Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013
Memórias que se guardam para sempre

 

Uma casa na árvore é uma imagem que faz parte do imaginário de quase todas as crianças de quase todo o mundo. E não apenas das crianças, também muitos adultos cultivam a nostalgia de já terem tido esse sonho ou, os mais sortudos, de terem vivido essa realidade. Conheço famílias que construiram juntas casas em árvores e o fizeram ao longo de décadas, envolvendo várias gerações. Casas que vão sendo acrescentadas, melhoradas, estruturadas e reforçadas de tal forma que se aguentam firmes durante décadas a fio. Confesso que tenho imensa inveja de quem tem ou teve uma casa na árvore, e lembro-me de ter lido um livro que marcou para sempre o fim da minha infância por ser o primeiro livro de mais de 200 páginas que li sozinha, mas também por ser a história de uns miúdos que viviam n'A Casa da Árvore Oca. Falo de um clássico de Enid Blyton e de um livro que me fez sonhar longos anos com uma casa na árvore. Agora volto ao tema por ter estado a rever fotos deste Verão, e me ter saltado esta à vista. Trata-se de uma casa com divisões assoalhadas, vidros de correr nas janelas (vidros inquebráveis, notem, tipo plástico duro), escadas interiores e exteriores, esconsos, cozinha e um terraço que se estende no ramo da árvore e por acaso não se vê nesta imagem. Esta casa tem luz e pode-se dormir lá dentro, coisa que os donos e os seus amigos fazem vezes repetidas nos Verões que passam juntos no perímetro da casa. Mais do que uma casa giríssima, toda feita à mão por avós, netos e pais, esta obra revela uma construção maior: dos laços entre uns e outros. Enquanto edificaram a casa também construiram uma memória indelével de pequenos e grandes momentos que marcam para toda a vida. Hoje em dia a casa é um cúmulo de boas memórias e sempre que ouço os autores falar das técnicas e estratégias que foram pensadas e adoptadas para lhe dar forma, ouço gargalhadas e conversas sempre atropeladas, num entusiasmo inaugural. Como se estivesse tudo a acontecer naquele momento, quando na verdade o avô já morreu e alguns primos moram longe. Lembrei-me de escrever hoje sobre pais e filhos a partir das casas na árvore, que podem ser reais ou imaginárias (ou passar por projectos, passeios e construções que não têm nada a ver com estas) por estarmos em véspera de fim de semana e haver mais tempo para estarmos uns com os outros. Só por isso.

publicado por Laurinda Alves às 16:27
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012
Mau humor?

Se nos víssemos ao espelho quando estamos zangados, 

a ralhar e a discutir, se calhar fugíamos da nossa cara.

Às vezes lembro-me de ter ouvido alguém dizer isto e

mudo de humor. E de atitude. Outras vezes lembro-me

do meu filho, quando era muito pequeno e ainda tinha

mãos de bebé, num dia em que fez uma asneira e eu 

comecei a ralhar com ele. Veio ter comigo e, com os

dedos gordinhos das duas mãos postos em pinça, puxou

os cantos da minha boca para cima, desenhou um sorriso 

na minha cara e disse: "boca pa xima, mãe!"

 

publicado por Laurinda Alves às 00:10
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Sábado, 10 de Março de 2012
Livros, estórias e memórias antes de adormecer

Não resisto a publicar esta fotografia no blog, depois de ter pedido autorização aos pais do B, porque não resisto ao ar sonhador nem à beleza deste miúdo. É ainda mais bonito do que está na fotografia e é o filho do meio de dois amigos muito queridos. A hora de dormir, depois do caos dos banhos e jantares, é sempre um momento de intimidade para pais e filhos. Tenho saudades desses tempos, confesso. O tempo é uma vertigem e se bem que todas as idades tenham o seu fascínio, os primeiros anos de um filho são inesquecíveis. Há um par de dias, quando publiquei um post sobre ler e escrever, disse aqui que voltava ao tema para deixar um fragmento de um dos meus livros de cabeceira, que me faz rir e me comove sempre que o leio ou releio (e é sempre como se fosse a primeira vez, é impressionante). Falo d'O Velho Que Lia Romances de Amor, de Luís Sepúlveda, que tive o prazer e o privilégio de conhecer em casa, e com quem passámos um serão memorável. Aqui fica, com a imagem infinitamente terna do B e os meus votos mais que sinceros de um bom fim de semana! 

 

 

(...) António José Bolivar sabia ler, mas não escrever.

O mais que conseguia era garatujar o nome quando tinha de assinar  qualquer papel oficial, por exemlo, na época das eleições, mas, como tais acontecimentos ocorriam muito esporadicamente, já quase se tinha esquecido.

Lia lentamente, juntando as sílabas, murmurando-as a meia voz como se as saboreasse, e, quando tinha a palavra inteira dominada, repetia-a de uma só vez. Depois fazia o mesmo com a frase completa, e dessa maneira se apropriava dos sentimentos e ideias plasmados nas páginas.

Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repetia-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também podia ser bela.

Lia com o auxílio de uma lupa, o segundo dos seus pertences mais queridos. O primeiro era a dentadura postiça.

Vivia numa choça feita de canas de uns dez metros quadrados dentro dos quais arrumava o seu escasso mobiliário: a rede de dormir de juta, o caixote de cerveja com o fogão a querosene em cima, e uma mesa alta, muito alta, porque quando sentiu pela primeira vez dores nas costas, percebeu que os anos lhe estavam a carregar e decidiu sentar-se o menos possível.

Construiu então a mesa de pernas compridas, que lhe servia para comer de pé e para ler os seus romances de amor (...)

 

publicado por Laurinda Alves às 00:02
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
Sétimo dia

Se eu soubesse tocar piano, hoje tocava este Adagio de Beethoven. Alice Sara Ott tem 23 anos e um talento sem idade. Vale a pena fixar este nome e ouvi-la tocar.

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:08
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
Saudades de Bolonha

 

Nos caminhos da Universidade, em Bolonha, há paredes e muros repletos de anúncios para alugar quartos e apartamentos, mas não só. Oferecem-se mil e um serviços e partilha-se todo o género de informações. Nestas paredes e nestes papéis estão inscritos milhões de contactos, telemóveis e emails. É fascinante, parece uma instalação, uma criação artística. Hoje revi estas polaroids e de repente fiquei com saudades de Bolonha. Mas não apenas da cidade, note-se. 

 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:21
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Sábado, 29 de Outubro de 2011
O nosso fim-de-semana de encontro anual da família

 

Todos os anos por esta altura a minha família reune-se para passarmos um fim-de-semana juntos. Somos muitos e é sempre uma festa. Este ano foi tudo organizado pelos juniores e entre as surpesas habituais, há uma muito especial. Que bom que é este tempo terno e eterno vivido com a família alargada! Volto em breve. Bom fim-de-semana! 

publicado por Laurinda Alves às 09:28
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011
Ângelo de Sousa

 

Há pessoas que não morrem e permanecem para sempre vivas no nosso coração. Ângelo de Sousa é uma destas pessoas que ficam no coração dos amigos e de todos aqueles que o conheceram e amaram. Tive o privilégio de estar com ele algumas vezes numa roda de amigos chegados, num círculo íntimo em que ele era uma peça fundamental. Desconcertante, inventivo, criativo, original, profundo, culto, observador, irónico, mordaz, terno e reservado, Ângelo de Sousa tinha uma personalidade fascinante. Agora faz falta, muita falta. Imagino que para o arquitecto Eduardo Souto Moura, um dos seus grandes amigos, esta morte esteja a ser difícil de encaixar. Num dia recebeu o Pritzker, o "Nobel" da arquitectura, e no dia a seguir recebeu a notícia da morte de um dos seus melhores amigos. Nada fácil, a vida. 

 

P.S.: Importei esta fotografia deste blog.

publicado por Laurinda Alves às 09:38
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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
E eu não tenho palavras para dizer o quanto hoje agradeço

 

Uma inscrição no tecto, uma parede branca e um pedaço de céu. Tudo isto à entrada de Serralves, onde está uma exposição sobre arte e protesto. Tirei esta fotografia durante o fim-de-semana, quando fui almoçar a Serralves. Uso-a hoje por ser um dia em que também eu não tenho palavras para agradecer duas vidas especiais na minha vida. Embora seja um dia que ficou dolorosamente marcado para sempre, não posso deixar de o viver com este sentimento de gratidão. Uma dessas vidas é da minha mãe, que há precisamente um ano foi internada entre a vida e a morte, mas está outra vez bem. A outra é a de alguém que faz muita, muita falta, mas deixou marcas indeléveis e, como diz Sto Agostinho, permanece vivo no coração dos que amou, e o amaram.

 

P.S.: Subverti radicalmente o sentido desta inscrição, que é de ódio e protesto, notem. Mas gosto da ideia de o poder fazer, até pelo pedaço de céu e pela pureza do branco da parede ao alto. Digamos que recriei o meu próprio graffiti convertendo o negativo em positivo.

publicado por Laurinda Alves às 12:13
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
E em Braga também reencontrei a Gina Meleiro

 

Braga foi um verdadeiro ponto de encontro... Reencontrei a Gina Meleiro, um dos elementos mais importantes e expressivos da minha equipa de candidatura ao Parlamento Europeu pelo MEP. Importante, porque o seu contributo na área da educação foi essencial; expressiva porque juntou a tudo o que fez uma alegria e uma dedicação incríveis. Trabalhámos todos imenso on e off the road, mas devo dizer que a Gina teve o condão de nos encher de forças e coragem para o caminho graças a um sentido de humor e um sentido crítico muito apurados. Adoro esta forma de inteligência dos que fazem tudo com seriedade e profundidade, sem nunca se levarem demasiado a sério. Gostei de reencontrar a Gina e de retomar as nossas conversas e gargalhadas de 'ontem'. Muito bom.

publicado por Laurinda Alves às 12:44
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Surpresas de Arouca

Eis o filme das surpresas que levei para Soutelo: um saco cheio de doces, bolos e especialidades de Arouca, a terra natal do pe Alberto de Brito, que a Teresa Sousa me pediu para entregar em mão. Esta encomenda tem graça porque nem eu nem o pe Alberto conhecemos a Teresa, mas ela soube pelo blog que íamos estar juntos e preparou uma espécie de cabaz de Natal que pediu a um amigo para me entregar no Porto na 5ª feira, quando fui ao hospital de São João. Ou seja, estes doces já viajaram de Arouca para o Porto, depois para Lisboa e hoje para Soutelo. Grande presente, Teresa! O pe Alberto ficou radiante, como se pode ver pelas fotografias tiradas pela Isabel Pinto. Os bolos comeram-se ao lanche e os doces ficaram guardados para serem degustados em Bruxelas, onde vão saber ainda melhor. E vivam os amigos que sabem o que é viver longe e ter saudades dos sabores das coisas boas da terra natal!

 

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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