!

 

publicado por Laurinda Alves às 10:51
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
A festa de inauguração da sede MEP

 

Casa cheia ontem à noite na Travessa das Pedras Negras,

a Sede Nacional do Movimento Esperança Portugal.OMEP

é um movimento curioso que desperta um interesse cada

vez maior e reune à sua volta cada vez mais gente diferente.

 

 

A diversidade dos que se juntaram para fundar este partido

que é mais um movimento de cidadãos que se dispôem a

ir a votos, é fascinante e muito agregadora. Embora eu não

pertença à estrutura do partido estou de alma e coração no

MEP e reconheço que há pessoas de todas as origens, com

percursos profissionais e histórias de vida complementares.

Nesta imagem, a Maria de Assis Swinnerton apresenta aos

presentes as exposições e os artistas que contribuiram para

esta festa de inauguração. Havia várias salas com obras de

arte de artistas plásticos que quiseram colaborar com o MEP.

 

 

A sede do MEP está giríssima e as salas mais performativas

dos artistas estavam lindas. Parecia mais um acontecimento

cultural do que político e isso trouxe mais alegria e uma outra

profundidade à festa. Nas imagens estamos sempre a rir ou

a sorrir porque na verdade esse é o clima deste 'dream team'

que se juntou para criar um partido apostado em fazer mais e

melhor e em construir uma política da esperança. Até Obama

ninguém sabia exactamente o que queria dizer esta coisa da

'política da esperança' mas com a sua eleição ficámos mais

conscientes do valor que tem acreditarmos no nosso trabalho.

E percebermos que a verdadeira esperança é aquela que nos

faz agir e dar passos no presente para construir bem o futuro.

 

 

Margarida Cabral a cortar a fita que

marcou uma nova era de um novo

partido político. Grande momento!

 

P.S.: Só mais uma coisa: a partir desta noite o meu novo blog vai estar online. De hoje em diante tudo o que se relacione com a minha candidatura ao PE pelo MEP vai estar no blog crónicasdecampanha. Mas é só a partir desta noite! Até lá há este. 

publicado por Laurinda Alves às 14:05
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Salvador Mendes de Almeida volta à escola

 

 

Este pequeno vídeo mostra de forma eloquente que uma imagem vale

por mil palavras. Cerca de 250 alunos da Escola de Avelar esperaram

pelo Salvador no ginásio e bateram palmas quando entrou. Chegámos

com um atraso de meia hora devido ao mau tempo e aos enganos nas

estradas secundárias mas os alunos permaneciam firmes no seu posto.

Agora que cheguei a Lisboa depois de horas de estrada debaixo de chuva, 

estou demasiado cansada para resumir o encontro extraordinário entre os

alunos e o Salvador. Há experiências tão intensas e tão comoventes que

precisam de tempo para assentar. Como amanhã é dia de escrever as

crónicas do Público de sexta, acho que vou guardar o tema para o jornal.

Agora não só estou cansada como também atrasada para a inauguração

da nova sede do MEP e, por isso, deixo aqui estes vídeos impressionistas:

um mostra o impacto que o Salvador tem nas escolas sempre que faz uma

campanha de sensibilização para os acidentes na estrada; o outro mostra o

tempo e as pessoas que foram precisas para o ajudar a descer um simples

degrau. Três pessoas e uma 'eternidade' para vencer 1 barreira arquitectónica.

 

 

Hoje quero agradecer à professora Lurdes Cotovio o convite para voltar à escola

e ao Salvador por existir e ser como é: alegre, forte, disponível e sempre capaz de

fazer das fraquezas, forças. Também quero agradecer aos meus amigos do blog

porque hoje ultrapassaram um número mítico para mim: 200 mil visitas. Obrigada!

 

publicado por Laurinda Alves às 20:32
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A caminho da Escola de Avelar com o Salvador

Hoje acordei cedo para chegar a horas à Associação Salvador onde me vou encontrar com o próprio Salvador para irmos à Escola de Avelar (mais ou menos a meio caminho entre Lisboa e Castelo Branco) fazer uma acção de sensibilização junto dos adolescentes em idades de começar a guiar motas e carros. Esta é uma das campanhas mais impressivas de Salvador e aquela que mais provoca um debate aceso na plateia. Recordo que o Salvador ficou em cadeira de rodas aos 16 anos, após um acidente de mota que o deixou tetraplégico e passados 11 anos continua apostado em dar testemunho para que não aconteça aos outros o que aconteceu com ele.

Era uma noite de Verão e o Salvador voltava de mota de uma noitada de saídas e copos com os amigos. Apesar de não ter bebido demais, bebeu o suficiente para adormecer ao volante e se esbarrar numa rotunda. O acidente custou-lhe uma vida inteiramente dependente de terceiros para tudo mas não lhe roubou a alegria nem a vontade de construir um mundo melhor, despertando as consciências para as dificuldades acrescidas dos que têm handicaps físicos ou outros.

Para mim e para todos os que o conhecem, o Salvador é um exemplo extraordinário e um testemunho permanente de superação. Transcende as suas limitações de uma forma tão espantosa que nos comove a todos pois todos sabemos que não pode fazer nada sem a ajuda de terceiros. Não consegue sequer puxar o lençol para cima ou para baixo na cama se tiver frio ou calor durante a noite. E estou a dar apenas o exemplo de um gesto banal, que todos fazemos sem pensar e nem sequer implica grande esforço.

Apesar de ser dependente de terceiros para a sua vida do dia-a-dia, o Salvador é dos homens mais livres que conheço. Conheço outros como ele mas isso não faz dele menos completo. É impressionante a sua força interior e é comovente a sua alegria estrutural, mesmo nos momentos ou nas fases de maior quebra.

A vida não é fácil para quem está bem de saúde e ainda é mais difícil para quem sofre doenças ou tem sequelas graves de acidentes. E é sobre isto que o Salvador vai falar na Escola de Avelar com os alunos e os professores. Sobre isto e sobre o facto de acharmos sempre que os acidentes só acontecem aos outros. Ele também achava o mesmo.    

publicado por Laurinda Alves às 06:46
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Domingo, 25 de Janeiro de 2009
Afinal podemos construir um avião em pleno voo!

 

 

Deixo aqui um funny video que se pode ir buscar ao YouTube e que o Rui

Marques se lembrou de mostrar no fim da Convenção Nacional do MEP,

onde estivemos todo o fim-de-semana em teambuilding e brainstorming

(perdoem-me o abuso de estrangeirismos mas a língua inglesa tem uma

precisão irresistível). Nada melhor e mais motivador do que encontrar as 

imagens certas no momento certo, para ilustrar aquilo que queremos dizer.

Ou estamos a viver, para ser mais exacta. Quando a realidade ultrapassa a

ficção e não há palavras que cheguem para traduzir o que sentimos, vale a

pena ver a vida e perceber melhor a nossa realidade através do espelho de

um pequeno filme, mesmo quando este foi produzido com outros propósitos.

Embora se trate de um vídeo comercial, este filme é uma grande metáfora da

condição humana. Serve para perceber que está nas nossas mãos construir

pequenas e grandes coisas, realizar sonhos desmedidos e aceitar desafios

colossais. O desafio do MEP é isto mesmo: uma construção com o avião em

movimento. E não julguem que exagero, porque não há nenhum excesso aqui.

Nenhum de nós tem experiência partidária mas todos temos ideias políticas e todos decidimos dar este passo de nos comprometermos com um movimento

de cidadãos que se dispõe a ir a votos. Contra toda a lógica e contra todos os

conselhos de muitos sábios, decidimos pôr este 'avião' em marcha e mesmo

sabendo que ele precisaria de largos meses de estaleiro e de um tempo longo

de preparação para voar ( o 'avião MEP' e a sua 'tripulação', leia-se!) apostámos

em levantar voo e ir construindo em movimento. Gosto particularmente da ideia

de um movimento de cidadãos em movimento e gostei da metáfora do avião em

construção. Confesso que foi inspirador e motivador. Talvez nada disto seja muito

evidente para quem está de fora, mas para quem vai dentro e sente esta vertigem 

de voar em contra-relógio, com tudo para aprender e quase tudo por construir, as

imagens deste vídeo são muito eloquentes. Obrigada Rui por mais este estímulo

e acima de tudo pela oportunidade de crescimento pessoal que é o desafio MEP.    

É bom perceber que todos juntos afinal podemos construir um avião em pleno voo! 

 

publicado por Laurinda Alves às 21:14
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Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Hoje e amanhã neste horizonte líquido

 

Esta é a imagem que vejo da minha janela na Foz do Arelho,

onde estou desde ontem numa formação intensiva sobre as

questões e matérias europeias. O início deste ano e o desafio

de concorrer ao Parlamento Europeu marcam um tempo mais

intenso que me apaixona e fascina. Sei que este é um desafio

colossal, que exige muito de toda a equipa de 'novos políticos'

da qual agora faço parte. O que me apaixona ao estudar estas

matérias é perceber como estão tão actuais a mensagem e as

intenções dos fundadores do projecto europeu. O que prende e

fascina é perceber a natureza de uma construção que tem sido

um pilar de paz e estabilidade, e um motor de desenvolvimento

em tantos países num continente com um passado tão agitado

e marcado por guerras e conflitos no passado. A união Europeia

pode ser (é!) um projecto ainda incompleto e imperfeito mas tem

cinquenta anos de história de entendimento e prosperidade, de

partilha e solidariedade entre povos que agora são amigos mas

já foram grandes inimigos. E é por isto (e por muito mais) que sou

uma entusiasta da Europa; e é por ser um projecto em construção

que acredito que todos podemos ajudar a construi-lo mais e melhor.

Esta janela é uma inspiração, este tempo aqui é uma oportunidade!

 

publicado por Laurinda Alves às 14:07
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Faz as figuras que quiseres mas...

 

São duas e meia da manhã, está um frio de rachar e vim a

correr para casa porque não aguentei mais o vento gelado

da noite. Eu vim embora mas eles ficaram todos.Valentes!

 

 

Eles todos são três em cadeiras de rodas, mais o staff de uma

campanha organizada pela Associação Salvador, de prevenção

de acidentes rodoviários. A ideia de ir pela noite dar testemunho

a quem sai para bares e discotecas onde muitas vezes se bebe

demais foi do Salvador, que sabe por experiência própria o valor

dos conselhos que dá aos outros. Ficou tetraplégico por causa

de um acidente de mota numa noite de saídas e copos, e nunca

se esquece de nos lembrar que estas coisas não acontecem só

aos outros. Ontem e hoje, ele e o Carlos e o Helder andaram de

bar em bar pelo Bairro Alto a dar balões com mensagens úteis.

 

 

A campanha é original, inédita e radical. Nunca ninguém se

tinha lembrado de uma iniciativa destas e, daí, o interesse

das televisões em acompanhar três amigos em cadeira de

rodas que ficaram assim depois de terem tido acidentes de

carro ou mota. O testemunho de cada um vale por mil e mil

palavras que se possam dizer ou escrever. Mais: o facto de

darem do seu tempo aos outros e de andarem ao frio pela

noite de Lisboa a passar mensagens construtivas, sem ter

a tentação de moralizar, mas apenas com o objectivo de dar

bons conselhos que funcionam como alerta, é extraordinário.

 

 

Estes são alguns dos amigos e voluntários que andam com

eles pela noite. Gravei pequenas entrevistas com o Salvador,

o Helder e o Carlos que amanhã publico aqui ao princípio da

tarde pois o upload demora sempre mais do que eu gostaria.

As mensagens escritas nos cartões e autocolantes dos balões

são muito claras e objectivas: "Faz as figuras que quiseres mas

não pegues no carro se tiveres bebido; gasta dinheiro em Táxis;

fica em casa de uma amiga; faz a festa toda mas não pegues no

carro". Muito boa a ideia e muito corajosa a abordagem. Parabéns!

 

 

Nota final: como as entrevistas ficaram muito escuras deixo aqui apenas

a do Helder. Com imensa pena porque cada um deles dizia coisas muito

importantes e complementares. Na minha máquina as caras viam-se bem

mas depois do upload e de importar para aqui os filmes, a coisa ficou pior. 

publicado por Laurinda Alves às 02:43
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
Os pedófilos 'amigos' das crianças

(Imagem de uma campanha recente feita no Brasil

 
Há nomes que vale a pena fixar e o de João Sarmento Pereira é um deles. Neste caso pelas piores razões. Ouvi este nome no Telejornal no princípio da semana, no mesmo dia em que foram presos em Espanha 121 suspeitos de envolvimento numa das maiores redes de pornografia infantil.
 
A rede é um terrível polvo de mil tentáculos que espalha o mal pelo mundo e a própria polícia espanhola revelou que o material apreendido continha fotos e vídeos arrepiantes feitos com bebés e crianças muito pequenas.
 
A sequência de notícias relativas a abusos de menores neste dia começou com a divulgação das prisões feitas pelas autoridades espanholas e seguiu para o caso português de João Sarmento Pereira, de 21 anos, acusado de 6 crimes de abuso sexual a menores e condenado a dois anos e meio de cadeia, a quem foi concedida a liberdade a troco de tratamento psiquiátrico.
 
Por razões que ultrapassam o entendimento do comum dos mortais, este abusador de crianças retomou a sua vida normal e cumpre agora uma pena suspensa com toda a liberdade e apenas a obrigação de ir a umas consultas no psiquiatra. Acho extraordinário que assim seja e acho muito grave que este homem possa continuar a exercer a sua profissão de professor primário.
 
Para percebermos o que está em causa e avaliarmos a extensão deste fenómeno de benevolência judicial vale a pena voltar aos factos e apresentar o professor. A acreditar no que vi e ouvi na televisão e não vi desmentido depois em lado nenhum, este rapaz começou aos 18 anos a estagiar num colégio em Carcavelos onde tinha um contacto diário muito próximo com as crianças. Um contacto muito íntimo, para sermos mais exactos.
 
O rapaz ajudava as crianças a vestirem-se e despirem-se para as aulas de ginástica e fazia-se valer da sua supremacia física para abusar das crianças e as assustar ao ponto de elas não serem capazes de contar em casa o que lhes acontecia na escola. Tanto quanto percebi houve abusos mais graves e menos graves mas eu, que não sou juiz mas sou mãe, considero tão grave a ‘manipulação dos genitais’ de uma criança como a violação ou ‘tentativa de penetração’.
 
Admito que os que julgam precisem de evidências físicas de violação para condenar mas sei (todos sabemos!) que não é preciso haver consumação da violação para deixar marcas indeléveis numa criança e traumatizá-la para sempre. E este é o ponto sobre o qual assenta a minha argumentação sobre um caso que me parece eloquente de uma brandura excessiva e de uma leviandade intolerável.
 
Falo da brandura dos juízes e da leviandade de quem permite que este homem mantenha a sua carteira profissional de professor primário, podendo exercer a profissão num meio em que a proximidade física de crianças pequenas pode potenciar situações de abuso como as que ficaram provadas no passado recente.
 
Compreendo as mães e pais das crianças abusadas que foram ouvidas pelo jornalista e apareceram na televisão em contra-luz para não se ver a cara. Estou solidária com a sua indignação e a sua dor porque não se trata de uma vingança mas sim da mais elementar justiça. Como é que um rapaz que fez o que fez aos seus filhos pode estar em liberdade e continuar a ser professor primário?
 
Será que os juízes e os especialistas que os aconselham não sabem que o pior pedófilo é sempre o ‘maior amigo das crianças’? É sempre o que parece bom, que se faz amigo, que se torna confiável e depois usa todo este capital de simpatia e proximidade para actuar com frieza, premeditação e perversidade.
 
Ou será que os juízes acreditam sinceramente que o rapaz está profundamente arrependido e não vai repetir? Há estudos científicos que provam que esta compulsão para o abuso sexual de menores pode durar uma vida inteira e mesmo que neste caso haja um forte arrependimento é inquietante saber que alguém condenado por seis crimes de abuso sexual anda por aí à solta e mais tarde ou mais cedo vai voltar à escola e ao contacto com as crianças que, por definição, são o seu alvo preferencial e as potenciais vítimas.
 
Quem nos garante que este homem fica curado com um tratamento psiquiátrico? E quem se responsabiliza pelo seu acompanhamento, pela sua evolução mental e moral, e se responsabiliza por ele no futuro? É essencial fazer as perguntas porque alguém tem que ter as respostas para o deixar em liberdade permitindo-lhe continuar a ser professor primário.
 
Se insisto em deixar escrito o nome deste homem não é para o voltar a condenar pois não me compete a mim fazê-lo, mas para que mais pais e directores de escolas saibam com o que contam se lhes bater à porta um homem que sendo professor traz consigo outras credenciais.
 
Como cidadã e como mãe tenho o dever e o direito de sublinhar as minhas reservas quanto a casos destes, em que aparentemente não houve reparação dos danos nem sequer a obrigatoriedade de prestar serviço cívico na comunidade para dar de volta parte daquilo que roubou.
 
Na impossibilidade de devolver a integridade física, moral e emocional às crianças que abusou e de reparar o sofrimento que lhes provocou a elas e às suas famílias, devia existir a obrigação de cumprir uma pena cívica que o reabilitasse a ele e, ao mesmo tempo, nos desse a nós a certeza de que este homem está apostado em regenerar e em conquistar a confiança que neste momento ninguém pode ter nele até conseguir provar o contrário.
 
Repugnam-me os pedófilos e tarados cuja compulsão é repetir o crime de abuso sexual a menores. Nesta lógica confesso que defendo a castração química para alguns dos condenados por este tipo de crime. Mais do que uma medida de protecção para os nossos filhos e ainda mais do que um castigo aos abusadores é um favor que lhes fazemos pois é raro o que não volta ao local do crime mais do que uma vez.
 
Há quem ache uma medida excessiva mas assumo que, para mim, seria a medida certa. Não percebo porque é que havemos de continuar a acreditar mais na voz de um criminoso do que nas das suas vítimas. 
 
     
publicado por Laurinda Alves às 18:15
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
Crianças e jovens vítimas de maus tratos

Acabo de ver nas notícias que morreram 80 crianças, vítimas de maus tratos, e não consigo esquecer estes e outros números trágicos. 5939 crianças e adolescentes chegam ao hospital com sequelas graves provocadas por maus tratos nas suas próprias casas e é aflitivo pensar que todos eles dormem com o inimigo dentro de casa. Ao contrário do que se espera, estes jovens e estas crianças não se sentem protegidas pelos pais e pelas famílias porque é justamente ali que são ameaçadas, atingidas e maltratadas. É difícil aceitar esta realidade e é duro saber que tantos lidam diariamente com esta adversidade. Notícias como estas não nos podem deixar indiferentes! Temos a obrigação moral de estar mais atentos e de denunciar os casos que conhecemos. À nossa volta há homens e mulheres maltratantes? Sabemos de alguém mais desprotegido ou frágil que pode estar a ser vítima de agressões? Se sim, temos que denunciar. Se não, podemos ficar mais atentos e até dar passos mais concretos no sentido de tentar perceber como podemos ajudar estas vítimas. Ser voluntário também passa por nos voluntariarmos ao serviço do bem comum, procurando pessoas e instituições que precisem da nossa ajuda. Esta tarde vou gravar uma pequena entrevista com o Pedro Sottomayor que criou a Casa das Cores, projecto em fase final de remodelação, cuja casa vai abrir já em Fevereiro para acolher crianças e jovens em risco. Estas mesmas crianças e jovens que são agredidos ou negligenciados pelos pais e familiares, note-se. Voltarei ao assunto, portanto. 

publicado por Laurinda Alves às 13:46
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