Domingo, 3 de Fevereiro de 2013
O amor segundo Django e Tarantino

 

Adoro bons filmes com diálogos inteligentes. Gosto ainda por cima, de filmes longos, que não acabam depressa e nos prendem como um bom livro. Sou fã do Tarantino, acho graça aos seus excessos e, em especial, ao seu sentido de humor nas cenas mais improváveis. Nunca fui muito de rir às gargalhadas no cinema, mas o Tarantino é dos poucos que me fazem rir alto. Gosto de histórias de amor e particularmente das que nos fazem mesmo acreditar no amor. Finalmente, sou particularmente sensível à estética e a um sem número de 'detalhes' que foram milimetricamente pensados e realizados: começam logo no design, tamanho e cor das letras dos genéricos inicial e final, passam pelas músicas da banda sonora, pela maneira como todo o filme é filmado, pelo exagero de mortos e da pontaria dos que matam, enfim por tudo o que tem a ver com a luz e a direcção de fotografia, pelos travellings para trás quando os cavalos e as pessoas correm para a frente, pelas roupas e acessórios, pela direcção de actores, pelas cenas prováveis e improváveis, enfim por tudo. Ou seja, vou ver segunda vez e vou usar alguns diálogos e cenas para gerar debates em aula, nos meus cursos.

P.S.: Neste filme os maus morrem todos e também isso ajuda a 'lidar' com tanta morte e aquele sangue em golfadas 'à Tarantino'.

  

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publicado por Laurinda Alves às 12:14
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
Mães e Filhas é um filme que aconselho

 

 

Vi este filme antes de estrear no cinema, mas como estreia já esta semana e gostei muito dele, apetece-me aconselhá-lo e partilhar aqui uma breve reflexão sobre o tema. Produzido por Alejandro Gonzalez Iñarritu, o realizador de Babel e Biutiful, dois filmes que me marcaram profundamente, Mães e Filhas também trata dos encontros e desencontros da vida, mas desta vez numa perspectiva ainda mais familiar e intimista, digamos assim. Tal como nos filmes anteriores, a grande questão de Iñarritu são as relações humanas e os laços que tecemos (ou não) uns com os outros. Em Mães e Filhas há 3 mulheres de 3 gerações diferentes, que sentem o mesmo tipo de sentimentos: todas elas foram profundamente afectadas pela adopção. Uma por decisão própria; outra porque não consegue engravidar e outra ainda porque foi adoptada. Na sinopse do filme podemos ler o seguinte: "Karen (Annette Bening) uma mulher de meia-idade, amarga e solitária, engravidou aos 14 anos e na altura não teve outra escolha senão a de entregar a criança para adopção, porém nunca consegue ultrapassar o trauma de não ter conhecido a filha. Elizabeth (Naomy Watts) criada como filha adoptiva, é uma brilhante e ambiciosa advogada que nunca procurou o rasto da sua mãe biológica até ao dia em que engravida. Lucy (Kerry Washington) está, juntamente com o seu marido, determinada em enfrentar uma odisseia para adoptar uma criança que se torne sua. Confrontadas simultaneamente com uma importante escolha de vida as 3 mulheres vêem os seus destinos cruzarem-se de uma forma inesperada". Não me passa pela cabeça contar aqui o filme, mas confesso que o estilo realista (ler: a vida tal como ela é, sem grandes artificialismos e com todas as surpresas boas e más que ela traz) me comoveu e me deixou a pensar. Iñarritu é extraordinário a filmar sentimentos e a revelar os dilemas interiores que nos atravessam e embora todo o filme esteja trespassado de sentimentos contraditórios, nunca cai na tentação de julgar ou de nos levar a julgar, muito pelo contrário. Todos nos revemos nos papéis de todos e é essa subtileza e compaixão que atraem e tornam este filme tão especial e poderoso. Qualquer um de nós (homem ou mulher, quero dizer) se revê neste filme e se interroga sobre o que faria nesta e naquelas circunstâncias. Vale a pena ver e perceber onde nascem tantos equívocos e distorções nas relações humanas, assim como cair na conta do poder transformador que têm a verdade e o amor.

publicado por Laurinda Alves às 17:21
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
My name is Bond... Ricardo Moura Bond

 

Trabalhar na Garage é um filme. Um filme diferente todos os dias, quero dizer. Hoje ensaia-se e grava-se uma curta metragem na garagem-estúdio e o vaivém de actores, realizador, assistentes de plateau e de produção, mais os figurantes, os adereços e as luzes, é constante. Ninguém pára. Ricardo Moura, o Casting Director, está feliz porque depois de meses e meses de trabalho reuniu todo o elenco e toda a equipa e começaram hoje as filmagens. Boyish e divertido, o Ricardo anda entre o plateau e os bastidores e nos poucos minutos livres faz-nos rir com as suas coisas e as suas poses. Muito bom.

 

publicado por Laurinda Alves às 15:12
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
Shadowlands: um mundo de luz e de sombras


 

Vim ao Porto participar no Cine Fórum que a PUPS (Pastoral Universitária Porto Saúde) organiza todos os anos no Hospital de São João. Trata-se de um serão que começa sempre com a projecção de um filme, seguido de um debate amplo e aberto aos estudantes de Medicina e Farmácia e aos profissionais de saúde em geral. Estes serões são lendários neste hospital e já juntaram numa mesma sessão quase mil pessoas. Esta noite eram 'apenas' algumas centenas e a conversa foi mais familiar, por assim dizer. O filme, esse, é um murro no estômago. Shadowlands, com as interpretações magistrais de Anthony Hopkins e Debra Winger, é um dos grandes filmes de sempre. Já o tinha visto há muitos anos e voltei a revê-lo hoje. Toca-me profundamente a maneira sensível, inteligente e realista como se fala do amor, da dor, do sofrimento e da alegria. Recomendo vivamente a quem nunca o viu. O debate é sempre animado e hoje não foi excepção até porque o comentador era o professor Valter Osswald, doutor em bioética, grande humanista  e um dos verdadeiros sábios do nosso tempo. Saímos de lá todos mais conscientes de que "a dor de então faz parte da felicidade de agora", frase que Debra Winger diz a Anthony Hopkins quando declara que vai morrer em breve. Esta frase muda toda a perspectiva da realidade daquele momento cinematográfico mas também ajuda a focar melhor no presente. Já é tarde, estou muito cansada e cheia de emoções e coisas deste dia para processar e, por isso, fico por aqui. Amanhã volto a Lisboa e ... ao blog!

publicado por Laurinda Alves às 01:34
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
A vida destes chineses dava um filme

 

João Nuno Pinto, realizador de cinema e um dos fundadores

da Garage, produtora de filmes e publicidade, dá instruções

a um grupo de chineses que fazem um casting para actores 

do seu próximo filme. Passei a tarde na Garage, coisa que

adoro porque é um dos sítios mais fantásticos de Lisboa e

um dos melhores 'escritórios' que conheço no mundo inteiro

(digo-o sem exagero nenhum, note-se!) e na onda criativa que 

se vive permanentemente numa produtora onde todos têm um

ar descontraído e cúmplice mesmo quando trabalham sob

pressão e com deadlines apertados, é fascinante acabar o dia

a atravessar esta paisagem improvisada na copa da Garage.

 

  

 

Aqui João Nuno explica aos actores que têm de reagir ao som

estrondoso de um trovão e depois sair de cena. Eles ouvem-no

com atenção e ensaiam uma e outra vez os passos e os gestos.

Gravei pequenos fragmentos destas filmagens em que a deixa

era fazer uma pergunta a um 'Sr. Vítor' sobre qual a comida que

prefere: chinesa ou japonesa? O 'Sr.Vítor' esta tarde era a própria

assistente do realizador, que respondia em brasileiro ao português

forçado ( e esforçado ) dos actores chineses que tentavam a todo o

custo pronunciar os 'rr' mas nem sempre conseguiam. Muito divertido.

 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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Sábado, 24 de Maio de 2008
Lost in translation

 

 

Gosto de Scarlett Johansson (quem é que não gosta?!) e gosto de a ouvir cantar.

Lost in Translation é o nome do filme que a tornou célebre (um dos filmes, quero dizer) e estas imagens foram usadas para dar mais voz à sua voz.

 

Hoje acordei com esta frase. Lost in translation quer dizer muita coisa.

publicado por Laurinda Alves às 10:30
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Conta-me... gosto desta série!

 

Vejo muito pouca televisão para além das notícias, dos grandes debates e entrevistas ou dos comentários dos analistas políticos (e de certos jogos de futebol!). Ou seja, quase não vejo programas nem séries. Não me sobra o tempo e prefiro ler e ouvir música um par de horas seguidas todas as noites, do que ficar em frente da televisão com ar bovino.

 

Apesar de tudo há sempre excepções e a série Conta-me é uma delas. Cá em casa domingo não é domingo se não acabarmos a ver o episódio de Conta-me. Foi o meu filho que começou a ver, foi ele que se entusiasmou e me entusiasmou a mim. Agora assumo que não passo sem ver a série e, acima de tudo, sem as conversas divertidas (às vezes profundas, outras vezes disparatadas) que surgem a propósito de certos detalhes de Conta-me.

 

Se eu visse esta série sozinha tenho a certeza de que me limitaria a acompanhar o retrato de uma época, a recordar um passado próximo e a rever a história recente. Seria um exercício de reconhecimento, digamos assim. Como a vejo com um adolescente de 16 anos, a coisa muda radicalmente de figura.

 

A vida mudou tanto nestes últimos anos que tudo aquilo que foi natural para mim aos 16 (e está bem retratado em Conta-me), ao meu filho parece quase absurdo. A televisão a preto e branco, a hora de fecho de emissão (com o hino nacional e a bandeira ao vento), os telefones, a ausência de computadores, etc, etc, são coisas tão remotas que chegam a parecer primitivas. E, no entanto, passaram apenas trinta anos.

 

É curioso acompanhar esta série com um teenager ao lado e é fascinante ver como todos mudámos tanto. Não que isto seja uma novidade para alguém, como é óbvio, mas porque naquele condensado de imagens de arquivo, referências, estilos e atitudes mais ou menos revolucionárias se lê um resumo substantivo de grande parte da nossa vida vivida.

 

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publicado por Laurinda Alves às 00:04
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Domingo, 4 de Maio de 2008
Mário Redondo sobre o Indie

 

Como disse no post anterior Mário Redondo, actor, foi o terceiro elemento do júri do Prémio Amnistia Internacional no festival Indie Lisboa que terminou hoje.

 

Recordo mais uma vez que Don Roberto's Shadow foi a nossa escolha, por unanimidade.

 

Também fiz algumas perguntas ao Mário sobre o embaraço que foram as votações este ano, dada a qualidade dos filmes a concurso. O som está um bocadinho melhor do que o de Soraia Chaves mas é só porque o Mário tem a voz mais grossa, já que o barulho de fundo da sala é exactamente o mesmo.

 

Tenho pena que as duas entrevistas tenham um som tão mau e peço desculpa por isso. Em todo o caso acho que se justifica ouvir a Soraia Chaves e o Mário Redondo, ambos actores e pela primeira vez membros do júri do Indie Lisboa, falarem desta experiência de termos o privilégio de escolher os melhores entre os melhores.

 

O Mário dá um testemunho pessoal que me comoveu especialmente quando fala do momento marcante da sua vida em que foi, ele próprio, assistir à libertação dos pais que estavam presos pela PIDE. Agradeço ao Mário este testemunho e também a lucidez com que fala sobre os loucos e...os lúcidos.

 

 

 

 

 

 

  

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publicado por Laurinda Alves às 21:38
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Soraia Chaves sobre o Indie

 

Soraia Chaves, actriz, foi juntamente comigo e com o actor Mário Redondo, júri do Prémio Amnistia Internacional do Indie Lisboa.

 

Ontem, na noite de entrega dos prémios, fiz uma pequena entrevista a Soraia Chaves. Infelizmente ouve-se muito mal porque as pessoas estavam a chegar à sala e lá fora, nos átrios e varanda do S.Jorge, era impossível falarmos porque o barulho era ainda mais ensurdecedor. Tenho pena que se perceba com tanta dificuldade aquilo que Soraia diz até porque não posso repetir a entrevista uma vez que a actriz vive em Madrid.

 

Aqui fica, apesar de tudo, Soraia Chaves a assumir que foi difícil escolher entre tantas e tão boas obras; a dizer que a impressionou a humanidade do filme vencedor (Don Roberto's Shadow) e a confessar que gostou particularmente da interpretação de actores que nunca tinham representado. Soraia Chaves fala do filme Import Export, também premiado, e diz que gostou do facto de estes novos actores serem muito genuínos e sem artifícios. 

 

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publicado por Laurinda Alves às 12:01
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Os melhores filmes do Indie

 

Acabou agora a sessão oficial de entrega de prémios do Indie Lisboa e aqueles que foram considerados os melhores filmes deste festival já podem ser divulgados.

 

A lista é extensa e, para não me alongar, refiro apenas os prémios dados pelo júri da Amnistia Internacional, do qual eu fiz parte, e ainda os prémios atribuídos pelo imenso público que assistiu aos 11 dias de Indie.

 

Hoje, domingo, é o último dia e ainda há sessões para todos os gostos. Acima de tudo podem ser vistos alguns dos melhores filmes nas sessões da tarde. Ou seja, alguns dos filmes hoje premiados vão ser exibidos durante a tarde, a partir das 16h, nos cinemas São Jorge e Forum Lisboa.

 

O Prémio Amnistia Internacional foi dado, por unanimidade, a Don Roberto's Shadow, um filme belíssimo que narra a vida de um chileno que se reconcilia com o seu passado no deserto, nas ruínas do campo de concentração onde esteve preso anos antes durante a ditadura.

 

Dada a extraordinária qualidade dos filmes a concurso, o nosso júri decidiu atribuir duas Menções Honrosas a Terra Sonâmbula e a Import Export, dois filmes que marcaram muito este festival de cinema por serem, cada um à sua maneira, duas metáforas da condição humana.

 

Terra Sonâmbula, uma adaptação do livro de Mia Couto, é uma história de sonho, fantasia, amor e esperança num tempo de devastação causado pela guerra em Moçambique. Import Export é um filme cru que fala da realidade real, da vida tal como ela é vivida por muitos daqueles que são obrigados a emigrar e a deixar filhos e família no Leste, para virem trabalhar para o centro da Europa.

 

Terra Sonâmbula, de Teresa Prata, também ganhou o Prémio para a melhor Longa Metragem atribuído pelo público e Sleeping Betty foi a escolha do mesmo público para as Curtas. E é este o resumo muito resumido do que acabou de acontecer na derradeira noite de festival Indie. A organização está de parabéns porque esta 5ª edição foi um sucesso de bilheteira e um verdadeiro acontecimento cinematográfico acompanhado pela crítica nacional e internacional. 

 

 

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publicado por Laurinda Alves às 02:24
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