Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Os adolescentes e o alcool
 
Nos dias que correm já nenhum adolescente escapa ao confronto com o álcool e as drogas. É impossível. Na minha geração já era difícil passar ao lado e todos os que temos mais de quarenta anos conhecemos demasiado bem a realidade de amigos que se perderam ou atrapalharam muito a sua vida e das suas famílias por causa do uso e abuso de drogas ou bebidas.
De há dez anos para cá os consumos de álcool por adolescentes dispararam e são preocupantes. Em Portugal e no resto da Europa, aliás, onde os hábitos de saídas e noitadas são muito semelhantes. Embora o acto de beber ainda seja visto com naturalidade e se enquadre no ambiente mais ou menos festivo da noite, na verdade os adolescentes hoje em dia bebem brutalidades, muitas vezes sem se darem conta da quantidade que estão a beber. Para não falar da qualidade, já que as novas gerações não sabem apreciar um bom vinho.
Curiosamente os especialistas que se têm dedicado a estudar esta matéria inquietante da escalada de consumos, dizem que a maior parte dos adolescentes nem sequer gosta de álcool! Daí as marcas seduzirem os mais novos com poderosas campanhas de marketing e uma multiplicidade de bebidas muito açucaradas, de cores sedutoras, sabores variados e aromas de frutas mas sempre misturadas com muito vodka, tequilla, cerveja, rum, etc. Todas estas bebidas são uma espécie de ‘marca júnior’ e estão na primeira linha das apostas de grandes empresas que não brincam em serviço nem estão inocentes nesta questão do abuso de álcool. Aparentemente inócuas e divertidas, quase todas têm elevados níveis de álcool e são consumidas sem restrições por adolescentes muito novos. Cada vez há mais registos de comas alcoólicos nas urgências dos hospitais e o pior é que muitos dos que bebem exageradamente têm apenas 12/ 14 anos.
Apesar de nem sempre gostarem de álcool, os adolescentes, e em especial os mais novos ou aqueles que atravessam fases críticas ou, ainda, os que vivem crises de auto-confiança bebem para se sentirem integrados no grupo, para terem a mesma ‘onda’, para se sentirem ‘cool’ e, em muitos casos, para ficarem mais desinibidos. A timidez é um clássico na adolescência e, daí a compulsão de beber quando saem à noite e estão (ou querem estar) em grupo. Está estudado que sob efeito do álcool os rapazes sentem-se invencíveis e as raparigas irresistíveis. Uma armadilha tremenda, portanto.
Embora alguns pais ainda desconheçam esta realidade dos hiper-consumos nas saídas à noite e outros prefiram fingir que os filhos bebem hoje como eles próprios bebiam no seu tempo, não é verdade que assim seja. Sem alarmismos mas com consciência de que se trata de um fenómeno preocupante, vale a pena afinarmos os critérios com os nossos filhos, permanecermos próximos (sem sermos invasivos, note-se) e ficarmos mais atentos aos sinais em casa. Por que há sempre sinais.
 
 
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publicado por Laurinda Alves às 18:35
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