Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Poemas que também são orações e vice-versa

Ainda a pensar na Isabel Mota e em tantas pessoas à minha volta que estão a atravessar tempos difíceis e de grandes sofrimentos, deixo aqui uma oração de que gosto particularmente e serve para crentes e não crentes na medida em que Deus (uma palavra tão difícil para tantos) pode ser subsituido pela palavra Vida. Experimentem.

 
Eu pedi forças...
e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me problemas para resolver.
 
Eu pedi prosperidade...
E Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
 
Eu pedi coragem...
E Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
 
Eu pedi favores...
E Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas recebi tudo de que precisava.
publicado por Laurinda Alves às 15:42
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Começo a semana nesta paisagem...

 

Depois de um passeio no Gerês que foi mais uma caminhada

organizada por um grupo de pessoas que gostam de associar

a natureza à espiritualidade, esta semana começa muito melhor. 

 

 

Todos os lugares por onde passámos foram de arraso. Uma

beleza, com paz e silêncio bom. Aqui, já estávamos muito perto

de Vilarinho das Furnas e da Barragem da Caniçada. O grupo

desceu para uma pausa após duas horas de longa caminhada. 

 

 

No Gerês os caminhos mais certos estão assinalados com

estas três barras de cores e os percursos escolhidos para o

passeio alternavam entre a beira de água e as alamedas de

musgo verde trespassadas de luz e de sombras. Muito bom.

 

 

 

 

Depois da pausa para o almoço todo o grupo se sentou nas

pedras para uma missa campal celebrada por Vasco Pinto 

de Magalhães, padre jesuíta que acompanha de perto as

actividades promovidas pelo Círculo Xavier, do CREU, Porto.

 

 

Vasco Pinto de Magalhães vestido com uma túnica branca a

celebrar missa no lugar onde está imersa a aldeia de Vilarinho

das Furnas parecia um personagem bíblico a pregar junto do

Lago Tiberíades. Um apóstolo moderno a falar das coisas de

agora, do concreto das nossas vidas, sempre rente à realidade.

 

 

No fim, quando voltámos ao ponto de partida não resisti a 

perguntar ao pe Vasco, um dos homens verdadeiramente

sábios dos nossos tempos, o que é para ele rezar a vida.

 

 

A seguir a este passeio que, para mim, foi um verdadeiro luxo

espiritual, voltei para o Porto para assistir ao concerto de piano

de Nikolai Lugansky na Casa da Música, com o meu filho. Foi

um concerto inesquecível, com 3 encores. Um luxo musical...

Depois, um dia, hei-de falar sobre o concerto e o que se seguiu.

 

publicado por Laurinda Alves às 02:40
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Sábado, 6 de Setembro de 2008
O monge e o filósofo

 

(crónica do Público de sexta-feira)
 
Pai e filho. Um nasceu em 1924, o outro em 1946; um é filósofo, ensaísta, professor e ex-director do L’Express, o outro é cientista, especialista em Biologia Molecular e ex-investigador no Instituto Pasteur de Paris.
 
O pai, Jean-François Revel, pertence à Academia Francesa e foi premiado pelo conjunto da sua obra literária; o filho, Mathieu Ricard, abandonou uma carreira brilhante para se converter ao budismo, fez-se monge, tornou-se um dos maiores especialistas mundiais em matéria de espiritualidade tibetana e é há muitos anos o tradutor e acompanhante do Nobel da Paz.
 
Mathieu Ricard pertence ao círculo íntimo do Dalai Lama, fez incontáveis traduções de escritos tibetanos antigos e é autor de alguns livros de referência sobre o budismo.
 
Há cerca de dez anos pai e filho decidiram sentar-se juntos em Hatiban, no Nepal, no isolamento de um lugar único erguido no cimo da montanha que domina Katmandu, para uma longa conversa que haveria de ser gravada e depois editada em forma de livro.
 
Le moine et le philosophe não é um livro recente, portanto. Mas continua actual. Dolorosamente actual, para ser mais exacta. Os factos relativos às perseguições, extermínios e domínios permanecem na ordem do dia e revelam a atitude de impiedosa repressão exercida e mantida pelo governo chinês sobre o povo tibetano.
 
Ao longo do livro que agora leio com um olhar mais atento por ter acompanhado de perto os ensinamentos do Dalai Lama quando esteve em Lisboa no Verão passado, mas também por ter no meu círculo de amigos alguns budistas, esta realidade do genocídio e de todas as formas de opressão está muito presente e obriga a pensar.
 
Mas há uma outra realidade, infinitamente mais luminosa e inspiradora, que faz parar aqui e ali, sublinhar o que está escrito e até pousar o livro por breves momentos para conferir mentalmente teorias e práticas.
 
Não sou budista nem nunca serei mas esta certeza íntima não atrapalha em nada o meu fascínio pela espiritualidade tibetana e muito menos impede a minha adesão incondicional à personalidade e mensagem do Dalai Lama.
 
Mais, aproveito o facto de ter amigos budistas para perceber alguns mistérios existenciais e aceder a algumas práticas de meditação que, devo dizer, ajudam incrivelmente a calibrar as emoções e a aliviar o peso dos dias. Mesmo não sendo dada à meditação budista no sentido mais profundo e radical desta prática oriental, vou tentando perceber uma ou outra coisa que encaixo e adapto ao meu espírito de cristã que recorrentemente precisa de silêncio, contemplação e oração.     
 
O livro foi-me oferecido pelo Pedro, o meu amigo budista que sabe e percebe que há mais coincidências do que divergências entre quem reza e quem medita. O gesto de me oferecer este e outros livros revela uma delicadeza enorme e uma amizade atenta ao essencial, aliás. Não se trata de uma tentativa de conversão mas antes de uma possibilidade de comunhão em questões fundamentais.
 
Vasco Pinto Magalhães, o padre jesuíta com quem faço muitos dos meus retiros de silêncio de uma semana, usa as técnicas de respiração e meditação dos budistas para nos ajudar a centrar no essencial. Não sei se os budistas usam ensinamentos cristãos para apurar a sua consciência universal e elevarem o seu patamar espiritual nem isso verdadeiramente me importa.
 
O encontro de religiões, o ecumenismo dos homens e a atitude de abertura espiritual é que fazem a diferença no mundo. Hans Kung, filósofo alemão contemporâneo de Jean-François Revel, diz que é pela ética que vamos e eu acredito que sim, que a ética é um grande caminho para a humanidade.
 
Acima deste caminho há um outro que nos pode juntar e aperfeiçoar, que é o do encontro de religiões. Acredito que o altruísmo, a bondade e a sinceridade são as rectas dessa longa e sinuosa estrada e sei que não são exclusivos de nenhuma fé, culto religioso ou prática espiritual. Melhor assim.
publicado por Laurinda Alves às 04:03
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